Após perder os dois filhos com HIV, idosa se dedica ao trabalho voluntário em SP

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Foto: Isabella Lima/G1 Santos

Depois de enfrentar a morte de seus dois filhos, Elisabete Francisco da Fontoura, de 78 anos, perdeu a esperança na vida. A idosa, que vive em Santos, no litoral de São Paulo, sofreu com a depressão durante anos, mas superou a doença quando se deu conta de que a força que precisava para continuar estava no trabalho voluntário.

“Minha luta foi muito grande. Criei meus meninos sempre pensando no futuro deles”, diz. Na década de 80, o filho mais velho de Elisabete entrava para o exército. Mas, poucos meses depois, ele foi realizar um exame e teve o diagnóstico do HIV.

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“Quando soube meu mundo caiu, chorava dia e noite. O preconceito ainda era enorme, até por parte da família. Eu não sabia como encarar a doença. Ele viveu por apenas mais cinco anos. Foi muito triste e sofrido. Ele ainda tinha muitos sonhos”, desabafa.

Seu filho mais velho morreu aos 23 anos. E, três meses antes, a mãe da idosa também faleceu. Apesar da dor, a família tentou seguir em frente, mas cerca de três anos depois Elisabete reviveu todo o passado.


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Desafio e superação

Cerca de cinco anos depois, o segundo filho da idosa passou mal e foi ao médico. “Meu marido falou: ‘se prepara para uma bomba, o Társio está com HIV’. O desespero tomou conta de mim. Ele era o meu companheiro para tudo”, conta.

Ao sair do hospital, o filho entrou em depressão e a idosa enfrentava mais um desafio. Foram mais 20 anos lutando contra a doença, até que o filho faleceu aos 45 anos. “O meu marido morreu em meio ao tratamento do Társio. Ele ficou muito triste com toda a situação e eu também, porque sabíamos que estávamos perdendo para doença”.

A idosa conta após a notícia que seu outro filho tinha falecido e, com isso, ela ficou depressiva. Ela andava e falava sozinha pelas ruas. “Passou um mês eu voltei onde ele fazia tratamento para visitar a equipe e agradecer. Foi quando elas me aconselharam a procurar algo no Fundo Social de Solidariedade de Santos”.

Elisabete foi até o local e se inscreveu. No dia seguinte, ela foi chamada para participar de um curso de panificação. Atualmente, ela dá aulas no Fundo Social de Solidariedade (FSS) e diz que o local foi essencial para que ela superasse a depressão.

“Isso está me dando força. Tenho amizades aqui. Faz cerca de seis anos que estou aqui. Gosto porque isso faz com que eu tenha vida e ainda possa ajudar outras pessoas. Hoje vivo com a minha filha mais nova e sigo firme e forte”, finaliza.