Pai transforma pedido de filho em aplicativo de educação financeira

0

Pai, eu quero comprar seu cartão de crédito“. Essa foi a frase que deu origem ao aplicativo Tindin, de educação e serviços financeiros para crianças e adolescentes, que estreou no início do ano passado e recebeu um aporte de R$ 176 mil durante o programa Shark Tank Brasil – reality show de empreendedorismo.

E para que Rafael, na época com 7 anos, filho de Eduardo Schroeder, fundador e CEO da Tindin (à esquerda na foto, com seu sócio Fábio Rogério), queria o cartão de crédito do pai?


Continua depois da publicidade-pix


As lojas de jogos online não aceitavam as moedinhas que ele recebia de mesada, só o tal “dinheiro de plástico”.

Como ele já recebia uma pequena mesada desde os três anos, sabia que toda compra era uma troca de dinheiro por um objeto, então por que não trocar suas moedas pelo cartão do pai?

Ele conseguiu seu joguinho (com o cartão do pai, mas sem “comprá-lo”) e plantou em Schroeder a inquietação de que seu filho teria que esperar até os 18 anos para ter autonomia sobre suas finanças. Insatisfeito com essa possibilidade, pensou em uma espécie de carteira virtual para crianças.

-Continua depois da publicidade ©-

A ideia evoluiu e levou à criação do aplicativo que permite a transferência de valores de mesadas, que podem ter valor fixo ou variável e até mesmo atrelados ao cumprimento de tarefas.

O aplicativo está disponível para Android e iOS em versão gratuita e também em versão paga, com mensalidade de R$ 7,90, com ampliação dos recursos da ferramenta, como cadastro ilimitado de dependentes e atribuição de pesos para cada tarefa a ser cumprida.

O responsável pela criança ou adolescente tem acesso a todo o conteúdo do aplicativo, transações realizadas e pode até mesmo bloquear alguma ação/compra.

Educação financeira tecnológica

O objetivo da Tindin é ajudar a desenvolver habilidades como poupar, planejar, capacidade de negociação, respeito ao dinheiro e gestão financeira, além de disciplina e responsabilidade.

O sonho é nobre, mas foi um dado público, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que fez os olhos de Caíto Maia, fundador da Chilli Beans, brilharem durante a gravação do Shark Tank Brasil, em maio deste ano.

O público-alvo da fintech, que é formado por jovens entre 5 e 17 anos, movimenta cerca de R$ 40 bilhões todos os anos.

“É um mercado bem grande que os bancos não estão abraçando”, conta Schroeder.

Nascida no ano passado, em Maringá (PR), a startup começou com R$ 60 mil em recursos próprios, recebeu os R$ 176 mil de Caíto Maia e mais R$ 750 mil de rodadas de grupos de investidores-anjo que deve ser finalizada até dezembro deste ano.

A previsão é que em 2020 a receita da empresa será suficiente para pagar os custos.

Até agora foram cerca de 5 mil usuários do aplicativo e a meta é alcançar 9 mil até o fim deste ano.

Parcerias e novas ferramentas

A Tindin fechou no mês passado uma parceria com a Levpay para incluir recursos de pagamentos instantâneos via boleto e transferência bancária em sua plataforma.

Os novos recursos permitem que usuários sem cartão de crédito também utilizem o modelo da mesada eletrônica. Antes da parceria, os pais só possuíam a opção de transferência via cartão de crédito.

Além da proposta educacional, os responsáveis pelas crianças poderão assegurar que, mesmo à distância, eles tenham recursos suficientes para atender demandas como pagar um lanche na escola.

Os sócios da startup também fecharam um contrato com o Sicredi, instituição financeira cooperativa, para fazer uma versão do aplicativo para os mais de 4 milhões de cooperados do banco. O aplicativo deve estar disponível até o fim de 2020.

Outra investida da fintech é a parceria com a rede de shoppings Gazit (que tem Eldorado e Cidade Jardim em seu portfólio), para disponibilizar a compra de itens nas lojas, usando o dinheiro do aplicativo. O serviço deve começar em meados de novembro.





-Patrocinador-