Primeiro ‘arranha-céu’ de SP, com apenas 12 andares, faz 95 anos

0
Foto: Reprodução

O arranha-céu mais antigo de São Paulo, o Edifício Sampaio Moreira, completa 95 anos em 2019 com história e conceitos quebrados no plano urbano da cidade. Projetado pelo engenheiro Samuel das Neves e pelo arquiteto Christiano Stockler, pai e filho respectivamente, o prédio foi o mais alto da cidade rompendo a vista horizontal de São Paulo entre os anos 1924 e 1929, quando o Edifício Martinelli foi inaugurado.

Seu tamanho, apesar de pequeno nos dias de hoje, era significativo na década de 1920: 12 andares e 50 metros de altura. Com esses números, foi considerado um edifício de grande porte, tendo em vista que os prédios da época contavam com uma média de 4 pavimentos.


Continua depois da publicidade

A professora de história de arquitetura e urbanismo do Centro Universitário Belas Artes, Aline Nasralla, comentou sobre a importância do Sampaio Moreira para a mudança urbana de São Paulo:

“O Sampaio Moreira com certeza marcou a história de São Paulo, no sentido de verticalização, por ter sido o primeiro edifício alto. O projeto dele começa em 1920 e é inaugurado em 1924. É difícil imaginar isso, mas na época em que ele foi construído ele era o único edifício alto da cidade. Ele só vai perder esse título com a construção do Martinelli, que acontece em 1929, então ele tem essa importância no sentido de ser o primeiro arranha-céu da cidade”.

O empreendimento foi construído pelo português José Sampaio Moreira com a finalidade de ser um edifício comercial. Desde sua inauguração, com suas 180 salas, o edifício abriga em seu pavimento térreo a Mercearia Godinho, tradicional estabelecimento comercial de São Paulo, fundado em 1890.

-Continua depois da publicidade ©-

A planta do edifício, por sua vez, merece destaque por ser semelhante ao que era projetado nos Estados Unidos na época. Vale dizer que, o arquiteto do edifício, Christiano Stockler das Neves, fora para a Pensilvânia estudar arquitetura e trouxe um pouco disso para o Brasil, como destaca a professora de história da arquitetura da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, da Universidade de São Paulo, Maria Lucia Bressan Pinheiro:

“Quando você vê a planta do Sampaio Moreira, são só salas comerciais e uma bateria de poucos banheiros. Projetavam-se poucos banheiros naquela época se compararmos aos padrões atuais. Eles eram coletivos, sendo usados por todos que alugassem as salas daquele andar. É uma planta muito curiosa, diferente do que estamos acostumados hoje. Se você comparar o Sampaio Moreira com os edifícios de Chicago, na mesma época, eles eram mais ou menos do mesmo jeito A planta dele era bem fora do usual”.

A arquitetura do edifício também merece destaque. Planejado no estilo eclético, o Sampaio Moreira exemplifica a habilidade de Christiano Stockler das Neves em trabalhar com os estilos em voga na época.

“Acho que a linguagem eclética também merece destaque. Ele tem uma qualidade muito grande nesse ecletismo, ele é muito ornamentado e o arquiteto que trabalha com o eclético precisa dominar bem todos os estilos. Imagina misturar coisas de períodos muito diferentes e, se você não tem essa habilidade, vira um Frankenstein e o Christiano teve esse mérito”, diz a professora Aline.

O edifício que é tombado pelo Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo), passou por uma grande reforma estrutural em 1990.

A entrada, com seu painel de localização em madeira maciça e letras douradas, as escadarias de mármore de Carrara e alguns detalhes como as esquadrias das janelas, de pinho-de-riga, foram preservados.

Os elevadores suecos Brothers tiveram os motores revisados e mantiveram o design: pórticos de mármore, paredes vermelhas, porta de ferro vazado, espelhos trabalhados, manivela (hoje aposentada) e adornos dourados.

Em 2010, foi desapropriado para abrigar a Secretaria Municipal de Cultura. As obras de restauro, iniciadas em 2012, recuperaram suas características originais, adaptando-o às novas necessidades de acessibilidade e segurança (incluindo a construção de um bloco anexo nos fundos, com escada de emergência). Ele foi entregue reformado em setembro de 2018, quando passou a ser oficialmente a sede da Secretaria Municipal de Cultura da cidade de São Paulo.





-Patrocinador-