Princípios para um sistema equilibrado e produtivo para a cultura da soja: calagem

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Com a intensificação dos cultivos a cada ano, sobre cada área produtiva, surge a necessidade de conhecer o sistema produtivo e com isso, realizar ações condicionantes que objetivem uma melhor exploração e verticalização das produtividades.

No caso da cultura da soja, percebe-se que apesar dela estar adaptada a diversos tipos de solo quanto as características químicas e físicas, existe uma faixa de pH em que existe a maior e melhor exploração do sistema radicular. Para que a fotossíntese ocorra adequadamente a uma taxa que proporcione produtividades elevadas de grãos, faz-se necessário que a planta de soja esteja condicionada a um ambiente favorável do ponto de vista produtivo.


Pode-se dividir o ambiente em dois sistemas distintos, porém inter-relacionados. O sistema aéreo, dependente da competição intraespecífica e o sistema radicular, que não é visualizado constantemente e é uma das principais fontes de preocupação em sistema altamente produtivos. Enquanto que a parte aérea da planta realiza fotossíntese, gerando um gradiente evapotranspirativo que obriga a planta a absorver a solução do solo (água e sais minerais), as raízes estão imersas em um ambiente que pode variar da restrição a completa absorção da água e nutrientes.

A soja por ser a cultura que possui a maior área de cultivo no RS e Brasil, está condicionada a uma grande pressão dos mais diversos segmentos da economia agropecuária. Porém, muitas tecnologias e manejos somente serão eficazes se submetermos o cultivo a um ambiente do solo favorável.

Dessa forma, a calagem é uma das primeiras estratégias para que a cultura apresente um bom desempenho produtivo.

Porém, é muitas vezes negligenciada, por ser um dos primeiros conhecimentos a ser gerado pela pesquisa, mas muitas vezes sem a implementação necessária por conta dos apelos mercadológicos. O processo de calagem inicia-se com uma boa amostragem de solo (época, local, quantidades, profundidade, análise laboratorial e interpretação), entendimento claro dos objetivos propostos pela calagem, aplicação e distribuição homogênea do calcário, planejamento do sistema produtivo de médio a longo prazo, entendimento de sustentabilidade do sistema (econômica, ambiental e social) e definições de potencialidades e limitantes de cada sistema.

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Como objetivos iniciais da calagem estão a adequação das concentrações dos nutrientes e do alumínio em formas disponíveis as plantas, sendo que a solubilidade dos compostos minerais e a capacidade de troca de cátions de solo estão intimamente ligados as atividade de íons de hidrogênio na solução do solo (Sfredo, 2008).

Além de ser fonte de cálcio e magnésio, o calcário condiciona a uma maior disponibilidade de nutrientes na solução do solo. A eficiência de utilização de nutrientes pelas plantas é maior quando o pH da solução do solo encontra-se em uma faixa adequada. Essa faixa pode ser definida com o pH em água de 6,0 a 7,0, com isso melhora a disponibilização de nutrientes como potássio, cálcio, magnésio, fósforo, nitrogênio enxofre e boro. Porém, ao aplicar-se uma elevada aplicação de calcário, pode-se elevar-se muito rapidamente o pH do solo e deixar alguns elementos limitantes como o fósforo, ferro, molibdênio e zinco.

Com isso, uma lavoura de sucesso inicia-se com um ótima base e nada melhor que a realização de uma análise de solo e uma calagem adequada.

Autor: Prof. Dr. Thomas N. Martin – martin.ufsm@gmail.com (55) 981 113 833

 


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