Ocupação reúne projetos do arquiteto mais premiado do país

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O Itaú Cultural recebe a partir de hoje (12) a Ocupação Paulo Mendes Rocha, uma homenagem ao arquiteto e urbanista às vésperas do seu aniversário de 90 anos. A partir de uma série de 11 projetos, sendo nove não construídos e não expostos no Brasil, a mostra apresenta a essência das propostas e ideias de Rocha.
“É uma escolha pela afirmação de ideias, de princípios. Tem um sentido bastante político até”, enfatiza o curador Guilherme Wisnik. Representante da escola modernista, como Oscar Niemeyer e Vilanova Artigas, Rocha é o arquiteto mais premiado do Brasil.
A única das propostas que já foi executada é a do Sesc 24 de Maio, inaugurado no ano passado no centro de São Paulo. O prédio tem entre os atrativos um espelho d’água no topo, que rapidamente se tornou popular entre os frequentadores. Em Vitória (ES), cidade natal do arquiteto, está sendo construído o Cais das Artes, um conjunto arquitetônico que reúne um museu e um teatro, parte de uma proposta ampla para toda a reforma da orla da baía da cidade.
Ao apresentar mais ideias que chegaram a ser executadas, Wisnik explica que a exposição explora mais a concepção de urbanismo e desenvolvimento de Rocha do que fazer uma mera retrospectiva da carreira do arquiteto. “O Paulo, diferentemente da maioria dos arquitetos, não tem especial apreço por mostrar obras construídas no sentido daquilo que ele chama de exposição de arquiteturinha, que seria um catálogo da obra do arquiteto. Ele pensa que a arquitetura é muito menos uma questão formal e muito mais uma tomada de decisões para questões maiores que amparam a vida das pessoas”, disse.
A linha condutora da mostra passa da relação das construções com a água. O elemento é fundamental na formação de Rocha. “O pai dele era um engenheiro de portos e navegações, portanto, um homem do mundo das técnicas e ligado ao porto. O Paulo cresceu acompanhando o pai nas obras do porto, tendo essa questão dos navios e da atividade portuária como fundante para o imaginário dele”, conta o curador.

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Projetos ousados

Foi a partir dessa influência do pai que o arquiteto desenhou alguns dos seus projetos mais completos do ponto de vista de proposta de desenvolvimento e vida em área urbana. Em 1980, ele desenhou a proposta de um grande porto fluvial às margens do Rio Tietê, entre as cidades paulistas de Lins e Novo Horizonte.
A ideia do projeto, segundo Wisnik, era ser “um polo de estruturação da navegação fluvial pelo interior do continente”. Com a promoção do uso dos rios navegáveis, Rocha pensa em quebrar a opção mais cara e menos eficiente do transporte de mercadorias e pessoas pelas estradas. “Um projeto como esse é um projeto de declaração de princípios. Nós podemos reverter esse rumo desastrado e pensar um novo caminho do desenvolvimento no Brasil’”, enfatiza o curador.
Para a capital uruguaia, Rocha pensou em tornar a baía e as águas um elemento central na cidade. Os engarrafamentos seriam contornados a partir do transporte baseado em uma frota de barcos que cruzariam essa grande praça alagada no coração de Montevidéu.
Apesar da ousadia das propostas, Wisnik faz questão de dizer que Rocha não é um sonhador, mas alguém que pensa maneiras possíveis de transformar as realidades urbanas. “Todos esses projetos são plenamente realizáveis, podem ser feitos já. Eles são complexos e precisam de vontade política”, ressalta.

Visitas

Além da mostra, de 6 e 27 de outubro serão organizadas visitas, a partir do Itaú Cultural, na Avenida Paulista, região central da capital paulista, para obras de Rocha na cidade.
A exposição é gratuita e pode ser vista até 4 de novembro, de terça-feira a sexta-feira, das 9h as 20h. Sábado e domingo, das 11h as 20h.
Edição: Fernando Fraga





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