Moradores de assentamento criado para pessoas com deficiência em MT citam falta de recurso para projetos

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Simone de Sá/Arquivo Pessoal

Moradores do primeiro assentamento do Brasil habitado por Pessoas com Deficiência (PDCs) criado há 12 anos na região do Bairro CPA, em Cuiabá, citam as conquistas que tiveram desde o surgimento do local e a atual falta de recursos para a realização de projetos.

O assentamento surgiu em uma parceria entre a Associação Mato-grossense de Deficientes (AMDE), e do Instituto de Terras de Mato Grosso (Intermat), que doou as terras.

Fundado em 2006, o Assentamento Conquista é o único destinado às pessoas com deficiência física no Brasil.

O projeto para a criação do assentamento foi concretizado em 2005. À época, no entanto, os futuros moradores tiveram que esperar a construção das casas que morariam.

No ano seguinte, de acordo com a ex-presidente e moradora do assentamento Maria Elizabeth da Silva, grileiros invadiram o local. Os contemplados com a terra também foram morar junto com os invasores.

Segundo Elizabeth, uma ação do Intermat e forças policiais polícia retirou os invasores do local algumas semanas depois.

O local possui 25 chácaras e abriga 28 famílias. As terras variam entre 1,9 hectares e 2,3 hectares, segundo a presidente do assentamento Simone de Sá.

Produção no local

Segundo Simone, os assentados cultivam frutas, criam animais de granja para o consumo próprio e também para venda.

“Alguns produtores vendem os produtos, mas há dificuldades nas vendas, porque o acesso à cidade é difícil. Além de enfrentar a deficiência, não temos acessibilidade”, disse.

Segundo a atual presidente, por causa das precariedades, muitos produtores tiveram que desistir da venda de frutas, verduras e animais de granja.

“O projeto da agricultura familiar é algo que queremos implantar desde o início, mas não conseguimos por falta de recursos. Os produtores têm que improvisar tudo”, explicou.

Simone conta que, além das dificuldades na plantação, o acesso até a cidade para que eles consigam vendes os produtos, é difícil.

“Os produtos são bons, mas ninguém sabe, porque o acesso é difícil. Muitas vezes deixamos de vender porque não temos como ir na cidade e o cliente não consegue chegar ao assentamento”, contou.

Outra moradora do local, Maria José vive com o marido. Juntos eles cuidam das plantações de mandioca, caju, goiaba e manga. Os produtos, porém, são usados somente para o consumo da família.

“Não tem como ir vender fora, até perdemos as frutas. Tenho dificuldades, então meu esposo cuida de mim 24h. Não temos salário, vivemos com o que plantamos e recebo um auxílio do governo no valor de R$ 955”, relatou.

Além da agricultura, os moradores querem implantar um aviário no local e para trabalhar com abate de aves.

“Tudo é muito caro e não temos incentivo, mas vamos continuar lutando, criando, pelo menos, projetos de subsistência. Queremos mostrar que a pessoa com deficiência não é incapaz”, ressaltou Simone.





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