Maternidade ainda é empecilho para a carreira de mulheres

0

Para o mundo corporativo, uma mulher que se torna mãe estará menos comprometida com a empresa. Já o homem, ao virar pai, ficará ainda mais responsável. Essa imagem generalizada (e equivocada) é só uma das causas que ajudam a tornar a maternidade um entrave para a carreira feminina.

Segundo a pesquisa ‘Mitos e Verdades no Universo Corporativo’, apresentada nesta segunda-feira (25), no II Encontro do Grupo Mulheres do Varejo, 84% das mulheres e 79% dos homens acreditam que as profissionais sofrem preconceito quando engravidam.

O resultado desse cenário, em muitos casos, é o adiamento da maternidade por medo de atrapalhar o crescimento profissonal. A maior parte das entrevistadas acredita que é possível conciliar a vida profissional e a família, mas ser mãe “atrasa a carreira”. A mulher fica em um eterno delay, pois vai precisar sair no horário para pegar a criança na escola e as decisões na empresa vão continuar sendo tomadas.

Apesar dessa constatação, o conselho de Para Karin Parodio, CEO da Carrer Center, que participou do debate mediado por Tania Moura, VP Executiva da Associação Brasileira dos Profissionais de Recursos Humamos e membro do comitê executivo do Mulheres do Varejo, é um só: “Não adiem a maternidade. Você pode trocar de empresa, de marido, mas de filho você não troca”, recomenda.

Fica claro também que é preciso uma mudança substancial nos acordos familiares: 85% das mulheres e 47% dos homens admitem, por exemplo, que é sempre a mulher que irá faltar ao trabalho para levar um filho ao pediatra, como se isso fosse uma regra estabelecida.

“As mulheres precisam aprender a deixar os homens fazerem. Quem ajuda está fazendo um favor, o companheiro não está ali para ajudar. Está para fazer também”, ressalta Neivia Justa, idealizadora do movimento #aquiestãoasmulheres, também presente no evento. “O preconceito também está em nós, mulheres, e precisamos combatê-lo”, admite.

O presidente do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo e presidente do Conselho de Administração da Droga Raia, Antonio Carlos Pipponzi, disse que há uma mudança de hábito em curso. Aquele modelo de casamento com o homem provedor e a mulher cuidadora dos filhos não é mais único e sugere que se façam acordos claros para ajustar o peso da vida pessoal na vida profissional.

Esforço invisível

A pesquisa também avaliou mitos e verdades relativos à remuneração e aos desafios que as mulheres enfrentam para provar que são capazes. Bruna Fallani, CEO da Shopper2Be, que apresentou os dados, mostrou a imagem de um anúncio que resume bem a situação vivida pelas mulheres: elas trabalham mais e ganham menos do que os colegas do sexo masculino.

A peça, criada pelo diretor de arte Kazunori Shiina em parceria com a redatora Chandani Karnak, utiliza escadas e escadas rolantes para demonstrar o caminho que cada gênero enfrenta para ascender na carreira. A constatação dessa desigualdade se reflete na pesquisa: 85% das mulheres e 47% dos homens concordam que as mulheres precisam se esforçar em dobro para mostrar seu talento. O mesmo vale para a remuneração: 87% delas e 71% deles acham que o salário feminino é menor do que seus pares masculinos.

O artigo 461 da CLT garante a equiparação por cargos, independentemente do gênero, mas a questão é mais sensível do que o número no contracheque. “Não é preciso pagar menos. O problema é valorizar menos. O mesmo salário não garante o mesmo reconhecimento”, explica Ney Santos, vice-presidente de P&D da Linx.

Karin Parodio, especialista em remuneração, aconselha: “A gente tem de fazer escolhas. A empresa escolhe você, mas você também pode e deve escolher a empresa para a qual quer trabalhar e que esteja mais alinhada às novas diretrizes”.

Leia também: Resultado das loterias de hoje (25/09/2020)


Amazonia 03 de Junho