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quinta-feira, 24 junho, 2021
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Fim da quarentena em Portugal esbarra no medo da população de sair às ruas

Por G1

Apontado como modelo de gestão da pandemia do novo coronavírus entre seus vizinhos europeus, Portugal inicia a segunda fase do desconfinamento, reabrindo escolas e restaurantes. O fim da quarentena, contudo, que começou no dia 3, revela-se complexo e esbarra no medo e na resistência dos portugueses de voltar à normalidade. Uma investigação da Escola Nacional de Saúde Pública revelou que na primeira fase houve um aumento de apenas 2% de pessoas nas ruas.

Os centros urbanos permanecem vazios, a ponto de o presidente Marcelo Rebelo de Sousa e do primeiro-ministro António Costa saírem, nos últimos dias, numa cruzada para estimular a população a retomar seu cotidiano pré-pandemia.


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Marcelo visitou o mercado de Ericeira, nas imediações de Lisboa, e voltou a frequentar museus. O premiê andou pelo Chiado com a mulher e, nesta segunda-feira, tomou o café da manhã numa confeitaria em Benfica. Nesta segunda fase, 200 mil alunos voltam às aulas e restaurantes podem funcionar com 50% da capacidade.

“Não nos deixamos vencer pelo vírus, não podemos deixar-nos vencer pela cura”, apelou Costa, num esforço para demonstrar confiança aos portugueses.

Não tem sido fácil convencer a população. Uma pesquisa realizada entre os dias 6 e 11 pelo Centro de Estudos de Opinião e Sondagens da Universidade Católica Portuguesa reforça a tese. Mais de um quarto dos entrevistados disseram que seu estado físico e mental deteriorou.

“Neste inventário de saúde mental, as pessoas estão receosas e saudosas”, atestou Ricardo Reis, diretor do CESOP, ao apresentar a pesquisa.

O estudo revelou ainda que, neste momento, 50% dos entrevistados disseram que não pretendem tirar férias no verão. Dos que mantêm o descanso, apenas 9% manifestaram a intenção de viajar. Embora o confinamento tenha sido afrouxado no início do mês, 9% afirmaram não ter saído à rua; 21% tinham deixado suas casas apenas uma vez por semana.

Passeios a pé ou para fazer exercícios foram raros. Os portugueses evitam transportes públicos e hospitais, sentem-se mais seguros em farmácias; 65% acham que o vírus é perigoso ou muito perigoso.


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Outro dado que chama a atenção é que 36% cancelaram consultas médicas. “Isso é preocupante, pois pode acarretar uma segunda onda de doenças provocadas por falta de cuidados médicos adiados por medo”, analisa Filipe Santos, diretor da Universidade Católica Portuguesa de Lisboa.

O futuro se mostra sombrio para os portugueses: 46% têm medo de serem infectados25% receiam perder o emprego34% acham provável perder familiar próximo para o novo coronavírus.

“Tão cedo não teremos vacinas, os tratamentos com antivirais não têm eficácia comprovada. Vamos ter que aprender a conviver com o vírus de forma natural e corajosa”, pondera Filipe Santos.

O presidente admite que o desconfinamento foi contido, embora o número de mortos pela Covid-19 tenha caído e o de curados, crescido. A pandemia registrou 29.209 casos 1.231 mortos em Portugal. Permanecem internadas 628 pessoas, das quais 105 em UTIs.

“Falar de luz ao fim do túnel é falar de uma realidade que os portugueses têm que conquistar por eles próprios”, avalia o presidente Marcelo Rebelo de Sousa. A questão agora é saber como superar o trauma do confinamento e restabelecer a confiança para voltar a viver em liberdade.


Rebeca Moraeshttps://www.cenariomt.com.br
Redatora do portal CenárioMT, escreve diariamente as principais notícias que movimentam o cotidiano das cidades de Mato Grosso.
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