Brumadinho: Proximidade do período chuvoso faz bombeiros mudarem estratégias de buscas

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Foto: Saulo Luiz/TV Globo

“Durante estes sete meses, a dor das pessoas se tornou a nossa própria dor. Conhecemos os nomes de todos os familiares dessas 22 pessoas que estão desaparecidas. É uma realidade que a gente sente dentro da gente”, disse o porta-voz do Corpo de Bombeiros Tenente Pedro Aihara sobre o maior trabalho de resgate da história do país. Até agora, 248 mortos foram retirados da lama da barragem da Vale que se rompeu no dia 25 de janeiro, em Brumadinho.

Após 213 dias ininterruptos de buscas, os militares têm se debruçado em estudos e apurações dos últimos meses para conseguir dar prosseguimento às buscas pelas pessoas que ainda estão desaparecidas. A proximidade do período chuvoso, em outubro, é uma das preocupações, segundo o Tenente Aihara, porque a chuva pode tornar a operação inviável em alguns pontos, onde a quantidade de lama é maior.

De acordo com Aihara, os bombeiros vão priorizar buscas mais na superfície. Com menos esforço empregado em escavações profundas, será possível ampliar as áreas de buscas. Isso porque, segundo o militar, foi constatado que cerca de 87% dos corpos foram encontrados a uma profundidade aproximadamente de uma camada de um metro, e cerca de 90% dos corpos foram encontrados em profundidade de até três metros.

“O que a gente percebeu é que essas vinte e duas jóias [vítimas] que estão desaparecidas, estavam em locais onde a gente tende a ter uma energia cinética maior e daí surge a dificuldade de encontrar essas pessoas. Elas receberam um choque muito grande no momento do rompimento da barragem”.

O Corpo de Bombeiros continua com as operações para encontrar as vítimas sem previsão de término. Existe a possibilidade de elas estarem com uma taxa de segmentação alta ou elas estarem bastante distantes do ponto onde, inicialmente, estavam quando aconteceu o rompimento.

“A gente tem empenhado tudo, de homens, de maquinário, de recursos tecnológicos. Tudo que puder ser feito por uma vida, pra gente, isso é um dever. Mesmo nesse cenário de caos e tragédia tem nascido coisas muito bonitas, juntos a gente tem conseguido construir um sentimento de empatia e respeito ao próximo para conseguir restabelecer essa comunidade”.

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Amazonia 03 de Junho