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quinta-feira, 13 maio, 2021
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Crise reduz poder de compra e muda perfil de consumo da classe média

Por Patrícia Basilio, G1

A classe média brasileira encolheu – e tem menos dinheiro para gastar. Nos últimos cinco anos, a renda disponível para consumo da classe C caiu quase 10%, passando de R$ 286 milhões para R$ 259 milhões, segundo levantamento realizado pela consultoria Tendências.

O orçamento mais apertado – além das restrições provocadas pela pandemia – levou a mudanças nos hábitos de consumo, que ficaram mais limitados e enxutos: roupas, carro zero, eletrodomésticos e até plano de saúde saíram do radar de muitas famílias de classe média no país.


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Além da redução de renda, as famílias também sentiram no bolso a alta dos preços dos alimentos: o índice “Custo de Vida por Classes Sociais” de março aponta que a variação dos custos de alimentação das famílias da Região Metropolitana de São Paulo da classe C, em 12 meses, foi de 12,4%. Para as da classe A, foi de 9,34%, segundo dados da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) divulgados.

Gastos maiores, consumo menor

Com menos renda disponível e maior peso em gastos básicos, como alimentação e transporte, a grande parte da classe C tem de cortar despesas importantes, mas insustentáveis financeiramente diante do atual quadro econômico de inflação acima do teto da metadólar elevado, alto índice de desemprego e o chamado risco fiscal.

“Houve uma deterioração do poder de compra da classe média. Algumas famílias tiveram de fazer escolhas para pagar as contas, como reduzir a qualidade do plano de saúde, cortar o lazer e cancelar a TV por assinatura. Nem poupança elas estão conseguindo fazer mais”, afirmou Guilherme Dietze, assessor econômico da FecomercioSP.

Na avaliação de Márcio Pochmann, professor de economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a pandemia aumentou a polarização entre a classe média alta e a classe média baixa — gerando um lacuna entre a classe média tradicional.

“Com investimento público, a gente poderia reaver parte do poder de compra que perdemos. O país deve recompor parte do setor produtivo das empresas. Desde 2015, não voltamos a crescer”, analisou o economia, que já foi presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Isabela Tavares, economista da Tendências Consultoria, acrescenta que 88% da classe C é composta por trabalhadores — profissionais que foram duramente impactados pelo desemprego e pelo agravamento da pandemia em 2021.


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No trimestre encerrado em janeiro, por exemplo, o desemprego no Brasil ficou em 14,2%, a maior taxa já registrada para o período desde o início da pesquisa, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Com a crise, a massa da classe C deve cair 2,7% em 2021, em relação a 2020. A classe média deve ter recuperação lenta porque todo esse quadro de pandemia deve atrasar a retomada do mercado de trabalho”, avaliou a economista.


Dayelle Ribeirohttps://www.cenariomt.com.br
Redatora do portal CenárioMT
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