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domingo, 14 agosto, 2022
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Perigo no ambiente de negócios

Texto por Onofre Ribeiro

Desde que terminou a eleição de 2018, declarações do senador eleito Jaime Campos trouxeram pra discussão a ideia de se taxar o agronegócio estadual pra sanar os problemas de caixa do governo. O que pareceu no primeiro instante só uma revanche eleitoral, ganhou as discussões. A Assembléia Legislativa e  a burocracia estadual entraram na conversa.

 


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De sua vez, o agronegócio se revela despreparado pra discutir os seus interesses. Gradualmente cria-se na sociedade um preconceito burro contra quem produz em Mato Grosso.

 

Aqui entra a conversa deste artigo. Desde o segundo governo Dante de Oliveira, de 1999-2003, Mato Grosso ganhou fama de ter um bom ambiente pros negócios.  E eles de fato aconteceram e se multiplicaram nas duas gestões Blairo Maggi (2003-2010). Já na gestão Silval Barbosa a burocracia da Secretaria de Fazenda ganhou vida própria e decidiu confrontar os possíveis investimentos. Grandes investidores deixaram Mato Grosso ou preferiram apostar em Goiás e Mato Grosso do Sul.

 


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Quase expulsos. Fraco politicamente, o governo Silval não enfrentou a burocracia fazendária.

 

Conclusão: Mato Grosso ganhou má fama como estado arriscado pra investimentos. Na gestão Pedro Taques, as mexidas nos contratos vigentes de incentivos fiscais criaram muita confusão no meio empresarial do Estado e ganharam mundo afora. Hoje a imagem de Mato Grosso é péssima junto aos investidores de fora do Estado.

 

Agora vem essa conversa de taxar o agronegócio com um possível Fethab 3. Ou algo parecido.  Junto com a taxação vem o preconceito. O assunto está nas páginas da mídia nacional. Resultado imediato: arrasa com o ambiente de negócios em Mato Grosso. A impressão lá fora é a de que aqui não há segurança jurídica pros negócios. O assunto estará nas pautas da Assembléia Legislativa, uma instituição há muito tempo incapaz de manter discussões em nível mínimo de racionalidade.

 

Aqui faço justiça. Sem compreender o tema na sua devida profundidade e consequências, a tendência da maioria dos deputados estaduais é pela aprovação de todas as taxações que o Executivo enviar sobre o agronegócio. Na época o deputado José Riva na presidência se contrataria consultorias de qualidade pra diagnosticar causas e efeitos antes de se votar um tema delicado e complexo assim.

 


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Certamente as consequências de taxações de novos impostos da forma como se pretende não resolverá os problemas de caixa do governo, mas fará um enorme estrago no ambiente de negócios e na pouca boa fama de Mato Grosso junto ao mundo econômico nacional e internacional. Maturidade seria uma boa conselheira nesse momento, especialmente aos deputados estaduais.

 

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso.

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