Homem é demitido ao xingar criança para defender Jair Bolsonaro na web

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Uma médica moradora de Santos, no litoral de São Paulo, foi atacada após se posicionar contra o presidente Jair Bolsonaro em uma postagem nas redes sociais. Um homem fez ofensas a profissional da saúde e seu neto de apenas quatro anos. No texto, ele fala da sexualidade da criança e insinua que ela o ensinava a ser criminoso. Depois da repercussão, ele apagou a postagem e, em seguida, acabou sendo demitido da revista onde trabalhava.

Em entrevista nesta quarta-feira (20), a médica de 56 anos, explica que ficou ‘indignada’ com a situação, que ocorreu após ela interagir em uma postagem feita nas redes sociais de um amigo. Contrária ao presidente, a profissional da saúde comentou “Eu odeio o Bolsonaro” e, em seguida, disse que não entendia como as pessoas conseguiam apoiá-lo.

Outros perfis que são a favor do governo questionavam o posicionamento, alegando que este governo seria bom para futuras gerações. Ainda interagindo, a médica disse que nem o neto apoiava o atual presidente, como brincadeira. Depois do comentário, um homem enviou a mensagem com cunho ameaçador, falando sobre a sexualidade da criança.

“Por um acaso seu neto sabe enfiar um crucifixo no “C”. Por um acaso, seu neto adora roubar as canetas dos amiguinhos, por um acaso seu neto enfia o dedinho na Batota da vovó”, diz trecho do comentário do homem.

Comentário ofensivo foi registrado por familiares — Foto: Reprodução/ Redes Sociais

Comentário ofensivo foi registrado por familiares — Foto: Reprodução/ Redes Sociais

Ao longo do comentário, ele faz insinuações sobre a sexualidade da criança e da médica, alegando que ela estaria ensinando incesto para o neto, e finalizando que “essas são as ideologias das pessoas que condenam o Bolsonaro”.

A família da vítima decidiu tirar fotos dos comentários e publicou nas redes sociais como forma de repúdio às falas do homem. Com a grande repercussão, ele decidiu apagar e deletou o perfil na rede social. “Na hora que eu li, fiquei passada com a falta de respeito. Foi muito desagradável tudo isso”, declara a médica. De acordo com a família, eles gostariam de uma retratação após a fala.

A filha da médica, explica que a foto de perfil da mãe era junto com o neto, seu filho de quatro anos, e isso incomodou ainda mais a família. “A foto da minha mãe era dela com o meu filho, dava para ver que era uma criança, que ele se referia a uma criança pequena. Olha o que um cara, que se dizia cidadão de bem, fez. Não dá para deixar isso quieto”, declara.

Depois da repercussão, a família fez um boletim online na última quinta-feira (19), no 3º DP de Santos, para registrar o caso. De acordo com filha da médica, eles não queriam problemas com a situação, apenas uma retratação por parte do homem que fez o comentário.

Posicionamento

Depois da repercussão, a revista em que o homem trabalhava se posicionou, após receber mensagens de pessoas que acompanharam o caso. Em uma postagem nas redes social da empresa, a organização diz que “repudia e não aceita nenhum tipo de discriminação, ofensa e agressão” (veja a nota na íntegra abaixo).

A reportagem tentou contato com a empresa, que informou ter desligado o colaborador imediatamente.

Empresa se posicionou contra fala do colaborador — Foto: Reprodução/ Redes Sociais

Empresa se posicionou contra fala do colaborador — Foto: Reprodução/ Redes Sociais

Injúria

De acordo com o advogado criminalista Paulo de Jesus, o caso é classificado como injúria por não atacar diretamente a pessoa referida. “A difamação ataca a honra objetiva que é a reputação, enquanto a injúria ofende a honra subjetiva, que trata das qualidades do sujeito”, explica o advogado.

“Dizer que determinada pessoa está envolvida em algum escândalo financeiro é um tipo de difamação. Agora, se chamasse a pessoa de ladrão estaríamos diante de um exemplo de injúria”, exemplifica o advogado criminalista. Segundo Paulo, a pena para injúria pode ser de detenção de 1 a 6 meses, mais multa.


Amazonia 03 de Junho