Comoção, liderança e rendimento aquém: a Copa América de Messi até o encontro com o Brasil

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Messi não precisou de muito para arrancar lágrimas e sorrisos nesta Copa América. Para seus admiradores, pouco importa se o camisa 10 da Argentina fez apenas um gol (de pênalti) e não deu nenhuma assistência nos quatro jogos da seleção no torneio. O craque gerou comoção por onde passou desde o último dia 9, quando chegou ao Brasil.

Em Salvador, apenas um aceno de Messi foi suficiente para Uashington Lima desatar a chorar. Fã do craque a ponto de batizar o filho com o nome do argentino, ele viajou sete horas para ver o ídolo. O mesmo aconteceu no Rio de Janeiro com Daniel, que foi às lágrimas ao ver o camisa 10 por alguns segundos no ônibus da seleção.

São inúmeras as histórias do tipo nestas últimas três semanas. Messi parece hipnótico, magnético. Seja na porta do hotel ou na chegada a um treino fechado, quando o craque se aproxima todos sacam seus celulares em busca de uma foto ou vídeo, como se tentassem comprovar que, sim, ele existe, é de carne e osso e está entre nós.

No Maracanã, na última sexta-feira, o atacante teve nova atuação sem brilho na vitória por 2 a 0 sobre a Venezuela, mas mesmo assim foi ovacionado. Quando ele se aproximava da torcida para cobrar escanteio, o público entoava o seu nome e se curvava, endeusando-o.

Já internamente, na seleção, o encanto aos poucos vai sendo quebrado. Em um grupo renovado, repleto de atletas inexperientes, o craque foi conhecendo e se aproximando da maioria ao longo da competição.

– É muito bom estar com esse novo grupo, de garotos muito bons. Além do nível futebolístico, que todos conhecemos, há o caráter humano, a amizade entre eles, que se conhecem há mais tempo. É um grupo muito lindo. Nós (jogadores mais experientes) nos adaptamos a eles rapidamente – comentou o jogador do Barcelona, após a classificação à semifinal da Copa América.



Além de amigo, Messi é um líder para os mais novos. É bem verdade que, em campo, ele demonstrou abatimento em alguns dos momentos difíceis da Argentina no Brasil, como durante a derrota para a Colômbia. As cenas dele com a mão na cabeça, cabisbaixo e com o olhar perdido, foram repetidas exaustivas vezes pelas TVs para ilustrar a interminável crise da seleção alviceleste, que não conquista um título há 26 anos.

Mas a liderança de Messi é exercida de outra forma. Foi o camisa 10 um dos poucos a falar com os jornalistas na zona mista após o tropeço na estreia e quem comandou a lavagem de roupa suja no treino da véspera do segundo jogo, contra o Paraguai.

Em diversos momentos, jogadores e o técnico Lionel Scaloni exaltaram a importância do craque para o ambiente interno. Indagado sobre a falta de brilho de Messi nesta Copa América, o comandante da seleção saiu em defesa dele na última sexta-feira:

– Para nós, ele traz uma contribuição essencial em campo, e tudo que traz ao vestiário, se perguntar aos seus companheiros, seu pensamento seria diferente. Te asseguro que para nós ele tem grande contribuição.

Porém, o próprio atacante admite que está devendo na Copa América, como mostram os números:

  • Jogos: 4
  • Minutos disputados: 360
  • Gols: 1
  • Assistências: 0
  • Finalizações por jogo: 2,5
  • Dribles por jogo: 3,3
  • Faltas sofridas por jogo: 2,8

Mesmo em baixa, Messi é a principal aposta dos argentinos para superar o Brasil nesta terça, como não poderia ser diferente. Será o quinto jogo dele no Mineirão, estádio em que mais atuou pela seleção fora de seu país.

Pela 14ª vez em partidas oficiais, os brasileiros terão a oportunidade de assistir de perto a um dos maiores jogadores de todos os tempos. Resta saber se a 15ª será na Arena Corinthians, sábado, na disputa pelo terceiro lugar, ou no Maracanã, domingo, na final da Copa América.