Inteligência artificial ajuda produtor na tomada de decisões no campo

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Fotos: Vitorya Paulo
O processamento de dados em uma plataforma de inteligência artificial deve ser um dos caminhos para qualificar a tomada de decisões nas propriedades rurais. Com o aumento no uso de sensores e de captação de dados sobre solo, clima e o cultivo, cresce a busca por ferramentas que auxiliam o agricultor a enxergar cruzamento de dados diferenciados e que ajudem a antecipar ações preventivas e corrigir rotas antes que os danos à lavoura aconteçam. A tendência foi apresentada pelo executivo Watson na IBM Guilherme Araújo, durante palestra na 1ª Jornada da RTC, na sexta-feira (7/6). Ele citou o exemplo de sistemas que alimentados com um grande número de dados e “ensinados” por um profissional possam intervir com medidas corretivas ao primeiro sinal de alerta.
Isso, garante ele, não significa a exclusão do uso de técnicos a campo. O especialista defende uma parceria entre máquinas e seres humanos como forma de captar grande volume de informações de forma mais assertiva e inovar no âmbito das ideias. Até porque serão os humanos – seres dotados de empatia, dilemas e do tão valorizado feeling – os responsáveis por ensinar os sistemas. “A disrupção traz novas ideias. Hoje temos sistemas de inteligência artificial que entendem, raciocinam, aprendem e interagem com as pessoas”, detalhou. O mesmo, garante ele, pode ser feito com as plantas. Para exemplificar, citou recente pesquisa realizada em parceria com a Cargill para otimizar a colheita do cacau. “Treinamos o sistema para indicar as peças maduras, e a colheita era feita por drones. Essa automação traz uma produtividade absurda porque permite colher exatamente aquilo que precisa ser colhido”.
Araújo ainda falou sobre como os sistemas podem auxiliar na rastreabilidade dos produtos agropecuários, uma tendência em um mercado cada vez mais exigente quanto ao controle de origem e sistemas de produção. “As pessoas querem produtos com qualidade e que tenham dados sobre as práticas agrícolas utilizadas durante sua produção”, mencionou. Um dos exemplos que Araújo citou foi o sistema utilizado pela BRF e pela rede varejista Carrefour que levou apenas seis semanas para ficar pronto. O projeto rastreia a carne suína desde o nascimento do animal até a chegada da carne à gôndola e todas as informações podem ser acessadas pelo consumidor por meio de um QR Code na embalagem. “O agronegócio vai se transformar de uma forma inimaginável, e só vai existir benefícios nisso”, finalizou. O painel foi mediado pelo coordenador de pesquisa da CCGL e coordenador da Rede Técnica Cooperativa (RTC), Geomar Corassa.