Lesão de Neymar levanta debate sobre drible, e ex-jogadores, juízes e jornalistas defendem o craque

Alvo de marcadores mais implacáveis na França, Sávio faz ressalva: "Ele tem que aprender realmente a fugir de algumas situações"

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Neymar deixou Barcelona caminhando com o auxílio de muletas — Foto: Reprodução Diario SPORT

Neymar, mais uma vez, sofreu uma fratura no quinto metatarso que vai tirá-lo de combate durante longas semanas. Desta vez, o problema médico trouxe junto com ele o debate sobre o estilo de jogo do camisa 10 do PSG. Após o jogo em que ele se lesionou, Thierry Laurey e Anthony Gonçalves, técnico e jogador do Strasbourg, deram a entender que o brasileiro seria provocativo com seus dribles, e criou-se a polêmica.

Ex-atacante da Flamengo e Real Madrid, Savio passou pelo futebol francês, ao defender as cores do Berdeaux, e sofreu com as entradas mais duras ao longo da carreira. Ele entende que a Ligue 1 tem um futebol de muita marcação, por vezes desleal, e o conselho é, se possível, evitar contatos.


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“A essência e a característica principal de cada atleta. Qual é a característica principal do Neymar? É o drible. A maioria das vezes a jogada é individual”.

– É uma característica dele, mas para um adversário isso pode ser uma provocação. Então, no meu ponto de vista, evitar dribles desnecessários principalmente no meio de campo. Foi o que aconteceu basicamente nessa última contusão, não que ele tenha feito algo muito diferente. Mas como ele está visado, como é um jogador muito visado, principalmente pela característica e qualidade técnica que ele tem, ele tem que aprender realmente a fugir de algumas situações. Pode ser o início de uma certa mudança, essa característica mais vertical e mais em direção ao gol.

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Na ocasião, Neymar sofreu três entradas em um mesmo lance antes de se lesionar. Árbitro que representou o Brasil na última Copa do Mundo, Sandro Meira Ricci acredita que o problema não está no jogador.

– A gente sabe que o Neymar é um jogador que não amarela. Ele vai para o contato e, mesmo sofrendo falta ele tenta seguir na jogada, como a gente vê no lance aí. Ele sofre três faltas numa mesma jogada. Com certeza esse era um lance para cartão amarelo. Deveria ter tomado, o que não resolveria muito, porque o jogador, de fato, se lesionou.

Para jornalistas franceses habituados ao dia a dia da cobertura do PSG, o problema não está no drible de Neymar.

“O papel dos árbitros é bem claro. Proteger a integridade física dos atletas. Seja o Neymar ou qualquer outro jogador, mas às vezes eles não conseguem defender os artistas e o Neymar é um deles”, disse o jornalista Arnaud Hermant, que cobre o PSG para o “L’Equipe”.

– Existe uma diferença entre ser perseguido e não ser protegido corretamente. Não acredito que ele seja perseguido até porque os árbitros franceses têm muito respeito pelo Neymar. Até mesmo uma certa admiração as vezes – disse o jornalista Yves Leroy, que cobre o PSG para o “Le Parisien”.

Há quase um ano, Neymar teve uma fratura na mesma região que o tirou de combate por três meses. Questionado se as lesões podem ter relação entre si, o médico José Luiz Runco disse que essa possibilidade é real.

– Existem estudos que demonstram que lesões tratadas conservadoramente e cirúrgica, com todo o protocolo, a chance de rescindir é em torno de 36%. Então, isso é um percentual muito grande. E esses estudos são feitos pela União Europeia de Futebol, são trabalhos feitos com jogadores de futebol europeu, tem um grupo de trabalho muito interessante.

“E evidentemente que esse índice é muito grande, automaticamente a chance de nova lesão é real”.





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