Após a ingestão de cervejas da Backer, 14 pacientes estão internados em estado grave com intoxicação por dietilenoglicol

A informação foi dada pelo subsecretário de Estado de Saúde em coletiva nesta sexta-feira (17). Todos os pacientes têm risco de morte.

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Ministério aponta novos lotes de Belorizontina, da Backer, contaminados — Foto: Danilo Girundi/TV Globo

Quatorze pacientes intoxicados com dietilenoglicol continuam internados em estado grave, com risco de morte, informou a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), durante a entrevista coletiva na manhã desta sexta-feira (7). Segundo a pasta, todos eles ingeriram a cerveja produzida pela Backer.

Até então chamada de síndrome nefroneural pelas autoridades de saúde, os casos passam a ser denominados, a partir de agora, de intoxicação por dietilenoglicol. A denominação de “síndrome”, segundo a secretaria, era porque não se sabia o que estaria provocando quadros de insuficiência renal e alterações neurológicas nos pacientes.


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Segundo o Subsecretário de Estado de Saúde Felipe Laguardia, já são 18 casos notificados Quatro pessoas morreram. Os casos surgiram possivelmente após a ingestão de dietilenoglicol, substância tóxica que foi encontrada nas cervejas, nos tanques e na água para produção das bebidas da Backer.

A Secretaria de Estado de Saúde explicou que apenas a Polícia Civil tem a tecnologia necessária para fazer exames e confirmar com precisão se os pacientes que estão internados foram contaminados pelo dietilenoglicol. Esta seria o motivo apontado pelo órgão para a demora da confirmação dos demais casos.

“É rara a intoxicação por dietilenoglicol. A gente não sabe em relação a sequelas, evolução. Existe a possibilidade de que estes pacientes se recuperem, mas pode ser que também tenham sequelas”, disse a infectologista e diretora do Hospital Eduardo de Menezes Virgínia Antunes de Andrade.

Maior parte é homem

Dos 18 casos investigados pela Secretaria de Estado de Saúde, a maior parte é homem. O infectologista do Hospital João XXIII Adebal Filho disse que os efeitos vão variar em cada um. “Se a pessoa tiver ingerido a cerveja de barriga cheia, menor será a absorção do álcool e também do dietilenoglicol”, explicou.

Ainda de acordo com o infectologista, quanto maior a quantidade ingerida, maior risco de adoecimento;. Pacientes que já tinham alguma doença, especialmente renal ou hepático, têm mais chances de ter quadro grave. “A ingestão de outros tipos de álcool com a cerveja é o antídoto principal. Isso explica porque alguns adoeceram muito e outros não”, completou.

Sintomas

Durante a coletiva, a infectologista reforçou que os sintomas começam a apresentar nas primeiras 72 horas após a ingestão. Os primeiros sinais de intoxicação por dietilenoglicol são dores abdominais, náuseas e vômitos.

Entre os sintomas estão alterações neurológicas e insuficiência renal. O tratamento é feito no hospital, com monitoração, e tem o etanol como antídoto.

Entretanto, segundo a infectologista Virgínia, o antídoto pode reverter apenas parcialmente. “Porque não se sabe se é só do dietilenoglicol ou os metabólicos que ele produz que estão causando estes danos. O antídoto combate os efeitos do dietilenoglicol. Mas os efeitos dos metabólicos podem causar danos permanentes”.

Além do uso do antídoto, os pacientes precisam passar por hemodiálise, para retirada do organismo dietilenoglicol e dos metabólicos produzidos.

Resumo:

  • Uma força-tarefa da polícia investiga 18 notificações de pessoas contaminadas após consumir cerveja; quatro morreram;
  • Os sintomas da intoxicação incluem náusea, vômito e dor abdominal, que evoluem para insuficiência renal e alterações neurológicas;
  • O Ministério da Agricultura identificou 21 lotes de cerveja da Backer contaminados com dietileglicol, um anticongelante tóxico;
  • A Backer nega usar o dietilenoglicol na fabricação da cerveja;
  • A cervejaria foi interditada, precisou fazer recall e interromper as vendas de todos os lotes produzidos desde outubro;
  • Diretora da cervejaria disse que não sabe o que está acontecendo e pediu que clientes não consumam a cerveja

Veja lista das mortes investigadas

  • Paschoal Dermatini Filho, de 55 anos. Ele estava internado em Juiz de Fora e morreu em 7 de janeiro. A morte causada por dietilenoglicol foi confirmada
  • Antônio Márcio Quintão de Freitas, de 76 anos. Morreu no Hospital Mater Dei, em Belo Horizonte.
  • Milton Pires, de 89 anos. Morte confirmada pela SES nesta quinta-feira (16). Também morreu no Hospital Mater Dei.
  • Maria Augusta de Campos Cordeiro, de 60 anos. A morte havia sido notificada pela Secretaria Municipal de Saúde de Pompéu, mas só foi confirmada pela SES nesta quinta-feira (16).