Classificação de prioridade da Ferrogrão gera críticas em audiência pública

Fonte: CenárioMT

Ferrogrão
ANTT

A recente classificação do projeto Ferrogrão como prioridade dois, ao invés de um, pelo Ministério dos Transportes e pela Infra S.A., gerou descontentamento entre os participantes da audiência pública realizada na Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) no final de maio. O evento discutiu os planos setoriais rodoviário e ferroviário que compõem o PIT (Planejamento Integrado de Transportes). A Ferrogrão, que ligará Sinop-MT a Itaituba-PA, é vista como essencial para melhorar a logística no escoamento das produções do agronegócio de Mato Grosso e Pará.

Daniel Furlan, representante da Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais), argumentou que, tanto em termos de demanda quanto de integração, a Ferrogrão deveria ser prioridade máxima. “Estou há 47 anos no mercado e vejo com dificuldade não ver a Ferrogrão como uma prioridade”, afirmou o consultor independente Thomas Aquino.

Massimo Giavina, vice-presidente do Simefre (Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários), destacou a importância da ferrovia EF-354, que ligaria o Brasil aos portos peruanos. Nilton Prascidelli, representando o Simefre e a Abifer (Associação Brasileira da Indústria Ferroviária), lamentou a ausência de transporte de passageiros no plano inicial.

Durante a audiência, George Santoro, secretário-executivo do Ministério dos Transportes, mencionou uma lista de rodovias que poderão ser estudadas futuramente e anunciou a criação de um grupo de trabalho para desenvolver “Concessões inteligentes”, em parceria com o Banco Mundial. A iniciativa visa remodelar os projetos de concessões de rodovias, com foco em uma análise mais abrangente que inclui diferentes modais de transporte.

Santoro também explicou que o PNL (Plano Nacional de Logística) herdado do governo anterior exigiu atualização devido a dados defasados. “O Brasil tem 35 mil km de ferrovias na sua história inteira. Um plano de 20 mil km até 2035 [como estava previsto no plano tático da gestão anterior] não era viável”, afirmou.

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Julio Raimundo, diretor de infraestrutura da Fiesp, apontou a importância de considerar trechos abandonados que poderiam atrair fluxo de carga e ressaltou que o custo deve ser uma variável crítica no planejamento de longo prazo.

Gabriela Avelino, subsecretária de Fomento e Planejamento do Ministério dos Transportes, explicou que as prioridades são calculadas com base em uma série de indicadores que podem ser revisados. “Mudamos o foco da análise para priorizar benefícios, independentemente da metodologia ou forma de execução”, disse. Santoro complementou que esta abordagem visa evitar que autorizações ferroviárias, por exemplo, ocupem a primeira posição sem uma análise realista de viabilidade.

Cristiano Della Giustina, diretor de Planejamento da Infra S.A., enfatizou que todas as simulações do plano consideraram diferentes modais de transporte e que a carteira de projetos permanece aberta para inclusão de novas propostas após estudos adicionais.

É formado em Jornalismo. Possui experiência em produção textual e, atualmente, dedica-se à redação do CenárioMT produzindo conteúdo sobre política, economia e esporte regional.