Crise econômica pode ser amenizada se empresários receberem ajuda do governo e sociedade fomentar negócios locais, diz Fiemt

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Foto: José Medeiros/Gcom-MT

Os reflexos da pandemia de coronavírus podem ter impacto menor na economia se os empresários tiverem ajuda do governo grandes empresários.

“A pandemia tem início, meio e fim. A gente tem que salvar a economia porque é algo temporário. Não faz sentido deixar ninguém quebrar”, disse, disse o presidente do Sistema Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso (Fiemt), Gustavo de Oliveira, que participou nesta sexta-feira (3) de uma transmissão pela internet para debater o aspecto econômico em Mato Grosso e no país após a pandemia de coronavírus, com a participação do economista e jornalista Luís Artur Nogueira.

As expectativas de Gustavo e de Luis Artur são otimistas para o período em que o estado estará se reerguendo após os reflexos da pandemia.

Gustavo Oliveira destacou a importância de que os donos de grandes empresas ajudem os pequenos empresários e também que o governo federal abra linhas de crédito para socorrer tanto os grandes quanto os pequenos empresários, estes em especial que, segundo ele, têm mais dificuldades para obter crédito.

Luis Artur também desenhou um cenário otimista, mas destacou a importância de o governo federal socorrer imediatamente os geradores de emprego.

“Se a gente perder mais uma semana sem socorrer os geradores de emprego, essa conta vai chegar no governo federal. Além de termos os desempregados, vamos ter empresários quebrados. Prevemos enxurradas de empresários fechando as portas, muitos pedidos de recuperação judicial e gente que não vai ter como pagar as contas e colocando a culpa no coronavírus”, disse Luis Artur.

Segundo ele, a economia deve se reestabelecer no próximo semestre se houver união. “A queda existe. Estamos desabando no primeiro semestre. A queda já está ocorrendo. A recuperação será melhor, quanto mais estruturada estiver a nossa economia. Grandes empresas são importantes. Mas efetivamente, quem faz o Brasil girar são as micro, pequenas e médias empresas. Se elas morrerem não haverá nem consumidor pra consumir e não haverá como se recuperar. Precisamos ter indústrias vivas, comércio vivo e consumidor vivo. Vai ser como uma guerra. A gente vai recomeçar do zero. Não podemos deixar isso acontecer. Para a economia crescer no ano que vem a gente tem que ter um índice pequeno de empresas que morrem. A gente não pode deixar milhões de pessoas desempregadas”.

Para Gustavo, essa é a hora de aproveitar que a maioria dos empresários estão parados e negociar, ainda que seja para o segundo semestre deste ano. “Conversei com representantes de algumas instituições financeiras e percebi que um gerente que antes precisava fazer uma visita, nesse mesmo tempo ele consegue fazer quatro ou cinco ligações e resolver mais assuntos. Agora por telefone é mais rápido e isso é uma dica importante aos empresários. Não pode ouvir só um, mas vários”, disse ele.

Gustavo exemplificou dizendo que na transmissão pela internet de hoje havia muito mais pessoas do que na última reunião realizada pelo setor. “A gente tem mais gente na nossa plataforma digital do que nas reuniões presenciais”.

Para Luis Artur, a partir de maio deve haver o isolamento seletivo. De forma gradual, os governos vão liberando diversas áreas.

“Entendo perfeitamente donos de restaurantes, por exemplo, mas é ilusão achar que o governador vai assinar um decreto dizendo: restaurantes, abram a partir de hoje. O consumidor não vai. Não adianta nada. Precisamos ter um plano de saída. Empresariado precisa fazer um pacto: abril vai continuar como está, maio vai começar a melhorar e a partir de junho, de forma gradual, tudo começa a voltar ao normal, com responsabilidade”.

Gustavo Oliveira disse ainda que se reuniu com o governador Mauro Mendes e que obteve respostas animadoras para o setor da indústria e do comércio.

“O governador Mauro Mendes (DEM) disse que vai olhar com carinho para os pequenos empresários e também disse que precisa de ideias. Vocês podem utilizar nossos canais para deixar sua opinião, sua ideia, que eu me comprometo a levar até o governador. Juntos vamos superar essa crise”, disse ele.

O economista destacou a importância do agronegócio durante o processo de recuperação da economia.

“O governo federal deve tomar cuidado porque na ânsia de ajudar todo mundo, não pode esquecer do agronegócio. Uma tranquilidade para que nossa quarentena passe sem maiores estresse, é o fato de que não há desabastecimento. O Brasil deve ter um encolhimento de 2% no PIB, porque o agronegócio deve subir 1%. Tem que garantir o financiamento do agronegócio. Tem também a questão da logística. Não pode comprometer o escoamento de produção. O governo federal tem sim que ajudar estados com relação às dívidas com a união”, disse ele.

Ainda segundo o economista, há uma forte pressão para que o governo estadual abra mão do ICMS. “Temo que governadores, na ânsia de querer parecer simpáticos para a sociedade, façam o que não podem fazer. Se se der ao luxo de abrir mão do ICMS, o estado vai quebrar. Os governadores têm que pedir socorro ao governo federal”.

Luis Artur destaca que a equipe econômica deveria criar de fato uma linha através do Banco Central, uma linha cambial, e garantir oscilação do dólar versos a operação que o agricultor vai fazer. Utilizar reservas cambiais.

“O mundo não acabou. Apenas fechou temporariamente para balanço. A crise tem começo meio e fim, a partir de maio começa seletivamente. O que vem depois da pandemia. A economia no pós-crise. Vamos ter muita demanda reprimida em vários setores. Muitas transações estão sendo apenas adiada. Reforma, troca de carros, alguns setores vão conseguir recuperar”, disse.

O governo federal lançou um site onde os empresários poderão encontrar todas as medidas de auxílio. O mesmo será atualizado constantemente com as novas medidas. Confira aqui.


Amazonia 03 de Junho