O freezer ‘recheado’ com 86 celulares encontrado na Penitenciária Central do Estado, em Cuiabá, foi entregue no presídio, dias depois do retorno do detento, apontado como líder de uma facção criminosa em Mato Grosso. O preso cumpria pena em um presídio federal e foi transferido a pedido da defesa dele.

O fato foi apontado pelo Ministério Público (MP-MT) como uma ‘interessante coincidência’.

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Isso porque, o criminoso foi acomodado no mesmo raio em que outros dois detentos de alta periculosidade estão. Os mesmo seria de facções criminosas em Mato Grosso, os dois foram denunciados pelo MP por envolvimento na entrada dos aparelhos.

Além deles, foram denunciados à Justiça o ex-diretor da PCE, o ex-vice-diretor, e três policiais militares..


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Os denunciados devem responder pelos crimes de integrar, financiar, promover organização criminosa e corrupção ativa e passiva (nos casos dos agentes públicos).

G1 tenta contato com a defesa dos citados.

De acordo com o MP, a entrada dos celulares e a volta do ‘chefe supremo’ da facção gera estranheza.

“Isso demonstra que os três policiais militares, juntamente com os dois diretores da PCE, aliaram-se a esses líderes e entabularam a entrada dos celulares, para o bom proveito da facção, oportunizando a sua expansão e boa administração da atividade criminosa”, diz trecho da denúncia.

Venda de aparelhos

O grupo denunciado é investigado na Operação Assepsia, que apura o facilitamento da entrada dos aparelhos dentro da unidade prisional.

De dentro da cadeia, os detentos denunciados gerenciavam as atividades da facção fora da unidade. Para isso, segundo a denúncia, “o aparelho celular é um instrumento de extrema utilidade para um membro de facção preso”.

Os celulares dentro dos presídios são valiosos. De acordo com MP, o aparelho que pode ser comprado normalmente por R$ 700 chega a ser vendido, dentro da cadeia, por R$ 5 mil cada.

“86 celulares e demais apetrechos apreendidos, que podem ter sido adquiridos pelo mercado negro por R$ 40 a R$ 50 mil, seriam transformados em mais de R$ 450 mil”, como diz trecho da denúncia.