Leilões prometem vender carros importados pela metade do preço em pregões pela internet

Pregões online são vantajosos, mas exigem atenção dos compradores para eventuais problemas graves nos veículos

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Hamburg, Germany - July 19, 2017:

Se nas lojas ou nos revendedores de automóveis importados os preços são quase impraticáveis para a imensa maioria das pessoas, em leilões na internet é possível encontrar modelos por valores bem abaixo do mercado. Alguns veículos popularizados como sonhos de consumo não apenas pelas tecnologias empregadas na fabricação, pela marca ou pela beleza estética, ocupam esse lugar também pelos valores altos para tê-los.

Em agosto, o publicitário paulistano Felipe Palme arrematou um GM Camaro por R$ 100 mil. De acordo com o Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), que regula a tabela de preços de veículos no país, uma versão igual à dele na loja custa R$ 130 mil. O mesmo aconteceu com o empresário Kelve Warjügen, que comprou uma BMW Sedan pagando cerca de R$ 60 mil reais. Pela tabela Fipe, o valor real do carro supera os R$ 110 mil.


Ao contrário da maioria dos veículos de leilão, o veículo não tinha nenhum dano. “O primeiro proprietário perdeu o carro para o banco”, conta ele. Nesses casos, os valores não caem tanto, porque a mercadoria ainda possui valor de mercado razoável. “O banco fez valer o contrato e o tomou para si”, conta não sem certa simpatia para com o antigo dono. O veículo foi vendido ainda em primeira praça pelo leilão de Curitiba da Sodré Santoro, uma das grandes leiloeiras do país.

Situação diferente do comerciante goiano Carlos Marques: no final do ano passado, ele comprou uma BMW 550i produzida em 2011 por R$ 36 mil. Na tabela Fipe, o veículo vale R$ 93 mil – mais do que o dobro do preço. No caso dele, porém, o veículo estava batido na parte dianteira. Os valores de recuperação podem aumentar o preço final para até R$ 80 mil, o que ainda representa uma economia de R$ 13 mil reais.

Ele, no entanto, está satisfeito. “O chassi foi preservado, assim como todos os equipamentos internos, o câmbio. Vou gastar dinheiro com a funilaria, alguma coisa do motor e a direção, essa sim que vai ser cara”, comenta. Ele calcula que, com os custos para arrumar o carro, ainda economizará cerca de R$ 15 mil.

Há casos em que os compradores são revendedores de peças, o que faz com que os lucros sejam maiores. Veículos como um Subaru Impreza 2011 que capotou em uma rodovia de São Paulo são vendidos no leilão por R$ 6.500. As lojas revendem pedaços do veículo posteriormente, como rodas, pneus, portas, equipamentos eletrônicos e partes do motor – todas que também são caras em revendedores oficiais.

Para o advogado Milad Kalume, que trabalha como gerente de negócios em uma consultoria financeira, o maior risco ao comprar um veículo de leilão é a falta de verificação do estado dele. Por isso, é fundamental que o cliente agende um horário para visitá-lo antes de comprar. “Normalmente, os veículos provenientes de leilão são bens em estado ruim de conservação e exigem certo investimento para deixá-los em ordem”, explica. Há casos em que alguns compradores chegaram a ter prejuízos.

Segundo a Fenabrave, federação de concessionárias operando no país, a alta nas vendas de carros no Brasil foi de 9,23% em 2017 em comparação com o ano anterior. Nesse meio tempo, porém, os leilões de veículos se tornaram uma opção para adquirir um veículo por um preço mais em conta.

Segundo estudos, os leilões podem permitir uma economia de até 35% na compra de um carro em relação ao seu preço médio de mercado. Eles costumam ser mais baratos porque são retomados por inadimplência dos antigos donos, apreendidos em operações policiais, por substituição de frotas de empresas ou são colocados à venda por seguradoras e concessionárias.

No entanto, é preciso tomar alguns cuidados extras antes de se aventurar na compra do veículo usado por meio dos leilões. Segundo o diretor da Sodré Santoro, Flávio Santoro, uma das dicas é frequentar alguns pregões para observar as dinâmicas das negociações.

“Tem um tipo de venda muito diferente do mercado comum acontecendo ali. É preciso ter conhecimento de chassis, peças aproveitáveis, dos contratos que são feitos. Não é nada difícil, mas exige saber alguma coisa”, afirma.

Ele ainda alerta que, no momento da primeira negociação como comprador, é melhor que o dinheiro já esteja separado para sacramentar a venda. No pregão, mesmo na internet, as empresas pedem um cheque caução para, no máximo, 24 horas.

Outra dica é verificar a procedência do leiloeiro, ainda mais nos casos em que as transações são feitas pela internet. “Existem muitas empresas que promovem pregões, mas que não são registradas pelo Estado. Antes de qualquer negociação, é preciso que se verifique a procedência da leiloeira, seu número de registro e mesmo aquelas avaliações que os aplicativos e buscadores disponibilizam hoje”, avisa Santoro.

Os futuros compradores também devem verificar o preço de mercado do veículo pretendido, assim como o seu histórico e as condições de compra, que são todos divulgados pelos leiloeiros na própria internet. A tabela de preços mais confiável é a da Fipe.

“É preciso tomar muito cuidado com custos ocultos no edital. Às vezes, você acha que o carro está barato, mas depois percebe que havia R$ 15 mil de multas e você não leu”, alertou o engenheiro civil Giuliano Tognetti em entrevista à revista Exame.

Para Renato Tognetti, que mantém o blog “Lucrando com Leilões”, outro momento crucial de uma venda em leilão é a visita ao carro desejado antes de sacramentar o negócio. “É na visita de vistoria que analisamos alguns itens que podem dar problema. Por exemplo, se as portas estão alinhadas e como está o motor. Também olhamos a tonalidade da pintura, que pode mostrar que alguma peça já foi trocada ou que houve repintura”, diz ele.

Na hora de calcular os valores a serem despendidos, é preciso considerar, além do valor do arremate, os custos referentes a impostos, documentação, manutenção e comissão do leiloeiro. O automóvel também pode possuir outros débitos e pendências (como multa, IPVA atrasado etc.) a serem quitados para a sua regularização, o que deve ser feito pelo leiloeiro com o dinheiro do arremate, de acordo com o artigo 328 do Código de Trânsito Brasileiro. Todos esses gastos devem ser considerados no momento da definição do valor máximo do seu lance.

Com essas informações em mãos, inclusive o valor máximo do lance que está disposto a oferecer, o comprador tem todas as condições de realizar um bom negócio no mercado de leilões.

Seguidas as precauções, os leilões são formas de negócio extremamente seguras para a aquisição de um carro usado. Nesse sentido, de acordo com alguns blogueiros especializados no assunto, toda a burocracia envolvida na realização de um negócio por meio de leilão também pode ser vista como uma espécie de proteção em relação aos enganos e fraudes. Situações ainda bastante comuns no mercado de compra e venda de carros usados.

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