29.2 C
Lucas do Rio Verde
terça-feira, 07 dezembro, 2021
InícioMUNDOINTERNACIONALVenezuela: crise e descrença marcam eleições deste domingo

Venezuela: crise e descrença marcam eleições deste domingo

Por R7

Oferta de água encanada e energia elétrica ininterrupta, entrega de remédios e a abertura de casas de câmbio que possam dar troco em notas de menor valor da moeda americana. As promessas de campanha para a eleição na Venezuela parecem saídas de um filme de ficção para quem está no século 21.

Entre indignação e piadas com as ofertas dos candidatos, os venezuelanos, desanimados com a política, lutando contra a Covid-19 e imersos na luta pelo ganha-pão, vão sem fôlego às urnas neste domingo para eleger 23 governadores, 335 prefeitos e membros do conselho legislativo e dos conselhos municipais.


--Continua depois da publicidade--

“Quando é a eleição?”, questionou uma mulher ao ser abordada pela reportagem do R7. Em seguida, explicou que tem muitas preocupações, sobretudo para conseguir comprar comida, e que para ela votar não é prioritário.

De acordo com o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), pouco mais de 28 milhões de venezuelanos estão registrados para ir às urnas nestas eleições. Em um país onde votar não é obrigatório, a tendência é que neste domingo a abstenção seja alta.

“O eleitorado está cansado, frustrado e incrédulo tanto com o que diz o governo como com o que diz a oposição. Ele sente que sua capacidade de defesa eleitoral foi reduzida a quase nada. Faça o que fizer, as atuais condições de vida continuarão. O venezuelano vive a síndrome da desesperança aprendida”, descreve o psicólogo social Leoncio Barrios.

Pela primeira vez em muitos anos a arquiteta Josefina não vai votar. Está decepcionada. “Sempre votei e desta vez prefiro usar meu tempo fazendo outra coisa. A oposição falhou muito e nem sequer se desculpou. Já o governo é respaldado por Rússia, China e Irã, além de ser muito hábil nas manobras. As eleições aqui funcionam para fazer uma maquiagem de que este é um país democrático, coisa que não é”, desabafou.

Ela, que não quis informar o sobrenome por temer algum tipo de perseguição, cita o empobrecimento da população, perceptível nas ruas da capital.

“Este é um país de corruptos, tanto pelo lado do governo como da oposição. Ao longo de tantos anos não fizeram nada, e agora temos crianças, idosos, adultos de todas as idades na miséria, comendo do lixo”, cita, ao apontar um grupo de menores de idade mendigando.


--Continua depois da publicidade--

A pobreza extrema afeta 76,6% da população, de acordo com a Pesquisa de Condição de Vida (Encovi, na sigla em espanhol) divulgada em outubro deste ano por uma das principais universidades da Venezuela.

A maioria das respostas dos entrevistados sobre o que esperar destas eleições foi “nada”. Outros afirmaram querer “mudança”.

Moradora de Petare, a maior favela da América Latina, a faxineira María López vai votar porque quer uma melhoria nos serviços básicos.

“Há quinze dias não tenho água em casa. Não há energia durante quase todo o dia. Comprar gás é um suplício, além de muito caro. Não há transporte público suficiente. Isso aqui é um caos. Vou votar esperando uma mudança, mas não estou segura de que isso realmente aconteça.”

As campanhas eleitorais deste ano refletem o empobrecimento do país. Antes eram suntuosas com grandes comícios e a distribuição de muito material publicitário. Agora se resumem a parcos comícios e muitos carros de som, com músicas repetitivas, convidando a votar em tal candidato. Mas nem mesmo o barulho dos jingles das campanhas consegue tirar o cidadão do transe dos problemas básicos.

Desempregada, Andrea Rodríguez tem 20 anos e questiona se vale a pena ir às urnas neste domingo.

“Para que votar se vai ficar tudo igual? Essa não é a mesma Venezuela de antes”, diz Andrea. “Agora eu não consigo trabalho. Quando encontro, querem me pagar 20 dólares por mês, e isso não dá para nada. Vivo mal, como mal.”

Mudança de estratégia


--Continua depois da publicidade--

Uma das particularidades desta corrida eleitoral é a mudança na estratégia eleitoral do chavismo, e a falta de pulso dos candidatos da oposição.

Os aspirantes a cargos públicos do partido do governo fazem campanha em lugares humildes, mas pouco têm contato com os cidadãos. Entram com seus grupos e saem rápido, sem escutar as mazelas do povo.

Já os aspirantes da oposição praticamente não conseguem entrar nesses espaços, geralmente comandados pelos coletivos — os paramilitares que defendem a revolução.

“Alguns candidatos opositores foram aonde moro, em La Vega [comunidade do oeste de Caracas], mas acabaram sendo agredidos e foram embora. Não espero nada da política”, explicou o eletricista Enrique Molina.


--Continua depois da publicidade--

Embora não sejam candidatos neste pleito, tanto Nicolás Maduro como o político opositor Henrique Capriles Radonsky enviaram mensagens aos eleitores na última sexta-feira (19).
Capriles destacou a mudança na estratégia do partido do governo na tentativa de reconquistar o eleitor. “Perceberam que Nicolás Maduro não aparece na publicidade de nenhum dos candidatos do PSUV?”

Rebeca Moraeshttps://www.cenariomt.com.br
Redatora do portal CenárioMT, escreve diariamente as principais notícias que movimentam o cotidiano das cidades de Mato Grosso.

Redes sociais

107,348FãsCurtir
17,057SeguidoresSeguir
2,098SeguidoresSeguir

Lucas do Rio Verde

MEDIDA EMERGENCIAL
Barreiras de contenção de água são removidas para reduzir alagamento da BR 163 em Lucas
dezembro 07, 2021
PROGRAMA CASA VERDE E AMARELA
Projeto que viabiliza construção de 1,5 mil imóveis por meio de programa social em Lucas é aprovado
dezembro 07, 2021
Lucas do Rio Verde
Servidor Público morre após queda de telhado em Lucas do Rio Verde
dezembro 07, 2021
Lucas do Rio Verde
Material lúdico educativo é fornecido ao CAPS e CAM de Lucas do Rio Verde
dezembro 07, 2021