Cerca de nove mil indígenas devem ser atendidos pela Missão Xavante que ocorre essa semana em aldeias do Mato Grosso. A operação integrada dos ministérios da Saúde e da Defesa leva assistência médica e materiais de saúde para a prevenção e o combate ao novo coronavírus. Os militares que integram a missão embarcaram nesta segunda-feira (27), levando na bagagem medicamentos, equipamentos de proteção individual e testes para a Covid-19.

Inciativas desse tipo têm sido comuns desde que as Forças Armadas deram início à Operação Covid-19, em 20 de março. E contam com o apoio da Fundação Nacional do Índio (Funai). Já foram feitas operações em regiões como a Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, e em São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas.

Outro exemplo, é a Missão Tiriós que ocorreu entre os dias 18 e 20 de julho. Indígenas de etnias como Tiriyó e Kaxuyana, no estado do Pará, e em uma pequena faixa no estado do Amapá receberam mais de 700 atendimentos de saúde e foram distribuídas seis toneladas de cestas básicas.

“No caso especial dos indígenas, mais de 200 operações já foram feitas. As Forças Armada estão muito engajadas juntamente com a Secretaria Especial de Saúde Indígena do Ministério da Saúde, num esforço conjunto. Participação da Funai, também. Ou seja, todos os órgãos que são dedicados à saúde indígena estão comprometidos com isso e o Brasil está cuidando dos seus indígenas”, disse o porta-voz do Ministério da Defesa, Almirante Carlos Chagas.

Levar o atendimento até as aldeias evita o deslocamento para as cidades e assim reduz o risco de contágio dos indígenas. Para o líder indígena da etnia Tuxaua Yanomami, Júlio Goes, a mobilização para levar os profissionais de saúde até as aldeias é um reforço necessário ao enfrentamento da doença. “Porque essa doença jamais a gente enfrentou e agora estamos enfrentando. Mas vocês, tudo junto, nós estamos vencendo, vamos vencer. E isso nos deixa feliz e muito confiante no trabalho dos médicos que está atendendo a gente aqui”, disse Júlio Goes.

Ações conjuntas de enfrentamento

A atenção à saúde dos indígenas tem sido uma preocupação do governo durante a pandemia do novo coronavírus. Neste mês de julho, o presidente Jair Bolsonaro sancionou uma lei que traz medidas de proteção social para prevenção do contágio e da disseminação da doença nos territórios indígenas.

A lei cria o Plano Emergencial para Enfrentamento à Covid-19 nos Territórios Indígenas. O objetivo é proteger comunidades indígenas, quilombolas, pescadores artesanais e povos tradicionais durante o período da pandemia.

“O plano é importante porque ele abarca vários segmentos como a garantia da segurança alimentar, a transferência de renda para os povos indígenas, também foca em ações de saúde, bloqueios sanitários e a garantia dos direitos sociais e territoriais dos povos indígenas brasileiros”, disse a secretária nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Sandra Terena.

“Nesse sentido coube ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos a aquisição de 308 mil cestas básicas que visam assegurar a garantia de segurança alimentar para mais de 154 mil famílias indígenas”, afirmou Sanda Terena.

Além das missões conjuntas em territórios indígenas, o Ministério da Saúde ainda desenvolve estratégias que incluem reforço médico em todos os 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI) e o investimento de R$ 1,1 milhão em pesquisas com foco no enfrentamento da Covid-19 na população indígena e a distribuição de medicamentos e insumos médicos. A assistência aos povos indígenas abrange também a capacitação de Agentes de Saúde Indígenas em tempos de pandemia da Covid-19.