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MP de SP denuncia 4 PMs e 3 GCMs pelo assassinato de universitário durante perseguição em 2016

Por G1 SP

Ministério Público (MP) denunciou na segunda-feira (1º) quatro policiais militares de São Paulo e três guardas-civis municipais de São Caetano do Sul, na região metropolitana, pelo assassinato do universitário Júlio César Alves Espinoza em 2016, na capital.

Ele tinha 24 anos e morreu baleado na cabeça após os sete agentes atirarem contra seu carro durante perseguição que começou na Zona Sul e terminou na Zona Leste. O motorista havia desobedecido a ordem para parar o veículo e fugiu. Em sua defesa, os denunciados alegam ter atirado no automóvel para revidar tiros dados pelo estudante.


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Mas o Ministério Público não acreditou nessa versão e acusou os agentes da Polícia Militar (PM) e da Guarda Civil Municipal (GCM) de executarem Júlio a tiros. Segundo uma testemunha que disse ter visto o crime, o universitário estava desarmado e a arma que apreenderam com ele foi “plantada” (colocada ilegalmente) pelos policiais para simular uma troca de tiros que, na verdade, nunca ocorreu.

Por esse motivo, o MP acusou os sete agentes por homicídio doloso qualificado por motivo torpe, com recurso que dificultou a defesa da vítima. Além da acusação de que tiveram a intenção de matar, eles também foram denunciados por fraude processual porque alteraram a cena do crime, segundo a Promotoria.

Todos os agentes respondem em liberdade ao processo, mas estão afastados das ruas, cumprindo trabalhos internos na PM e na GCM. Eles negam as acusações e insistem na tese de legítima defesa.

Até a última atualização desta reportagem a Justiça não havia aceitado a denúncia. Se aceitar, os agentes se tornarão réus no processo.


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Além deles, outros sete agentes foram indiciados pela Polícia Civil também por fraude processual no caso do assassinato de Júlio. São seis agentes da PM de São Paulo e um integrante da GCM de São Caetano.

Como eles não atiraram contra Júlio, o MP não os denunciou ainda e pediu o desmembramento do processo. Vai aguardar informações dos inquéritos contra eles, feitos pelas corregedorias da PM e da GCM, para depois decidir o que fará.

Como foi o crime

De acordo com a acusação feita pelo Ministério Público, policiais e guardas deram ao menos 16 tiros no carro que Júlio guiava na noite de 27 de junho de 2016Nove tiros teriam sido feitos pelos PMs e sete pelos GMs, que davam apoio à Polícia Militar. Júlio teria atirado três vezes, segundo os agentes. O veiculo dele ficou com 19 perfurações.

Ao menos um dos disparos feitos pelos agentes atingiu a cabeça do motorista. Socorrido ao hospital, ele teve a morte cerebral confirmada no dia seguinte, em 28 de junho. A família doou os órgãos. Nenhum policial ou guarda ficou ferido e nenhuma viatura foi baleada.

Filho de um boliviano que vive há 40 anos no Brasil, Júlio cursava faculdade de Tecnologia em Logística na Uninove da Vila Prudente, na Zona Leste, e era torcedor do Palmeiras.

Ele não tinha passagem pela polícia. Em toda a sua vida, só entrou uma vez na delegacia: para registrar um boletim de ocorrência por roubo dos seus documentos.

Ao todo, 14 agentes (dez PMs e quatro guardas) em sete viaturas (cinco da PM e duas da GCM) participaram da perseguição ao Volskwagen Gol, que Júlio havia emprestado do pai.

Apesar de não haver queixa de roubo ao veículo, dois PMs decidiram pará-lo por suspeitar do automóvel. O estudante, que estava sozinho no carro, desobedeceu a ordem policial e acelerou. Segundo os agentes, o veículo chegou a trafegar a uma velocidade de “aproximadamente 120 km/h”.

De acordo com familiares, Júlio fugiu da abordagem porque o automóvel estava com R$ 510 em multas atrasadas por furar o rodízio municipal. E ele não queria levar uma nova multa ou ter o veículo apreendido pelos policiais. Na noite em que foi baleado, o universitário voltava de um bico de trabalho como garçom justamente para poder pagar essas dívidas.

Segundo os agentes, Júlio levava uma porção de cocaína no carro. A droga foi encontrada depois que ele foi morto. Exame toxicológico confirmou a presença dela no organismo do motorista.

Câmeras de segurança não gravaram a perseguição que, segundo o Ministério Público, começou no cruzamento das ruas Auriverde com a Aída, no Ipiranga, na Zona Sul em São Paulo.

Depois, seguiu pelas avenidas Guido Aliberti, em São Caetano, e do Estado, na Zona Leste da capital. E terminou nessa região, no cruzamento das ruas Guaramiranga com a Forte de São Bartolomeu, na Vila Prudente.

Durante a fuga, Júlio dirigiu pela contramão para escapar dos disparos feitos pelos agentes. E chegou a bater o veículo contra uma mureta. Duas viaturas também colidiram uma na outra na perseguição.

Quando o Gol parou, os agentes disseram ter visto um clarão e ouvido estampido dentro do veículo e, em seguida, revidaram.

Segundo os policiais e guardas, Júlio usava um revólver calibre 38 com numeração raspada. A arma também foi apreendida. Os agentes tinham registrado o caso no 56º Distrito Policial (DP), Vila Alpina, como “desobediência, resistência, disparo de arma de fogo, homicídio decorrente de oposição a intervenção policial e porte ilegal de arma de fogo”.


Dayelle Ribeirohttps://www.cenariomt.com.br
Redatora do portal CenárioMT
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