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domingo, 09 maio, 2021
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Mato Grosso do Sul: Com parceria da Agepen, detentas de MS encontram oportunidade de ressocialização na reciclagem de eletrônicos

Por Redação CenárioMT

Reeducandas em regime semiaberto e aberto de Campo Grande têm atuado na reciclagem de materiais eletrônicos. O trabalho é resultado de parceria de convênio firmado há dois anos entre a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) e a Associação de Recicladores de Lixo Eletroeletrônicos de Mato Grosso do Sul (Recic.le). A iniciativa garante pagamento de um salário mínimo e remição de um dia na pena a cada três de serviços prestados, conforme estabelece a legislação.

O trabalho consiste na desmontagem de equipamentos como geladeira, fogão, televisão, computador, secador de cabelo, micro-ondas, eletrodomésticos em geral. As mulheres realizam a separação de todos os componentes como plástico, ferro, vidro, alumínio, cobre e fio. Os materiais são encaminhados para as fábricas reutilizarem, na grande maioria para outros estados. Ao todo, elas já atuaram na reciclagem de mais de 350 toneladas de lixo eletrônico.


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De acordo com o diretor da Recic.le, Edilson Paulon, a experiência com a contratação da mão de obra prisional tem sido muito positiva. A empresa decidiu firmar parceria após conhecer melhor como funciona a utilização da mão de obra prisional em Mato Grosso do Sul, após o lançamento da Cartilha de Trabalho Prisional, realizada pela agência penitenciária na Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL).

“Estamos bem satisfeitos, elas demonstram empenho, temos algumas que progrediram do semiaberto para o aberto e continuam conosco. A maior satisfação é que conseguimos ver que essas mulheres estão buscando uma nova realidade para a vida delas, muitas voltaram a sonhar, fazer projetos e estão conseguindo resgatar valores que se perderam durante a trajetória delas”, destacou Edilson.

A associação é responsável pelo transporte das reeducandas, bem como, o oferecimento de alimentação necessária, uniformes reforçados, além dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), essenciais para um trabalho seguro e responsável.

A associação também possui dois técnicos especializados e é a única responsável por coletar resíduos eletrônicos em diversos locais do estado. Dentre os órgãos já atendidos está a Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Receita Federal, Inmetro, Tribunal Regional do Trabalho e Eleitoral, entre outros.


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Conforme Edilson, além da remuneração a associação também apoia as internas em outros sentidos, como por exemplo, oferecendo suporte emocional e até material. “Ajudamos com o que temos disponível, seja um móvel, eletrodoméstico ou material de construção para que elas tenham um lar próprio”, conta.

É o caso da reeducanda Maria Abadia de Souza Silva, de 43 anos. Agora em regime aberto e com oito filhos para sustentar, os trabalhadores se uniram para ajudá-la.

“Esse trabalho tem me incentivado ainda mais a continuar nesse caminho, se eu não tivesse trabalhando nem sei como eu estaria hoje, agora estou daqui para melhor e quero servir de exemplo para meus filhos e netos”, desabafa Maria.

Projeção

No final do ano passado, a organização conquistou o Selo Nacional de Responsabilidade Social pelo Trabalho no Sistema Prisional – Resgata, concedido pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio do Departamento Penitenciário Nacional (Depen).

Além do reconhecimento social, a certificação garante maior credibilidade e visibilidade nacional às empresas e organizações que ocupam mão de obra carcerária e de egressos do sistema prisional.

A meta da Recic.le é ampliar a contratação para 12 trabalhadoras, para atender a demanda de novas parcerias que estão em andamento.

Além disso, existem tratativas com a Alemanha para aquisição de ferramentas e maquinários que auxiliarão no desenvolvimento das atividades, proporcionando maior economicidade nos serviços. “E o Selo Resgata vai contribuir, consideravelmente, para fechar essa parceria”, é o que garante o diretor.

Segundo Edilson, a meta é separar e moer os plásticos no próprio galpão e firmar parcerias com todas as prefeituras do estado para o recolhimento dos materiais eletrônicos, a partir das tratativas já em andamento com o Tribunal de Contas Estadual, “então tem bastante projeto e muito trabalho pela frente”, finaliza.

As ações que oportunizam ocupação produtiva a reeducandos do estado são coordenadas pela Diretoria de Assistência Penitenciária, por meio da Divisão de Trabalho Prisional.

O diretor-presidente da Agepen, Aud de Oliveira Chaves, ressalta que a ocupação produtiva aos apenados contribui na construção da cidadania e de uma nova identidade à pessoa presa.

“Hoje temos firmadas 185 parcerias com empresas privadas e organizações públicas, que garantem trabalho há mais de 35% de toda a massa carcerária. Nossa intenção é sempre estar buscando novas contratações, que refletem na reinserção social de forma efetiva, ao mesmo tempo em que diminui custos para o empregador”, conclui.

Texto e fotos: Tatyane Santinoni


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