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quinta-feira, 29 outubro, 2020
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Jovem com sintomas de Covid-19 acusa médico de assédio em SP

Por G1

Uma recepcionista de 29 anos denunciou um caso de importunação sexual sofrida durante uma consulta médica em São Vicente, no litoral de São Paulo, após ela apresentar sintomas do novo coronavírus. De acordo com a prefeitura, o médico suspeito foi afastado após as denúncias.

Nesta terça-feira (11), a paciente contou que, após sentir sintomas relacionados à Covid-19, procurou atendimento médico no Centro de Controle de Coronavírus. No local, foi atendida por um médico que passou a perguntar sobre os passatempos dela.

Segundo a recepcionista, o profissional afirmou que ela não sofria de Covid-19, mas sim que ela estava sob estresse. “Ele começou a falar que eu precisava relaxar e perguntou o que eu fazia para desestressar. Achei aquilo estranho, mas continuei respondendo”, relata.

“Falei que deixei de fazer o que gostava por causa da pandemia, como ir à praia, e ele falou que eu precisava desestressar. Me mandou fazer um raio-X, fiz o exame e, quando voltei, a porta já estava entreaberta, quase encostada, e ele falou que eu não tinha nada, só estresse”, afirma Vivian.

A vítima conta que, nesse momento, ouviu do especialista que, “para desestressar, precisava de três coisas: oportunidade, vontade e coragem”, e que aí percebeu a intenção do médico. “Ele começou a falar em um tom de voz mais baixo”.

“Ele me disse: ‘uma dessas três coisas te falta: a oportunidade você tem agora, o que te falta, coragem ou vontade?’. Nessa hora, ele levantou da mesa dele e parou na minha frente, perguntando se eu não tinha coragem, e que era só fechar a porta. Ele também perguntou se eu não tinha vontade de calor humano, um abraço, que me desestressava”, desabafa.

Segundo Vivian, assim que o médico se aproximou, ela se levantou e saiu do consultório, mas ainda conseguiu ouvir o médico afirmando que ela ‘precisava desestressar’. A recepcionista chegou a pensar em ir embora, mas voltou para dentro do hospital e denunciou o caso à direção da unidade.

Após a denúncia à administração, a vítima foi orientada pela equipe do centro médico a registrar a ocorrência junto à Polícia Civil. O caso é investigado como crime de importunação sexual na Delegacia de Defesa da Mulher de São Vicente.

“É uma sensação de medo. A gente não tem forças para reagir àquilo. Não quero que outras pessoas passem por situação igual ou pior à que eu passei, e eu acho que ele vai continuar fazendo se não for parado. Nunca esperei passar por isso em um hospital, com uma pessoa que está ali para cuidar da gente”, finaliza.



Dayelle Ribeirohttps://www.cenariomt.com.br
Redatora do portal CenárioMT
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