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terça-feira, 02 março, 2021
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Deputado é suspeito de usar assessores para reformar casa da família

Por CENÁRIOMT COM INF. RBS TV

O deputado estadual do Rio Grande do Sul Ruy Irigaray (PSL) é suspeito de utilizar funcionários do gabinete, em horário de expediente, para realizar atividades que não estão vinculadas ao trabalho como assessor. Entre elas, reformar a casa da sogra, localizada de frente para o Rio Guaíba, na Zona Sul de Porto Alegre, e cuidar as filhas do casal.

As declarações ao Ministério Público do Rio Grande do Sul foram feitas por Cristina Nebas, ex-servidora, e uma assessora, que não quis se identificar. O caso, que está em sigilo, será apurado pelo promotor de Justiça Flávio Duarte. Na terça-feira (9), as duas prestaram depoimento.


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A reportagem produzida pela RBS TV foi apresentada no programa Fantástico, da Rede Globo, neste domingo (14). O deputado foi ouvido e respondeu às acusações.

“Ela [Cristina Nebas] se prontificou para fazer esse tipo de atividade. E outra coisa, ela recebeu por isso, tá? Inclusive, se eu não me engano, ela ganhava R$ 100 cada vez que ela pegava e levava as meninas, quando a minha esposa fez uma cirurgia”, disse.

Em nota, o MP informou que “busca o esclarecimento de todo e qualquer fato, para que sejam tomadas as medidas legais cabíveis, caso haja a comprovação de ilícitos.”

De babá a operário

Uma série de vídeos, fotos e mensagens de WhatsApp mostram, ainda, que uma das mulheres trabalhou como babá e até empregada doméstica da família do parlamentar, enquanto deveria estar à serviço do gabinete.

Uma residência de 400m², avaliada em R$ 2 milhões, no Bairro Ipanema, na Capital, tem sido utilizada, desde abril do ano passado, como uma espécie de escritório do deputado. Em vez de trabalhar de suas casas, como orientou o parlamento, os servidores comissionados foram remanejados para o imóvel.


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Conforme o relato da ex-assessora Cristina Nebas, a casa chegou a abrigar 15 servidores de Ruy Irigaray, que se dividiam entre realizar as tarefas do gabinete e executar uma série de serviços no imóvel, como troca de piso, reformas de banheiros e pinturas, como mostram os vídeos de celular gravados por Cristina.

Os salários dos servidores pagos com dinheiro público oscilam de R$ 2,7 mil até R$ 9 mil.

“Alguns assessores entraram para fazer exclusivamente a reforma da casa. Ele contrata pessoas pagas por nós, pra fazer esse tipo de trabalho. Enquanto nós deveríamos estar fazendo, todos os assessores, um trabalho para a sociedade gaúcha”, diz Cristina.

Tudo foi filmado e fotografado pela ex-assessora com um celular. A autenticidade dos registros do aparelho, que revelam datas e horário das filmagens, bem como o mapa onde foram realizadas, foi atestada à reportagem pelo especialista em tecnologia Ronaldo Prass.

Cristina diz que ela e outros assessores também tinham que arrumar a casa, executar serviços de limpeza e até limpar as fezes deixadas pelo cão da família, como revelam as imagens.

“Ela chegava 7h30 da manhã e fazia toda a limpeza. Lavava, recolhia o cocô dos cachorros”, contou ao MP a assessora.

Cristina Nebas, que ocupa cargo comissionado na Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo, por indicação de Ruy, também afirma que cuidava das duas filhas do político, que eram levadas para aula de inglês em Gravataí e partida de beach tênis, em Porto Alegre. Ela também acompanhava as meninas em passeios e idas a lanchonetes, tudo em horário de expediente. Ela recebia as orientações da esposa do deputado, Laura Irigaray, através de mensagens de WhatsApp, cuja autenticidade também foi aferida pela reportagem da RBS TV.

O aplicativo também era utilizado para prestar contas de cada atividade paralela que desempenhava. Pelas fotos e textos, Cristina mantinha o casal informado das rotinas da casa e dos roteiros das filhas. Até a arrumação das roupas no armário era informada.

“Passei mal ontem. Passei o dia em casa dormindo. Aquele tapete persa ali, que tá enrolado, pede pra abrir nesse corredor comprido”, orientou Laura Irigaray, a esposa do deputado, em um áudio.

Em outra mensagem, ela sugere que um assessor, identificado como Pedro, leve o cão da família ao veterinário.

Pedro é um assessor que, na época, era contratado da Assembleia Legislativa do RS com salário de mais de R$ 8 mil e que aparece em várias fotos e vídeos realizando reformas da casa da sogra do parlamentar, em horário de expediente. Procurado pela reportagem, ele negou que tivesse trabalhado na residência.

O advogado José Luiz Blaszak, especialista em direito administrativo, vê nas práticas possível ato de improbidade administrativa e crimes contra a administração pública.

“O uso de pessoal do gabinete não pode jamais confundir-se com funções particulares,. Fazer serviços que são de cunho particular, isso jamais um funcionário de gabinete parlamentar poderá estar desempenhando”, avalia.

Nota do MP

 

O Ministério Público do Rio Grande do Sul informa que, na data de 09 de fevereiro, duas pessoas compareceram à Promotoria Especializada Criminal de Porto Alegre onde, de forma espontânea, prestaram declarações em que noticiaram o que em tese pode se configurar como possíveis atos de improbidade administrativa, que importariam enriquecimento ilícito, causariam prejuízo ao erário e atentariam contra os princípios da Administração Pública pelo deputado Ruy Irigaray Junior e assessores parlamentares a ele vinculados.

O expediente, que está em sigilo, foi recebido posteriormente pela Procuradoria Geral de Justiça e encaminhado à Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, que tem atribuição para investigar atos de improbidade administrativa.

Para a apuração pelo prisma penal, foi designado o promotor de Justiça Flávio Duarte, que realizou o atendimento inicial na Promotoria de Justiça Especializada Criminal de Porto Alegre, para acompanhamento do expediente, para o caso de eventual constatação de conduta tipificada como crime.

Dessa forma, o Ministério Público do Rio Grande do Sul busca o esclarecimento de todo e qualquer fato, para que sejam tomadas as medidas legais cabíveis, caso haja a comprovação de ilícitos.



Dayelle Ribeirohttps://www.cenariomt.com.br
Redatora do portal CenárioMT
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