31.2 C
Lucas do Rio Verde
terça-feira, 27 julho, 2021
InícioMUNDOBrasil se recusou a comprar mais vacinas do Covax, mesmo com reembolso...

Brasil se recusou a comprar mais vacinas do Covax, mesmo com reembolso se desistisse, mostra documento

Por Jornal Nacional

Um documento entregue à CPI da Covid mostra que o governo federal deixou de comprar mais vacinas do consórcio da OMS, o Covax, mesmo sabendo que haveria reembolso em caso de desistência.

O Brasil fechou contrato com o consórcio internacional Covax Facility em setembro do ano passado. Tinha duas opções de compra: 42 milhões de doses, que são suficientes para vacinar 10% da população, ou doses para 50% da população. O governo escolheu a opção com oferta menor.


--Continua depois da publicidade--

O contrato foi tema dos depoimentos do ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo e do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuelloresponsável pela compra. Pazuello disse que escolheu o pacote menor para não comprometer recursos federais, já que o pagamento foi feito antes da entrega das vacinas.

Mas um novo documento entregue à CPI e que a TV Globo teve acesso mostra que o argumento é falho. A informação está em uma correspondência trocada entre o Itamaraty e a embaixada do Brasil na ONU e revela que, em julho do ano passado, a Aliança Mundial para Vacinas e Imunização, a Gavi, informou ao governo brasileiro que o país seria ressarcido caso desistisse de comprar as vacinas do consórcio

No documento, os diplomatas brasileiros disseram: “No pior cenário possível, em que não se chegue à vacina em prazo razoável, ou caso os países decidam retirar seus recursos para investir em outras soluções, a Gavi informou que seria possível, a princípio, haver a devolução do montante, após o pagamento de valores reservados”.

 

Mesmo assim, segundo os documentos, o Brasil optou por encomendar a quantidade mínima prevista pelo consórcio.


--Continua depois da publicidade--

Os senadores da CPI consideram que agora ficou claro que o governo tomou a decisão de comprar o menor pacote do Covax Facility mesmo sabendo que receberia o dinheiro de volta se fosse necessário. E somam a isso, o fato de o governo ter demorado meses para comprar as vacinas da Pfizer e do Butantan. Especialistas apontam que a falta de vacinas é uma das causas do fracasso do país no enfrentamento à pandemia.

Um telegrama do diplomata brasileiro Paulo César Meira de Vasconcelos, na época embaixador do Brasil em Israelrevela que apesar do apoio público de Israel ao governo Bolsonaro, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu disse a autoridades brasileiras, em dezembro de 2019, que o presidente Jair Bolsonaro corria risco real de ser investigado por genocídio de povos indígenas e ser responsabilizado internacionalmente por omissão na proteção da Amazônia. Na época, a política ambiental brasileira era alvo de críticas em todo o planeta por causa do recorde de incêndios na Amazônia.

No documento o então embaixador brasileiro escreveu que “parece-me seguro afirmar que pelo menos parte das autoridades locais, inclusive o primeiro-ministro, acreditam que o governo brasileiro poderia vir a ser responsabilizado internacionalmente no futuro por omissão na proteção da Amazônia e até mesmo por crimes internacionais no que se refere à proteção de povos indígenas”.

No encontro com autoridade brasileira, o primeiro-ministro israelense também deixou claro que gostaria de contar com firme apoio brasileiro a seus pleitos no Tribunal Penal Internacional “uma vez que há risco real de que o presidente Bolsonaro venha a ser investigado naquele tribunal por genocídio de povos indígenas”.

Rebeca Moraeshttps://www.cenariomt.com.br
Redatora do portal CenárioMT, escreve diariamente as principais notícias que movimentam o cotidiano das cidades de Mato Grosso.
- Publicidade -

Lucas do Rio Verde

Logística
(VÍDEO) Vaz participa de inauguração do terminal ferroviário da Rumo Logística em Goiás
julho 27, 2021
PLANEJAMENTO E CIDADE
Lucas do Rio Verde: Investimentos em obras e projetos são divulgados pela LDO
julho 27, 2021