Acusado de agredir a esposa, goleiro Jean quebra o silêncio e se defende: “Não sou esse monstro”

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Foto: Paulo Marcos/Atlético-GO

O goleiro Jean, reforço contratado pelo Atlético-GO, foi apresentado na tarde desta quinta-feira e falou pela primeira vez sobre o caso em que é acusado de agredir a esposa, Milena Bemfica, durante férias nos Estados Unidos.

O episódio ocorreu em Orlando, na Florida, na madrugada do dia 18 de dezembro de 2019. O atleta diz que ainda não havia se pronunciado porque estava “impossibilitado pela Justiça Americana”.

Nesta tarde, ele quebrou o silêncio:

“Peço desculpa a todas as mulheres. Não sou esse monstro que a imprensa fez de mim”.

Sem entrar em detalhes, Jean completou afirmando que ainda irá contar sua versão sobre o que o levou a agredir Milena.

– Toda história tem dois lados, mas nada justifica a agressão. Fiquei totalmente errado. Não estou dizendo que pela história ter dois lados eu estou certo em agredir. Foi uma reação que eu tive. Nunca tinha agredido ninguém. Quem me conhece há mais tempo sabe de toda a minha história e se surpreendeu com o que aconteceu. Mas tem coisas que eu só vou poder falar em breve.

Após o caso, o São Paulo decidiu suspender o contrato do goleiro. Ele chega ao Atlético-GO por empréstimo. O Dragão terá 20% dos direitos econômicos do jogador e receberá em uma possível venda futura.

Confira outros tópicos da entrevista:

Repercussão

– Por eu ser uma pessoa pública, que era jogador do São Paulo, um time visto mundialmente, claro que ia repercutir mais do que uma pessoa comum. Estou completamente arrependido. Que minha história sirva de lição para que outros casos não aconteçam, não só figuras públicas, todos os homens do mundo. Sei da repercussão, minha família ficou triste, tem criança que se espelha em mim e não foi bom para eles. Tenho duas filhas mulheres e estou arrependido.

Arrependimento

– Peço desculpa a todas as mulheres que se sentiram ofendidas e a todos em geral. Tenho que agradecer ao Atlético-GO e ao presidente por abrirem as portas. Não sou esse monstro, nunca tinha tocado em ninguém, foi uma situação de momento, por fatos que vou esclarecer depois, mas que não justificam o ato.

Carreira

– Se não fosse o Atlético-GO, meu contrato (com o São Paulo) estaria suspenso e não teria como eu trabalhar para sustentar as minhas duas filhas. De coração, agradeço muito ao clube.

Contato com as filhas

– Minhas filhas vieram para Goiânia junto com minha ex-esposa. Tenho contato com elas, sim. Trouxe elas para Goiânia. Mas agora começaram as aulas e elas não podem vir. Quando eu tiver uma folga, vou para Salvador. Amo minhas filhas, e o mais difícil está sendo ficar longe delas. Até trouxe dois brinquedos que elas gostavam de usar. Ameniza um pouco a saudade. O mais difícil é não ter esse contato no dia a dia.

Torcida do Atlético-GO

– Não recebi nenhuma reação contra. Não sou de ficar andando pela rua. Tem prós, tem contras. Tem que escutar os dois lados. Estão me julgando pela história que foi contada de uma pessoa. Em breve, vou dar mais esclarecimentos e as pessoas vão saber o que aconteceu.

Futuro

– Pensei em parar de jogar num momento em que estava sendo atacado de todos os lados. Pessoas me xingando e me julgando em tom muito agressivo, ameaçando até de morte. Pensei, sim, em parar de jogar, sofri bastante, estou sofrendo. Mas, por outro lado, em conversa com minha família e meu empresário me perguntando o que eu sabia fazer. Eu não soube responder. Jogar futebol é a única coisa que sei fazer. Se eu fosse sozinho, teria parado de jogar. Mas eu tenho minhas filhas, tenho que cuidar delas, por isso, não parei de jogar.

Hostilidade em campo

– Quanto às provocações, eu já estou acostumado. O goleiro é sempre o mais xingado na casa do time adversário. Quando eu me concentro, esqueço essas coisas em campo.

Relembre o caso Jean

Jean agrediu a esposa Milena Bemfica com oito socos, de acordo com a declaração de prisão registrada pelo Xerife do Condado de Orange, na Florida. No registro, o policial responsável pela abordagem relatou que Milena disse que os dois discutiram na madrugada do dia 18 de dezembro no quarto do hotel onde estavam hospedados em Orlando, nos EUA, e ela tentou acalmar Jean. Depois, os dois entraram no banheiro para discutir, mas uma das filhas quis ir para a cama.

Nesse momento, o documento, baseado no relato de Milena, apontou que Jean seguiu a esposa e a puxou para a cama, onde subiu em cima da mulher e deu três socos no rosto dela. Depois, segundo o registro, o goleiro acertou outros cinco golpes na esposa.

O documento também relatou que Milena pegou uma chapinha de cabelo para se defender e com o objeto feriu Jean em ato de legítima defesa. A chapinha quebrou ao atingir a cabeça do jogador.

Jean foi preso em flagrante após Milena postar vídeos nas redes sociais pedindo socorro após ser agredida. Ele passou uma noite na prisão até a audiência, marcada para o dia seguinte ao incidente. Jean não precisou pagar fiança para ser solto. A decisão foi baseada na promessa dele comparecer perante o tribunal em audiências futuras e em se comprometer a não se envolver em outras ações ilegais.

Milena não quis prestar queixa contra Jean. Mesmo assim, ele terá que manter distância da mulher. A Justiça permitiu que ele mantenha contato com as filhas, mas sob supervisão de terceiros.

Em janeiro, a promotoria da Flórida pediu que a Justiça arquive a denúncia. O documento, assinado pela assistente de promotoria Sarah Marie Castro, afirma que “da investigação que foi feita, é opinião de quem subscreve que o caso não é passível de processo”.

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Amazonia 03 de Junho