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segunda-feira, 19 outubro, 2020
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Pecuarista, médico e amigos são atacados por piranhas no Lago do Manso

Por OLHAR DIRETO

Banhistas que frequentam o Lago do Manso, que pertence ao município de Chapada dos Guimarães (64 quilômetros de Cuiabá), relataram pelo menos quatro ataques de piranha em um intervalo de três semanas. Segundo pessoas que trabalham na região, os casos estão aumentando.

O pecuarista Alex Jorge Figura, 41 anos, foi uma das vítimas. Ele estava hospedado em um resort com a família, comemorando o aniversário da mãe, na última quarta-feira (27), quando houve o ataque. “Nós temos uma lancha e resolvemos ir até a região da ‘Ilha Bora Bora’, no Morro do Chapéu. Fomos em seis adultos e duas crianças (quatro e cinco anos). Todos entramos na água, sendo que eu fui na parte mais funda, com profundidade entre a cintura e o peito”.


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“Após três minutos que eu estava na água, senti uma mordida pequena. Logo percebi que era piranha, fui tirar o pé e ela deu uma sequência de três mordidas. Sai da água sangrando bastante. Eu retornei ao resort e fui atendido no ambulatório. Lá, a enfermeira disse que os casos deste tipo andam aumentando”, completou o pecuarista.

Ainda conforme Alex, ele e seus familiares conseguiram perceber depois que, no local, havia um cardume com pelo menos 30 peixes. “Apenas uma me atacou. Meus amigos que conhecem a região disseram que isso aconteceu porque elas fazem ninhos naquela região. Provavelmente eu estava perto de um. Acredito que por isso somente um dos peixes me atacou”.

Depois do ataque, todos saíram da água e retornaram ao resort. “Acredito que estejam ali porque sentem a chegada das lanchas e sabem que ela funciona como uma ‘ceva’. Todos que frequentam a região fazem churrasco e acaba caindo comida na água”, comentou o pecuarista.

O médico Igor Teixeira, 29 anos, também foi uma das vítimas da piranha. “Aconteceu há três semanas. Fui passar o dia na região, em uma ilha que tem por lá. Estávamos na água e começou a escurecer o dia. Senti uma mordida no pé e quando fui ver estava sangrando o dedo. Sai correndo”.

Igor ainda relata que dois amigos que estavam com ele no local também acabaram mordidos pelas piranhas. “A gente nem sabia que tinha estes ataques por lá. Da um medo. Não retornei para lá depois disto e nem sei quando voltarei. Foi bem extenso o machucado, na ponta do dedão, mas não precisou suturar”.

Outros ataques

No feriado do dia sete de setembro de 2017, cinco ataques de piranhas foram registrados no Lago do Manso. Á época, o diretor técnico da Associação dos Aquicultores do Estado de Mato Grosso (Aquamat), Darci Carlos Fornari, afirma que a criação da barragem propiciou a proliferação das piranhas no lago.

“Por dois motivos a criação da barragem propiciou a procriação e a proliferação das piranhas. O primeiro é que ela é uma espécie que se reproduz em águas calmas, e o Manso é assim. O outro motivo é que as espécies predadoras, que se alimentam de piranhas, não conseguem mais subir o rio, por causa da barragem”.

O motivo para os ataques, segundo Fornari, seria porque as piranhas estariam defendendo seu ninho.

“Ela é não é um animal que ataca, ela se defende, então tem que ver onde ocorreram estes ataques, porque é provável que tenham ocorrido perto dos ninhos delas. É preciso fazer um estudo minucioso, para encontrar alguma solução, porque no momento nada está sendo feito”.

O biólogo, ecólogo e ictiólogo, Francisco de Arruda Machado, afirma que três espécies de piranha ocorrem em Mato Grosso. A do Lago do Manso é a Serrasalmus maculatus, uma espécie pequena, com tamanho torno de 20 a 25 centímetros. Ele disse que a espécie está em período de reprodução e o Lago do Manso tem diversos locais propícios à criação de ninhos.

“Elas têm o hábito de cuidar do ninho e estão em época de reprodução. A Serrasalmus maculatus se reproduz em locais rasos ou praias e o que mais tem no Manso são praias artificiais. Quando a pessoa entra na lagoa pelas praias, os dedos às vezes aparentam serem peixes pequenos, o que pode provocar o ataque. As piranhas também alertam antes de atacar, mas como a pessoa não está vendo a piranha ela não percebe o ataque”.

O recomendável é evitar os locais rasos do Lago e cuidar onde pisa. De acordo com o ictiólogo, ataques de piranhas já foram muito comuns em Mato Grosso. Ele afirma que já existem várias pesquisas sobre piranhas feitas no Estado.

“Cinco ataques é até pouco se levar em consideração que isto já ocorreu muito no estado. Na lagoa Trevisan aconteciam cerca de 30 ataques por dia. Já existem pesquisas feitas sobre esta espécie, eu já fiz. Existem outros trabalhos também, de outros estudiosos, sobre mordidas das piranhas”, afirma Machado.


Dayelle Ribeirohttps://www.cenariomt.com.br
Redatora do portal CenárioMT
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