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segunda-feira, 08 março, 2021
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Mato Grosso ocupa 2º lugar no Brasil em casos de hanseníase

Foram 33,1 mil casos novos na última década
Por CenárioMT

O Mato Grosso ocupa o segundo lugar no Brasil em número de casos novos de hanseníase. O alerta é da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), que, com base no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde, identificou naquele estado a ocorrência de 33.104 casos novos da doença entre 2010 e 2019. Deste total cerca de 33% chegaram aos consultórios e ambulatórios com algum grau de incapacidade, isto é, quando a doença causa alguma deformidade física ou causa diminuição ou perda de sensibilidade nos olhos, nas mãos e nos pés.

JANEIRO ROXO

Como janeiro é o mês dedicado à conscientização, combate e prevenção da hanseníase no País, a SBD somou forças para apontar a importância de se enfrentar essa doença tropical de evolução crônica, que se manifesta principalmente por meio de lesões na pele e sintomas neurológicos, como dormência e diminuição de força nas mãos e nos pés.

Proporcionalmente, a Região Centro-oeste do País concentra o segundo maior número de casos novos detectados ao longo da última década: 19,5% do total, o equivalente a 60,858 mil casos. Em primeiro lugar, aparece o Nordeste, com 43% dos casos. Na terceira e quarta posição, estão respectivamente as regiões Norte (19%) e Sudeste (15%). Somente 3,5% dos novos pacientes identificados nos últimos dez anos estão no Sul do Brasil.

Um terço dos casos novos registrados na população geral durante o período se concentraram em apenas no Mato Grosso (33.104) e em outras duas unidades da federação: Maranhão (36.482) e Pará (31.611). Os estados de Roraima, Rio Grande do Sul e Amapá diagnosticaram menos de 1.500 casos novos da doença na década.

DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO

“São números alarmantes e, apesar disso, a hanseníase ainda é considerada uma doença negligenciada. Trata-se de um contexto contra o qual a SBD e muitos gestores públicos têm trabalhado arduamente ao longo dos anos, a fim de conscientizar a população sobre as manifestações clínicas da doença e assegurar a todos acesso ao diagnóstico e ao tratamento precoce”, ressalta Mauro Henokihara, presidente da SBD.

Segundo ele, a detecção precoce da doença é fundamental para que o paciente evolua sem sequelas e para diminuir a chance de transmissão para outras pessoas, em especial aquelas com quem convive de maneira regular e próxima. “Infelizmente, observamos um aumento na proporção de novos casos que chegam ao médico com o que chamamos de Grau 1 e 2 de incapacidade física, deformidades e incapacidades físicas às vezes irreversíveis”, pontua o dermatologista.

Pelos números apurados pela SBD no Sinan/MS, em 2010 os casos novos diagnosticados no Mato Grosso com algum tipo de deformidade (Grau 2) e com diminuição ou perda da sensibilidade nos olhos, mãos ou pés (Grau 1) representavam 28,2% do total. Os últimos dados nacionais disponíveis, referentes a 2019, mostram que essa proporção saltou para 40,3%.

PERFIL DO PACIENTE

Na maior parte do mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença preocupa mais com as mulheres quando o assunto é hanseníase, pois elas são mais afetadas pela doença. No Brasil, no entanto, são os homens os mais afetados: 55% dos casos novos detectados na última década. No Brasil, mais da metade dos pacientes com diagnóstico de hanseníase na década tinham entre 50 e 59 anos (18%), 40 e 49 anos (18%) e 30 e 39 anos (17%). Outra parcela significativa tinha mais de 60 anos (22%) ou estava na faixa entre 20 e 29 anos (12%).

Para Sandra Durães, coordenadora do Departamento de Hanseníase da SBD, isso pode estar relacionado a uma série de fatores, como a classe social e a menor frequência com que eles vão a consultas médicas. “A hanseníase tem uma característica interessante: a pessoa precisa estar atenta aos sinais o próprio corpo. Muitas vezes são manchas silenciosas, que não doem e não coçam. E sabemos que, culturalmente, o homem brasileiro tem mais dificuldade de ir ao médico e cuidar da própria saúde”, ressalta.

Os analfabetos e com ensino fundamental incompleto representam 54% das notificações da doença nos últimos dez anos. “A hanseníase está classificada entre as doenças ditas negligenciadas, que atingem populações com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). O Brasil, apesar de estar entre as grandes economias mundiais, apresenta grande desigualdade social. Nas periferias de suas metrópoles, existem grandes bolsões de pobreza caracterizados por habitações insalubres e difícil acesso aos serviços de saúde”, lembra Sandra Durães.

A especialista alerta, no entanto, que, por se tratar de doença endêmica, a rigor toda a população está exposta e pessoas de maior poder aquisitivo também podem adoecer. (Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD))

Gostou do nosso post? Entendeu melhor o que é a hanseníase e como ela se manifesta? Então aproveite para conferir outro post no CenárioMT sobre a Hanseníase: informações sobre essa doença infecciosa e contagiosa.



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