“Fazemos o nosso melhor porque a cidade é de todos nós, também somos munícipes e estamos suscetíveis a toda situação”, destaca fiscal que atua na pandemia

Edmaris Peierre, agente de regulação e fiscalização há quase 18 anos, afirma que nunca passou por situação parecida e lembra colegas que contraíram a Covid-19

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Luiz Alves

Atuando na linha de frente do combate ao coronavírus, tentando impedir que as pessoas sejam acometidas pela Covid-19 e precisem acessar um leito de hospital, os profissionais que atuam na Operação Integrada de Prevenção à Covid-19, da Secretaria Municipal de Ordem Pública – agentes de regulação e fiscalização, agentes de trânsito e policiais militares – enfrentam o medo de serem contaminados pelo vírus em prol da conscientização da comunidade, durante esta pandemia.

“Ainda não acabou, não tem data. O coronavírus não tem prazo específico para se dissipar, ele está aí e existe a possibilidade de virar um vírus circulante, que não vai nos deixar durante um bom tempo. E nós estamos aqui na linha de frente. O medo, temos que deixar de lado, mas nos precaver: usar máscaras, fazer sempre a higienização dos equipamentos de trabalho, manter o máximo de distância e fazer o nosso melhor porque a cidade é de todos nós, nós também somos munícipes e estamos suscetíveis a toda situação”, afirma o agente de regulação e fiscalização, Edmaris Peierre, que tem quase 18 anos de experiência no cargo.

Peierre lembra que dentre 191 agentes de regulação e fiscalização da Secretaria de Ordem Pública, dois colegas já foram contaminados pelo novo coronavírus. “Infelizmente, a gente teve essa perda de um colega que tinha 28 anos de Prefeitura, já estava em vias de se aposentar e faleceu por conta da Covid-19. Ele foi o segundo fiscal que esteve doente. O primeiro, graça a Deus, se recuperou bem. O sentimento é de pesar porque ele era, como o pessoal diz, um fiscal ‘ponta firme’, que sempre estava atento, a equipe dele sempre foi bem disposta no trabalho e fica o sentimento de consternação”, lamenta. Atualmente, dos 191 fiscais da Ordem Pública, 45 estão trabalhando em regime de teletrabalho por serem do grupo de risco da Covid-19.

O secretário-adjunto de Apoio à Segurança Pública, tenente-coronel Marion Metello, também destaca o compromisso de servir a população neste momento difícil para toda a humanidade. “Eu, enquanto policial militar, fiz um juramento de defender a sociedade com risco da própria vida. Eu incorporei isso. É uma rotina que não vai mudar, é o novo normal e é um serviço essencial, que não tem como correr”.

Preocupado com o que avalia como “altíssima negligência” de parte da população, que ainda não adota as medidas de prevenção ao novo coronavírus, o sargento PM Claudiney destaca que as equipes de fiscalização tem buscado orientar e conscientizar essas pessoas, sempre de forma humanizada. Segundo ele, ainda há quem alegue desconhecer os decretos que determinam regras de funcionamento dos estabelecimentos comerciais e espaços públicos, ao serem abordados. Ele pede à população que busque informações e outras formas de utilizar o tempo, sem aglomerações. “Ao invés de escutar conversa, é melhor você buscar uma leitura na questão que você escolher. E tenham consciência! A gente sabe que o momento é difícil. Não é difícil só pra um. Se fosse só pra um, era fácil resolver. É difícil pra todo mundo! Até pra gente que está na linha de frente”, afirma.

O secretário municipal de Ordem Pública, coronel Leovaldo Sales enfatiza que as fiscalizações, que ocorrem desde o mês de março, continuam com a mesma essência de garantir a prevenção à Covid-19. “O caráter vai de encontro com a filosofia da gestão Emanuel Pinheiro, que é uma abordagem humanizada, orientando a todos e construindo uma consciência de que nós vivemos num momento excepcional, um momento grave, um momento sério e que todos devem dar a sua parcela de contribuição”.

A respeito da excepcionalidade da pandemia, o fiscal Edmaris Peierre destaca que ele e seus colegas nunca enfrentaram algo parecido. “Nós estamos numa situação sui generis. Nunca enfrentamos nada do tipo. A gente entende a situação dos empresários que têm os seus compromissos com seus funcionários, colaboradores, fornecedores. Então, no primeiro momento, a gente sempre tenta orientar, sempre tenta ser mais amigável no primeiro contato. No segundo momento, permanecendo uma não conformidade observada, a gente já usa os mecanismos previstos na legislação: notificação, auto de infração, depende muito da situação encontrada”, explica.

 

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Amazonia 03 de Junho