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quarta-feira, 08 dezembro, 2021
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Você ainda acredita em polarização no futebol brasileiro?

Jornalista Sergio du Bocage lembra que, nos últimos dez anos, houve alternância de times na disputa das principais competições nacionais do país.
Por Sergio du Bocage, apresentador do programa No Mundo da Bola. - Rio de Janeiro

O discurso é antigo: as verbas da TV, maiores para Flamengo e Corinthians, iriam prejudicar o equilíbrio das disputas nacionais e fazer do Campeonato Brasileiro uma cópia de muitos campeonatos europeus, em que apenas dois times brigam pelo título, ano após ano. Discurso, aliás, sempre combatido aqui e por muitos economistas e estudiosos das finanças do futebol , que alertam, há anos, sobre a necessidade de uma boa administração, com a recusa de ceder aos “caprichos” do torcedor.

E que “caprichos” seriam esses? Brigar sempre por títulos e montar equipes cada vez mais fortes. Que, obviamente, é o sonho de qualquer clube de futebol e o desejo de sempre das torcidas. Mas desde o momento em que a profissionalização foi se aprimorando na indústria do futebol , e que as falhas administrativas se mostraram cada vez mais decisivas no desempenho de um time dentro de campo, as ambições passaram a ser distintas, as metas se ajustaram em patamares diferentes e quem não se adequar ao momento vai descer a ladeira, em vez de subir com cautela e firmeza.

E se algum dia o dinheiro da TV teve influência, atualmente está mais do que provado que não funciona assim. E aí está o Fortaleza, pela primeira vez numa semifinal de Copa do Brasil e em terceiro lugar no Brasileirão, podendo bater o recorde histórico do Vitória, que chegou aos 59 pontos e em quinto lugar no Brasileirão de 2013, até hoje a melhor campanha de um time nordestino na era dos pontos corridos.

Se olharmos os últimos dez anos da Copa do Brasil, tivemos 11 equipes diferentes nas finais. E dessas, sete foram campeãs. Onde há supremacia? Quando pensamos em futebol -ao-vivo/”>Campeonato Brasileiro, nesses mesmos dez anos, foram cinco campeões diferentes e outras seis equipes chegaram na segunda posição, num total também de 11. Curiosamente, apenas duas vezes uma mesma equipe ocupou uma das duas posições nas duas competições – o Vasco foi campeão da Copa do Brasil e vice do Brasileirão em 2011, posições invertidas às do Cruzeiro, em 2014. Cadê a hegemonia?

Vejam que nem o Flamengo, nem o Corinthians, listados lá em cima, conseguiram esse desempenho. A respeito desses dois clubes, aliás, o Timão paulista ganhou três Brasileiros e soma um vice na Copa do Brasil; o Rubro-Negro carioca tem uma Copa do Brasil e um vice-campeonato, dois Brasileiros e um vice-campeonato. Você acha que é muito? Então, como explicar que o Cruzeiro ganhou duas Copas do Brasil e um vice-campeonato e dois Brasileiros?

E aqui voltamos à questão do “capricho”. Até que ponto o Cruzeiro extrapolou suas metas, a ponto de hoje estar a um passo de disputar a Série B pelo terceiro ano seguido? E por que, nos últimos três anos, o Corinthians, grande campeão da década 2011/20, alcançou no máximo um 8º lugar em 2019, ficando em 13º (2018) e 12º (2020), longe de qualquer disputa de título?

Nesses mesmos três últimos anos o Flamengo disputou o título com Palmeiras (perdeu em 2018), Santos e Internacional (venceu em 2019 e 2020, respectivamente). Terá sido exclusivamente por conta das verbas da TV?

Não mesmo, até porque o Rubro-Negro de novo está buscando o Brasileirão, agora contra o Atlético-MG. Que aliás está com ele, e com o Fortaleza, na caça ao título da Copa do Brasil – o Athletico-PR é o outro semifinalista.

Vocês lembram que um dia, num passado distante, houve o Clube dos 13? Pois bem, se as Séries A e B acabassem hoje, Grêmio, Vasco e Cruzeiro estariam na Segundona de 2022; Fortaleza, Bragantino e Cuiabá disputariam a Copa Libertadores. Não é culpa das cotas da TV.

Sergio du Bocage é apresentador do programa No Mundo da Bola, da TV Brasil

Gustavo Praiadohttps://www.cenariomt.com.br
Atualmente, trabalha na equipe do portal CenárioMT, produzindo conteúdo sobre economia, esportes e direitos da população brasileira, gosta de assistir séries, filmes de ação e de videogames. Editor também em conteúdos regionais, sempre atento as tendências que o internauta procura para ficar bem informado.

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