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quarta-feira, 10 agosto, 2022
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Única brasileira no basquete dos EUA relata volta à quadra em “bolha”

Damiris fala de expectativa para WNBA em meio à pandemia na Flórida
Texto por Lincoln Chaves - Repórter da TV Brasil e Rádio Nacional - Rio de Janeiro

 

Única representante brasileira atuando na WNBA, a liga de basquete feminino dos Estados Unidos, a pivô Damiris vive a expectativa do início da edição 2020 da competição, que tinha sido adiada devido à pandemia do novo coronavírus (covid-19). A temporada começa no próximo sábado (25), duas semanas após a volta aos treinos, que ocorreu no último dia 10. Tanto a preparação das jogadoras quanto as partidas serão na IMG Academy, em Bradenton, na Flórida, sem presença de público.


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As atletas estão, no momento, imersas em uma “bolha” – termo utilizado pela própria liga para definir a estrutura montada para viabilizar a realização da temporada em meio à pandemia. Elas são submetidas a testes diários de covid-19 e treinam com bola somente em um período, sempre utilizando máscaras e passando álcool em gel nas mãos. Fora da quadra, a rotina é a de assistir jogos e estudar as rivais.

“Eu estava com muita saudade de jogar basquete, dos treinos coletivos. A gente viu o brilho nos olhos umas das outras [por voltar à quadra]”, relatou a jogadora do Minnesota Lnyx, em entrevista coletiva nesse sábado (18), realizada por videoconferência. “Isso de o elenco estar junto o tempo inteiro, estou meio que acostumada no Brasil, mas aqui é meio diferente. A gente normalmente se encontra só em quadra. Agora, estamos mais juntas e tem sido até melhor. A gente brinca mais, se reúne para jogar videogame ou ver filme, aproveitando cada momento”, descreveu.

A Flórida, estado onde se encontra a “bolha” da WNBA, é atualmente o epicentro da pandemia nos Estados Unidos, com mais de 333 mil casos positivos da doença. O avanço da covid-19 é pauta das conversas entre as atletas. “Está todo mundo otimista, mas, sempre tem um pouquinho de medo, porque a gente não tem o controle da situação. A cada dia que se liga a TV é uma notícia nova, que está piorando aqui na Flórida. A gente ouve muita coisa, mas está otimista que tudo passe e que até o fim da liga as coisas estejam melhores”, disse.

Um pensamento positivo que, segundo Damires, passa pelo contato frequente com a psicóloga da equipe – inclusive para administrar a preocupação com a família, que permaneceu no Brasil. “Algumas meninas trouxeram mãe, filho, marido, a gente fica meio apreensiva. O mundo está uma bagunça, mas, estar aqui jogando, com todo o cuidado, sabendo que a família está longe, mas que todo mundo está bem, é até melhor do que estar em casa. O trabalho com a psicóloga, em grupo ou individual, ajuda muito”, afirmou a paulista, que é natural de Ferraz de Vasconcelos, cidade da região metropolitana de São Paulo.


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A estreia do Minnesota Lynx, de Damiris, pela liga norte-americana – considerada a principal do mundo no basquete feminino – será no próximo dia 26, um domingo, contra o Connecticut Sun. Normalmente, as equipes da WNBA fazem 34 jogos na temporada regular (ou seja, antes do mata-mata), mas, devido às adaptações no calendário feitas por causa da pandemia, elas terão pela frente 22 confrontos. As oito melhores campanhas entre os 12 participantes avançam para os playoffs. A expectativa é que a competição seja concluída até outubro.

Cenário nacional

A caminho da sexta temporada na WNBA, Damiris é também um dos principais nomes da seleção brasileira, que vem de um 2019 de altos e baixos. Mesmo sem a pivô, a equipe que tinha acabado de ser assumida pelo técnico José Neto – que nunca havia trabalhado com o naipe feminino – conquistou a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Lima (Peru), superando os Estados Unidos na final (as norte-americanas competiram com uma equipe universitária). O time repetia um feito que não era alcançado desde 1991, quando Hortência e Paula ainda defendiam a seleção.

Depois, veio o bronze na Copa América, já com a jogadora de 27 anos no elenco – ela, inclusive, foi escolhida uma das cinco melhores do torneio. O resultado garantiu o Brasil no pré-olímpico da modalidade, onde o sonho de ir aos Jogos de Tóquio (Japão) terminou, após as derrotas para a França (anfitriã do qualificatório), Porto Rico e a Austrália. Apesar disso, Damiris considerou que o nível mostrado pela equipe, desde o início de trabalho com Neto, traz uma perspectiva boa para o ciclo da Olimpíada de Paris (França), em 2024.

“Ele trouxe muita coisa boa e nova para o basquete feminino. A evolução é nítida e estamos no caminho certo. Temos nos falado semanalmente. Ele está com muitas coisas na cabeça e quer colocá-las para treino. O melhor do Neto é que ele está sempre disposto a aprender. Chegou agora, mas está estudando muito para entrar de verdade neste mundo”, enalteceu a pivô. “Infelizmente, não veio a classificação olímpica, mas, a gente mostrou que pode muito”, completou.

Damiris também se disse otimista sobre a possibilidade de avanço da modalidade no Brasil, embora entenda que, no momento, o cenário esteja “meio estacionado”. Ela participou cinco vezes da Liga de Basquete Feminino (LBF), sendo a última em 2017. O campeonato deste ano, que iniciou em 8 de março, teve de ser interrompido após três jogos realizados, devido à pandemia, e cancelado três meses depois.

“De um tempo para cá, vi melhora na liga, mas, acho que a gente está meio estacionado. Acho que precisamos de mais investimento e visibilidade. O basquete feminino está carente dessas coisas. Acredito que estamos em um caminho melhor, mais pessoas estão olhando”, analisou, destacando o papel das atletas brasileiras nesse processo. “Nós, jogadoras, temos conversado muito. Queremos mudança e a modalidade precisa de visibilidade, que as empresas olhem diferente. Acho que é o momento de, juntas, brigarmos pela causa”, concluiu.

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