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segunda-feira, 01 março, 2021
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Em formato online, projeto irá reverenciar a capoeira angola praticada no Centro-Oeste

As atividades do projeto “Permeando a Capoeira Angola no Centro-Oeste" estão previstas para os meses de fevereiro a março, duas vezes por semana, sempre às 20h (horário de Brasília)
Por Lucas Arruda

Por ser uma prática ancestral de resistência, de negros escravizados no período do Brasil Colônia, a capoeira traz em seu DNA o caráter cultural afro-brasileiro. Por isso, mesmo em tempos de pandemia, é preciso conseguir mantê-la pulsante e ativa seguindo os protocolos de biossegurança. Como é o caso do projeto “Permeando a Capoeira Angola no Centro-Oeste”, que será realizado em formato online, sob coordenação de Rafael Leite de Sá e Marcos Vinicius Campelo Jr, capoeiristas do grupo Anunciando a Consciência Negra com os Meninos de Angola, dos estados de Goiás e Mato Grosso do Sul.

Os encontros online serão realizados de fevereiro a março, sempre às 20h (horário de Brasília). As inscrições serão realizadas através do formulário: https://forms.gle/s23exoq4YQhKjfaL9. O link para as atividades será disponibilizado mediante cadastro preenchido.


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Capoeirista Rafael Sá, de Goiás

“A gente se uniu para a construção desse projeto que tem a finalidade de valorizar os mestres da capoeira angola do Centro-Oeste. O nosso planejamento seguirá um cronograma com vivências sobre a prática da capoeira angola às terças-feiras e, oficinas e encontro de saberes com mestres e capoeiristas convidados às quintas. O intuito é construir um espaço de partilha e aprendizado, onde os convidados trarão através da fala e de oficinas, suas trajetórias dentro da capoeira angola que é acima de tudo uma filosofia de vida. Além de tratar um pouco da realidade da capoeira neste período de distanciamento social”, explica o capoeirista Rafael de Sá.

As transmissões virtuais ocorrerão duas vezes por semana, às terças e quintas-feiras. Exceto no segundo encontro, que será na quarta-feira (dia 3 de fevereiro) às 20h (horário de Brasília) e, também, na data de encerramento que está marcada para às 16h, do dia 28 de março, domingo.

“A abertura se dará no dia 2 de fevereiro, terça-feira, com uma vivência de capoeira angola realizada por mim e o Rafael. Já na quarta-feira será a vez de um bate papo com os mestres Pequeno e o Guerreiro, capoeiristas do Estado de Mato Grosso do Sul”, informa Marcos Vinicius.


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O próprio nome “Permeando a Capoeira Angola no Centro-Oeste” deixa claro que o projeto é uma oportunidade para as pessoas se aprofundarem no universo da capoeira angola de um Brasil mais central, ou seja, conhecer grandes mestres que pelas bandas do cerrado conseguiram se consolidar pela importância dos seus trabalhos.

“Vamos dar voz a alguns dos grandes nomes da capoeira. Existem outros nomes, mas esses que escolhemos são pessoas importantes levando em consideração o Distrito Federal e os estados de Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul”, pontua o capoeirista Marcos Vinicius.

O projeto foi contemplado com recursos da Lei Aldir Blanc, através de edital do FMIC (Fundo Municipal de Incentivo Cultural) da SECTUR (Secretaria Municipal de Cultura e Turismo), vinculada à Prefeitura de Campo Grande.

Marcos Campelo, capoeirista de Campo Grande (MS) e um dos idealizadores do projeto;

Capoeira Angola

Outro ponto interessante é que o projeto trabalha uma modalidade específica, a capoeira angola.  Também chamada de “capoeira mãe”, o jogo de Angola, é a origem dessa prática cultural que mescla luta, dança, musicalidade, percepção de coletivo e filosofia de vida, de forma única, sendo considerada a prática que mais se aproxima daquela executada pelo povo africano trazidos para serem escravizados.

Na capoeira angola o uso de calçados é fundamental, uma referência a busca dos escravos pela liberdade, onde nos tempos de servidão o ato de utilizar um calçado era privilégio dos homens livres.

“Do meu ponto de vista a capoeira e o hip hop são umas das maiores manifestações da cultura negra. Não acredito que seja possível falar de capoeira sem falar da cultura africana, sem a preocupação de olhar a ancestralidade. Da mesma forma, é impossível olharmos para 2020 sem pontuar os desafios da pandemia ou lembrar do grande movimento antirracista ‘Black Lives Matter’. Dois pontos que pedem resiliência assim como os valores passados em uma roda de capoeira.”, conclui Rafael Sá.



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