Diretor de finanças atualiza retrato da dívida do Cruzeiro e define momento: “Vendendo almoço para comprar janta”

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Foto: Divulgação/ Cruzeiro

Os números atualizados das finanças do Cruzeiro – entre aqueles divulgados no balanço de 2019 com os até 31 de maio deste ano – mostram que o clube já saltou em termos da dívida total, mas tem apresentada já ligeira diminuição em custos em alguns braços do seu passivo financeiro. O detalhamento foi mostrado pelo diretor de finanças e controladoria do clube, Matheus Rocha, em uma transmissão feita pela auditoria BDO, na última quinta-feira. O profissional cruzeirense, que tem se dedicado à questão das finanças do clube, disse que o atual cenário ainda é de “vender o almoço para comprar a janta”.

Nos números apresentados em uma live que teve também a participação de um profissional do Bahia, Matheus apresentou os novos números da dívida cruzeirense. O déficit acumulado apresentado no balanço de 2019 foi de R$ 803 milhões, mas saltou para R$ 942 milhões até o fim de maio. Quase um bilhão. Segundo Rocha, muito devido aos “contratos leoninos” feitos anteriormente no clube.

Matheus apontou que o maior aumento foi na contingência, que é uma situação cujo resultado final depende de eventos futuros ainda incertos. Ela passou de R$ 46 milhões para R$ 170 milhões.

– Vou dar um spoiler, que nem o presidente viu, sobre nosso endividamento. Eu só tirei as receitas a apropriar. A gente teve um aumento muito grande das contingências. De 2018 para 2019, mas os cinco meses tive um salto de R$ 100 milhões. Isso graças aos contratos leoninos feitos pelas pessoas que estavam aqui. É um reflexo retardado do tempo do que foram os contratos de 2019.

As obrigações trabalhistas do Cruzeiro também saltaram segundo os números apresentados por Matheus, principalmente por causa das mais de 100 rescisões realizadas desde o fim do ano passado. Quase a totalidade ainda sem acerto realizado. Segundo ele, saltou de R$ 63 milhões para R$ 122 milhões.

O diretor de finanças e controladoria do Cruzeiro ainda citou a ligeira diminuição nos custos com fornecedores. De R$ 52 milhões para R$ 39 milhões até o fim de maio. Ele disse que o clube quer pagar todo mundo, mas de uma maneira que consiga cumprir os acordos formalizados.

– Queremos pagar todo mundo. As pessoas só têm que entender um pouquinho a situação que pegamos hoje. Estamos, basicamente, vendendo almoço para comprar a janta. Então, a gente está nessa situação em termos trabalhistas, querendo pagar as rescisões, os salários estamos conseguindo deixar em dia. Foram pagos salários de junto, CLT, dos jogadores, dos administrativo foram pagos. Os fornecedores reduzimos um pouco em relação a 31/12.

A dívida fiscal, que envolve, inclusive, o pagamento das parcelas do Profut, cujo programa o Cruzeiro está incluído, no momento, por meio de uma liminar, é a maior do clube neste momento. São R$ 290 milhões em valores atualizados em 31 de maio, juntando também com o passivo fiscal.

– A dívida fiscal, ela é a maior que nós temos. Todo mundo fala da dívida do Cruzeiro. Temos muitas dívidas. Fifa é muito importante. E trabalhistas são muito importantes. Então, as fiscais e sociais reduziram. Em contrapartidas, as trabalhistas aumentaram, porque mandamos tanta gente embora nos últimos meses, que não conseguimos ainda as rescisões, as rescisões estão sendo encaminhadas. Na outra parte do fiscal, estamos fazendo um business plan para apresentar à Procuradoria da Receita para apresentar para pagar todo mundo, inclusive o Estado.

Além dos braços do passivo, Matheus Rocha também apresentou uma diminuição em “empréstimos e financiamentos”. Saíram de R$ 143 milhões para R$ 138 milhões. O Cruzeiro deverá começar, em breve, a soltar balanços trimestrais das suas movimentações, o que já é feito por alguns clubes brasileiros. O balanço de 2019 ainda precisa ser aprovado pelo conselho deliberativo.

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Amazonia 03 de Junho