Com punho erguido, Hamilton repete gesto de medalhistas olímpicos em luta contra racismo

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Engajado em protestos antirracistas, Lewis Hamilton repetiu um gesto marcante no pódio do GP da Estíria ao conquistar sua primeira vitória em 2020, na manhã deste domingo. O piloto da Mercedes ergueu o punho, repetindo o movimento dos americanos medalhistas olímpicos Tommie Smith e John Carlos, que eternizaram o sinal dos “Panteras Negras” nos Jogos Olímpicos do México de 1968. O hexacampeão comentou a ação e agradeceu à equipe Mercedes, pelo apoio, nas redes sociais.

– Juntos, nós lutamos. A equipe hoje ficou de joelhos, o que foi incrível ao ver que juntos podemos aprender, ter a mente aberta e consciente sobre o está acontecendo no mundo. Hoje vencemos, mas ainda temos um longo caminho a percorrer. Muito obrigado a todos da minha equipe, aqui na pista e na fábrica. Espero que vocês tenham orgulho do que estamos defendendo e alcançando juntos. Um enorme agradecimento a todos vocês #TeamLH, agradeço todo o seu apoio e suas mensagens positivas, vocês me motivaram a continuar – agradeceu Hamilton.

Com uma camisa do movimento #BlackLivesMatter (Vidas negras importam) O piloto já havia se ajoelhado antes da largada – algo que fez na primeira corrida e que teve o apoio de outros pilotos do grid.

Luta contra o racismo nos jogos de 1968

No topo do pódio, de punho erguido e cerrado. O fervilhante ano de 1968 foi marcado por lutas sociais no mundo todo, e as Olimpíadas da Cidade do México foram palco de um gesto que entrou para a História. Os americanos Tommie Smith e John Carlos, respectivamente medalha de ouro e bronze na prova dos 200 metros rasos, subiram no pódio olímpico e fizeram a saudação Black Power, com luvas negras, em protesto contra o racismo e a injustiça.

Os Jogos da Cidade do México foram disputados em outubro de 1968, em meio a um mundo agitado por grandes manifestações. Em abril daquele ano, nos Estados Unidos, a luta contra a segregação racial atingiu um ponto crítico, com o assassinato do líder negro Martin Luther King. Em maio, a França foi chacoalhada por protestos estudantis e operários.

Foi nesse cenário que Tommie Smith e John Carlos entraram para a História. Na pista, Smith venceu a prova dos 200m e estabeleceu um novo recorde mundial, com 19s83. No pódio, ele e Carlos se manifestaram com um gesto simples, mas de enorme impacto, usando a moda como meio de comunicação da mensagem.

Como só tinham um par de luvas negras, os dois tiveram que dividir. Smith, de cachecol preto para simbolizar o orgulho negro, ergueu o punho direito. Carlos, de jaqueta aberta para mostrar apoio à classe trabalhadora americana, ergueu o punho esquerdo.

Com os olhos do mundo voltados para eles, o gesto teve repercussão bombástica. Os dois velocistas acabaram expulsos dos Jogos, sob alegação de terem usado a plataforma olímpica global para um protesto político americano. Ainda assim, a imagem da dupla com os punhos erguidos ficou para sempre na iconografia das Olimpíadas.

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Amazonia 03 de Junho