Carateca espanhol tem mural em sua homenagem pichado com símbolo nazista e insultos racistas

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Foto: Reprodução

Medalhista de bronze no Mundial de 2018, tetracampeão europeu e 12 vezes campeão espanhol, o carateca Babacar Seck teve um mural que foi feito em sua homenagem pichado com insultos racistas e uma suástica, símbolo nazista, em Zaragoza, na Espanha. A denúncia foi feita nesta sexta-feira pela Federação Espanhola de Karatê. O lutador afirmou neste sábado que vai denunciar formalmente as pichações assim que chegar em Zaragoza. Ele estava concentrado com a seleção da Espanha da modalidade em Oviedo.

– Eu me sinto mal. Quando você vê essas coisas, você se pergunta o porquê. Sinto muito que essas coisas continuem acontecendo. Estou aqui sem minha família e tenho me esforçado bastante para conseguir tudo isso. Estava esperando poder levá-los ao grafite para que eles pudessem vê-lo e sentir orgulho. É um sonho que tenho – lamentou o competidor de 21 anos.

Prefeito de Zaragoza, Jorge Azcón demonstrou sua solidariedade:

– Vamos limpar imediatamente o mural dedicado a nosso campeão Babacar Seck, um esportista extraordinário. Os miseráveis que vomitaram seu ódio contra sua imagem somente merecem ser rechaçados e condenados – escreveu em seu Twitter o membro do Partido Popular.

Algumas horas depois de postar a mensagem na rede social, o prefeito entrou em contato direto com Seck e demonstrou seu carinho, além de prometer que vai tomar medidas para que nada desse tipo volte a acontecer. Em seguida, Jorge Azcón publicou imagens do mural sendo restaurado.

O jovem atleta de 21 anos chegou do Senegal em 2010 para se juntar ao pai, que era soldador. Ele é considerado um símbolo da integração através do esporte no país. Seck recebeu múltiplas mensagens de solidariedade, tanto do mundo esportivo quanto da sociedade, desde o Comitê Olímpico Espanhol, passando pela própria Federação Espanhola de Karatê e atletas de outras modalidades, como a campeã do mundo de badminton Carolina Marin.

– Babacar Seck é uma pessoa que quebrou muitas barreiras, que provou ser um grande lutador e um grande esportista. Repudiamos estes atos e todos os que tiverem por trás qualquer tipo de discriminação e racismo. No esporte, não importam as cores, as raças o gênero ou as capacidades. Importam os valores, o esforço e o respeito, precisamente o que não têm os autores deste ato de vandalismo. Babacar será sempre uma parte importante da equipe nacional da Espanha – disse a nota da Federação Espanhola de Karatê.

– Sim, na Espanha existe o racismo. Mas estamos ao seu lado, Babacar, e ao lado de qualquer pessoa que sofra discriminação por sua raça, origem, gênero ou orientação sexual – falou Carolina Marín.

Recentemente, caso parecido aconteceu em Paris, na França. Fotos de atletas franceses que ficam na entrada do Instituto de Esporte, Expertise e Performance (INSEP), em Paris, apareceram com pichações racistas.

Nas imagens vandalizadas estão o lendário judoca Teddy Riner, que é bicampeão olímpico e tem 10 medalhas de ouro em Mundiais; o corredor Dimitri Bascou, especialista nos 110m com barreiras, bronze nas Olimpíadas Rio 2016 e campeão europeu no mesmo ano; e Michael Jérémiasz, do tênis em cadeira de rodas, que foi ouro nas duplas das Paralimpíadas de Pequim 2008 e prata em duplas e bronze em simples em Atenas 2004. Ele aparece com a bandeira da França na abertura dos Jogos Paralímpicos Rio 2016.

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Amazonia 03 de Junho