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quarta-feira, 25 novembro, 2020
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Amplas derrotas de time paulista reabrem debate sobre futebol feminino

Equipe só conseguiu um campo de treinamento três dias antes do início do torneio, e foram as próprias atletas que arcaram com a preparação técnica e equipamentos.
Por Leonardo Benassatto - Taboão da Serra (SP)

Quando o time de futebol feminino de Taboão da Serra perdeu uma partida do Campeonato Paulista por 29 x 0 no mês passado, parecia que as coisas não poderiam ficar piores para o pequeno clube da periferia. A derrota pavorosa rendeu manchetes em todo o mundo, mas não foi a gota d’água. O time perdeu os três jogos seguintes por 14 x 0, 10 x 0 e 16 x 0 e foi eliminado do campeonato estadual na fase de grupos. Os resultados provocaram um novo debate sobre a competitividade do futebol feminino do Brasil. A reação – e, obviamente, a zombaria sexista – foi ainda mais previsível. 

Quando o clube perdeu, “eles disseram coisas como ‘o time todo está com covid-19’, ‘nem se incomodem de jogar’, coisas assim, sabe?”, disse a capitã Lohane Ferreira. Eles estavam “falando como se o futebol fosse só para os homens, que as mulheres deveriam ficar em casa lavando a louça, como escravas dos homens. A maioria das jogadoras recebe este tipo de mensagem”.

Os resultados e as mensagens refletem os desafios enfrentados pelas jogadoras no país. Apesar de a seleção brasileira feminina ser competitiva na arena global e do sucesso internacional da atacante Marta, a única mulher escolhida como Jogadora do Ano pela Fifa seis vezes, a maioria das brasileiras passa apuros no mundo do futebol.

Até times veteranos são acusados de não oferecerem às equipes femininas os mesmos equipamentos ou instalações dos times masculinos, e a paridade salarial é um sonho distante. Taboão só conseguiu um campo de treinamento três dias antes do início do campeonato, e suas jogadoras arcam com quase toda a responsabilidade pelos preparativos, treinamentos e equipamentos.

“Não temos nenhum tipo de ajuda, nem chuteiras”, disse a meio-campista Alieni Baciega Roschel. “Todas as jogadoras têm que pagar pelo próprio equipamento. Elas pagam do próprio bolso para chegar ao treinamento. Cada uma delas gasta entre 20 e 30 reais por dia com transporte, algumas levam duas ou três horas para chegar em casa, algumas vêm direto do trabalho”.

Como muitos times brasileiros, o Taboão enfrenta dificuldades financeiras e está estudando se concentra todos seus recursos no time masculino no ano que vem — mas as jogadoras prometeram continuar jogando.



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