A um jogo de fazer história, técnico português do Salgueiro rejeita inspiração em Jorge Jesus

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Foto: Reprodução/TV Globo

Os seis anos de Brasil não foram capazes de suavizar completamente o sotaque e domar os “erres” acelerados de Daniel Neri. Português de Amarante, pequena cidade do norte do país europeu, o treinador se diz quase brasileiro, país onde fez família e construiu uma carreira de treinador – que chega ao ponto mais alto em 2020.

No comando do Salgueiro, Daniel está a um passo de conduzir um time do interior à conquista do Campeonato Pernambucano pela primeira vez. Nesta quarta-feira, precisa ganhar do Santa Cruz nesta quarta-feira. Para alcançar a história, no entanto, ele diz seguir seu próprio caminho, sem se inspirar em certo compatriota que fez sucesso nas bandas de cá.

Santa Cruz e Salgueiro se enfrentam às 21h30 desta quarta-feira, com transmissão da TV Globo para Pernambuco e Premiere para todo o Brasil.

Daniel descarta espelhar-se em Jorge Jesus, multicampeão no Flamengo e hoje no Benfica, acostumado a grandes palcos e orçamentos mais generosos para fazer futebol. Ambos, diz Daniel, compartilham pouca coisa além da nacionalidade. Se vencer, este português irá pelos próprios méritos.

– Essa questão… Cada um faz sua história. Jorge Jesus tem cabelo. Eu sou mau porque não tenho? Acho que não é por aí.

As origens de ambos são diferentes. Enquanto Jesus chegou como forasteiro num dos maiores clubes do país, passou pouco tempo e voltou para um clube gigante de Portugal, Daniel está no começo de sua trajetória – e tem uma conexão mais profunda com o Brasil. É casado com uma brasileira e tem duas filhas “portuguesas-pernambucanas”, como ele as define.

– Eu não me sinto gringo, não. Se você pegar, por exemplo, um menino de 14 anos que tenha nascido no Brasil, ele é brasileiro. Mas eu sinto que já tenho 16 anos de Brasil. Já sou um adolescente brasileiro. Para quem morou em dois países, chega uma altura que a gente não é só de um. A gente é dos dois.

Daniel Neri, apaixonado por bola desde que se entende por gente, sempre teve o interesse de vir ao “país do futebol”. Estudava na Universidade do Porto e, num programa de intercâmbio, tinha várias opções à sua frente. Poderia passar meses na Alemanha, na Inglaterra, na Espanha. Mas o destino com que ele sonhava estava a um oceano de distância.

O ano era 2004. O clube em que ele fez o primeiro estágio? Justamente o Santa Cruz, adversário da final desta quarta-feira.

– Estagiei por cinco meses no Santa. Péricles Chamusca era o treinador. Nilson, o goleiro. Tinha um atacante chamado Roberto. Que coisa interessante, não é? Agora chego a uma final no Salgueiro e encontro o primeiro time que tive contato no Brasil, que me abriu a porta, me acolheu e onde pude estagiar por alguns meses.

Confronto com Itamar

No outro banco de reservas, Daniel enfrentará Itamar Schülle, a quem trata com profundo respeito. Segundo o português, há uma grande distância entre as carreiras deles.

– Olhando para o treinador do Santa Cruz, que é um vencedor, tem vários títulos na carreira, nem me coloco próximo dele, porque a distância é enorme. É um treinador que já mostrou muito. Está em outro patamar.

Confiança no elenco

O tom de humildade com que se refere ao treinador adversário o abandona quando Daniel avalia o próprio elenco. Segundo ele, o time do Salgueiro tem capacidade técnica para quebrar o jejum que separa os times do interior da taça do Pernambucano.

– Tenho jogadores que são dos melhores que há em Pernambuco. Sou apaixonado por eles. São trabalhadores, talentosos tanto ou mais do que os outros. Dentro de campo, não vi elenco que fosse superior ao nosso. Essa é minha crença. Podem dizer o contrário, quem quiser, toda a gente tem o direito, mas lá dentro é o que se joga, não o que se diz.

De acordo com ele, levando em conta o que se joga dentro de campo, ninguém foi melhor que o Carcará nesta edição do Pernambucano.

– Lá dentro, não vi goleiro melhor que o nosso, zagueiro melhor que o nosso, laterais melhores que os nosso, meio de campo e ataque melhores, não vi. Agora, vamos jogar. É um jogo só. Espero que eles estejam inspirados.

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Amazonia 03 de Junho