Quando se pensa em financiamento vem logo um frio na barriga. Afinal, ele nasce de uma necessidade, mas a duração de empréstimo e o valor final a ser pago transformam o sonho da casa própria, do carro ou de uma viagem em um verdadeiro pesadelo. 

Comumente, o brasileiro mergulha em um financiamento com o objetivo de adquirir um imóvel para residência, mas a ideia da casa própria como sinônimo de segurança e tranquilidade, muitas vezes, é uma grande ilusão. Sobretudo, ao pensarmos que um imóvel residencial não pode ser considerado um investimento, mas, sim, um bem para uso.

Para entender melhor essa linha de raciocínio é necessário entender que investimento é um local onde se aplica um dinheiro e, após um tempo, consegue-se algum lucro com ele.

No caso de um imóvel comprado para residência, o dinheiro nele investido não retorna nem coloca comida em casa, paga plano de saúde ou tratamento médico. Também não paga lazer ou mesmo as contas básicas.

Então, se toda a reserva financeira feita ao longo da vida for o imóvel residencial, lembre-se que ele não é um investimento. Sem contar que um imóvel financiado só passa a ser de quem assumiu o financiamento após a quitação total da dívida, que pode durar mais de 360 meses, ou melhor, 30 anos da vida de uma pessoa.

Maior valor, maior tempo e maiores taxas

Mas ao adquirir um imóvel financiado, normalmente, este será o bem de maior valor ao longo da vida do comprador, e deverá comprometer o orçamento do mesmo por um longo tempo — por até 30 anos. Sem contar que além do pagamento das prestações, há os juros. Lembrando que no Brasil, as taxas de juros giram em torno de 10,36% ao ano, umas das maiores do mundo. 

Paciência e foco

Se não se pode fugir do financiamento da casa própria, a sugestão de especialistas é: em paralelo ao financiamento, tentar poupar dinheiro.


A segunda dica de ouro numa situação como essa é dividir o dinheiro que se consegue poupar. Uma parte merece ser usada para amortizar e/ou antecipar a quitação do financiamento. A outra, transformada em uma reserva de segurança para ser investida no mercado financeiro em médio ou longo prazo.

Um valor de reserva deverá ser (re)investindo constantemente, gerando assim outras oportunidades de ganhos. Afinal, quando se tem dinheiro em caixa investido, o dono do capital se beneficia das dinâmicas e ciclos do mercado financeiro. O que a longo prazo — de 5 a 10 anos — só faz multiplicar o patrimônio financeiro original. 

O problema do foco estar apenas no pagamento do financiamento e dos juros, muitas vezes as pessoas perdem os ciclos de investimentos e lucros do mercado financeiro. O que requer muita paciência e foco de quem está nesse processo.

E aí, vem a terceira sugestão: usar o tempo a seu favor. O financiamento (dívida) uma hora terá de acabar, mas o dinheiro que se acumulou ao longo dos ciclos e anos de investimento terá crescido, e é ele que possibilitará outros negócios, devido aos juros sobre juros que fizeram esse patrimônio financeiro ficar ainda maior.

Mas essa estratégia só será positiva se os juros que se ganha ao investir forem maiores que as taxas que se paga pelo financiamento. Prova de que o tempo, a curva de aprendizado e os ciclos de investimentos trouxeram lucros.

Quitar ou não o financiamento de um imóvel?


Uma estratégia também usada para as pessoas que estão com financiamento e investimentos correndo em paralelo é observar o melhor momento do mercado para priorizar um ao outro. Isto é, para aqueles que fazem investimentos a longo prazo os ciclos de mercado vão proporcionar momentos nos quais o seu patrimônio estará extremamente valorizado. Hora de “desinvestir” o dinheiro da aplicação e quitar o imóvel.

Para um financiamento de R$ 200 mil em 360 meses (30 anos), com uma taxa de juros de 0,78% ao mês. Ao término do contrato de financiamento, o tomador de crédito terá pagado cerca de R$ 480 a R$ 500 mil. Valor duas vezes maior do que o original do financiamento.

Ao fazer um aporte de R$ 50 mil, por volta da 23ª parcela do financiamento, para tentar diminuir o valor da dívida, o valor final do financiamento — já com os juros embutidos — deverá  girar em torno de R$ 415 mil.

Mas se o objetivo é pagar menos, o certo é usar o aporte de R$ 50 mil para diminuir o número de parcelas, sem diminuir o valor delas. Dessa forma, o tempo de financiamento diminuirá de 30 para 15 anos, e o valor final do financiamento não ultrapassará os R$ 345 mil.

Financeiramente falando, se a ideia é fazer um aporte de dinheiro, ou “quitar” ao máximo o financiamento, prefira diminuir o número de parcelas ao valor das prestações. Prova de que pequenos valores, quando bem investidos, geram rendas interessantes.

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Amazonia 03 de Junho