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quarta-feira, 01 dezembro, 2021
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Depois da Covid, a epidemia do assédio no trabalho

Por LIA RIZZO- VOGUE

Não será exagero dizer que, dentre os legados da pandemia, parece ter ficado para as relações de trabalho uma nova epidemia: a do assédio moral e sexual neste ambiente. Sim, durante o período de restrições, as denúncias de práticas desta natureza cresceram 187%.

Foi o que mostrou um levantamento da ICTS Protiviti, consultoria de gestão de riscos que administra canais de denúncias em companhias de diversos portes e segmentos no Brasil, que tomou por base as 106 mil denúncias registradas em 347 empresas ao longo de 2020.


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Entre mulheres, somente no último ano 26 milhões delas declararam ter sido vítimas de algum tipo de assédio ou importunação sexual, conforme o Fórum de Segurança Pública.

Destas, 12,8% afirmaram ter vivenciado esta situação no trabalho, sobretudo em forma de cantadas e comentários desrespeitosos.  O resultado, embora preocupante, não surpreende Andrea Cruz, CEO da consultoria Serh1, referência em gestão e transformação de cultura em ambientes corporativos. “Hoje o assédio chegou para ficar”, declara a executiva. “E as empresas precisam lidar com o tema de forma eficaz”.

Se no início da pandemia, com a implantação do home office, existia a expectativa de que algumas práticas e condutas inadequadas fossem coibidas, o que aconteceu foi justamente o contrário. Nesta entrevista, parte do especial que Vogue apresenta sobre a cultura do assédio, Andrea Cruz explica os principais pontos que alimentam essas situações e qual o papel das organizações no combate a esta conduta e na proteção das vítimas.

Reação à não prevenção


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“Costumo dizer que o assédio é resultado da falta de atitudes preventivas, de se estabelecer uma cultura forte de respeito, com clareza dos limites das relações entre líderes e liderados, pois a maioria das denúncias são contra gestores e gestoras”, afirma a executiva, lembrando que este deve ser um tema da organização como um todo, e não somente das áreas de recursos humanos, compliance, jurídico ou corporate affairs, que comumente ficam incumbidas de funcionar como canal para de denúncias. “O que vai prevenir o assédio é essa cultura de respeito fomentada por toda a organização”.

Atributos que definem assédio

Na legislação, para que determinadas condutas sejam entendidas como práticas de assédio – sexual ou moral – é preciso uma relação hierárquica. O que explica o porquê de as denúncias virem principalmente de subordinados contra lideranças. Porém, há outras características que corroboram para o entendimento da atitude assediadora. “São cinco atributos: amostra de violência psicológica, situações que gerem exclusão social da funcionária, critérios de humilhação, caráter repetitivo de conduta e, talvez o aspecto mais reconhecido, ações claramente abusivas e manipulativas”, lista Andrea.

É preciso dizer o óbvio

“O óbvio precisa ser dito porque partimos do princípio de que as pessoas já venham de uma educação que prega boas condutas. Porém, mesmo que se venha de uma família onde a educação doméstica tenha sido exemplar, alguns comportamentos podem levar a situações abusivas”, atenta a executiva. Para ela, é fundamental a clareza sobre os parâmetros de convivência, sobre o que não cabe no ambiente profissional e as situações que para uns possam ser corriqueiras, mas para outros podem configurar uma exposição desrespeitosa. “Por exemplo, venho de uma época em que era comum entre vendedores, se publicar um quadro de performance com o nome de cada um, como se esta fosse uma prática de competição saudável”, ilustra. “Hoje o mundo mudou mas, de novo, o óbvio precisa ser dito pois nem todos assimilaram essa mudança”.

Teto de vidro onde todos se observam

Essa mudança no mundo pode justificar o aumento de quase 200% no volume de denúncias durante o último ano? Para Andrea, são algumas as respostas a esta pergunta. Mas a principal delas, sobretudo no passado recente, é o fato de as denúncias extrapolarem a relação líder/liderada. “Hoje você vê queixas de clientes, fornecedores e parceiros – algo muito raro antigamente”, afirma. “O tema não é mais restrito, vivemos todos em um telhado de vidro onde todo mundo observa todo mundo”. A executiva destaca ainda o papel das redes sociais, onde muitos casos acabam divulgados massivamente. E, então, o impacto negativo que antes poderia ser restrito ao assediador, atinge também as marcas que possam parecer coniventes com o assédio.

Mulheres negras, as mais vulneráveis


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Andrea chama atenção para dois pontos. O primeiro diz respeito à evolução das denúncias: “muitas vezes a acusação é de uma atitude inadequada. Porém, na falta de tratativa, evolui para o assédio grave”, pontua. “Não à toa, governos vêm sendo pressionados para este tema antigamente mais focado nas organizações, especialmente por conta do aumento de feminícios”. Por fim, a executiva lembra que mulheres negras estão sempre em condição de maior vulnerabilidade: “em cerca de 52% dos casos de assédio no país, as vítimas são elas”. Um efeito do racismo estrutural nas relações, só percebido na análise interseccional das estatísticas. E algo que precisa ser considerado nas ações de combate à prática dentro e fora das empresas.

Rebeca Moraeshttps://www.cenariomt.com.br
Redatora do portal CenárioMT, escreve diariamente as principais notícias que movimentam o cotidiano das cidades de Mato Grosso.

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