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segunda-feira, 06 dezembro, 2021
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A inflação atinge a todos com o mesmo impacto?

Por Do R7

O que é a inflação? Se divulgam que o índice de inflação subiu 3% em um mês, significa que, na média, o preço de todos os produtos e serviços subiu só isso? Na verdade, é um pouco mais complicado.

O que os índices de inflação indicam é a média de aumento (ou queda) do preço de um determinado conjunto de produtos e serviços que são consumidos pelas famílias. E o cálculo leva em conta o peso de cada produto no orçamento das famílias.


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Se aumenta o preço de um serviço como a energia elétrica, que pesa muito no orçamento familiar, isso tem um peso grande na inflação. Mesmo se o valor subir pouco. Se dobrar o preço de um alimento que faz parte da cesta, mas é pouco consumido, como alface, por exemplo, o peso na inflação será bem pequeno.

O objetivo disso é mostrar com mais precisão quanto a renda das famílias consegue comprar, com base no seu padrão de consumo. Se em agosto a renda da família é, por exemplo, de R$ 1.100 e permite pagar todos os produtos e serviços de que a família necessita com mil reais, caso a inflação de agosto seja de 1%, em setembro (o mês seguinte) a família terá que gastar R$ 1.010,00 para pagar os mesmos produtos e serviços.

O que queremos mostrar aqui é que a inflação não atinge todas as famílias (e pessoas) da mesma maneira. Se o preço do tomate dobra, por exemplo, vai provocar um impacto maior mais em alguns do que em outros.

A diferença mais óbvia, é claro, está na renda. Quem ganha mais tem menos dificuldade para enfrentar qualquer aumento de preços. Mas não é só isso. Quem ganha mais tem um padrão de gastos diferente. Famílias de renda mais baixa gastam boa parte do seu orçamento na compra de alimentos. Já para as famílias de renda mais alta, o gasto com alimentos consome uma parte pequena da renda.


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O Banco Central divulgou um estudo sobre esse assunto, com base nos dados de 2020 da pesquisa do IPCA, considerado o índice de inflação do país. Os itens que mais pressionaram a inflação para famílias com renda de um a três salários mínimos (46,2% da população pesquisada no IPCA) foram carnes, cereais, leguminosas e oleaginosas e leites e derivados. Para as famílias com renda de dez a 40 salários mínimos (9,8% dos pesquisados no IPCA), os itens foram automóvel zero e, com exceção da Região Norte, planos de saúde e alimentação fora do domicílio.

A Fundação Getulio Vargas (FGV), que tem um índice de inflação geral, o IPC-BR (Índice de Preços ao Consumidor-Brasil), conta também com um índice próprio para a faixa de renda mais baixa, o IPC-C1 (Índice de Preços ao Consumidor-Classe 1). Em setembro passado, enquanto o IPC-BR foi de 0,82%, o IPC-C1 foi de 0,89%, o que mostra que os aumentos de preço de alimentos ainda estão impactando o orçamento dos mais pobres.

O professor da FGV Mauro Rochlin explica: “Neste momento em que o preço dos alimentos aumenta fortemente e também o preço de alguns produtos que pesam muito no orçamento de famílias de baixa renda aumenta muito, como, por exemplo, é o caso do gás, isso significa que para pessoas de menor poder aquisitivo a inflação tem sido mais pesada”.

Se a principal diferença está na renda, não é a única. A faixa etária também muda o padrão de consumo das pessoas. A mesma FGV tem um índice de inflação específico para os idosos, o IPC-3i (Índice de Preços ao Consumidor-Terceira Idade), que apura a variação de preços para famílias compostas majoritariamente de pessoas com mais de 60 anos. Uma parcela da população que tende a ser cada vez maior.

No IPC-3i, um item como o preço dos planos de saúde tem um peso muito maior no cálculo da inflação dessa faixa etária do que nos índices usados para medir a inflação geral da população. Porque os planos de saúde são mais caros para os idosos, que costumam ter uma queda de renda após a aposentadoria. Então, o gasto com plano de saúde consome uma parcela maior da renda. Um aumento de preço nesse item tem impacto grande no orçamento.

No primeiro trimestre deste ano, o IPC-3i ficou em 1,54%, abaixo do 1,81% registrado para a população em geral, no IPC-BR da FGV. Provavelmente porque o aumento no preço dos alimentos impactou mais o índice geral. Mas, no acumulado dos 12 meses anteriores, o IPC-3i foi de 6,2%, comparado a 6,1% do IPC-BR.

Outras diferenças contam no cálculo da inflação. Se você compra roupas mais caras ou com mais frequência que seu irmão, por exemplo, o impacto do aumento de preço das roupas será maior para você que para ele. Se seu irmão sai mais à noite e vai a bares e restaurantes, o aumento de preço de bebidas e alimentação fora de casa vai pesar mais para ele.

Na verdade, cada pessoa tem a “sua” inflação, e só a pessoa sabe dizer como os aumentos de preço impactam sua renda. Mas os índices de inflação são uma ferramenta importante para aferir como, na média, a inflação está impactando a vida dos brasileiros. E para guiar as políticas públicas para lidar com o problema.


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Rebeca Moraeshttps://www.cenariomt.com.br
Redatora do portal CenárioMT, escreve diariamente as principais notícias que movimentam o cotidiano das cidades de Mato Grosso.

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