PSL: Novos embates intensificam crise no partido

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As últimas semanas se tornaram tensas dentro do Partido Social Liberal (PSL), do qual o presidente Jair Bolsonaro faz parte. Um racha separa aliados do presidente (Bolsonaristas) de um lado, e aliados do presidente do partido Luciano Bivar (Bivaristas de outro).

As brigas envolvem principalmente o controle do PSL e das altas verbas do fundo partidário e do fundo eleitoral. Com isso discute-se a permanência de Bolsonaro e de vários deputados no partido.

Com a extrapolação, a disputa que deveria ficar dentro do partido agora atinge a articulação política do governo do presidente no Congresso Nacional. Outro prejuízo para Bolsonaro é a dificuldade de emplacar o seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL – SP) para a embaixada brasileira em Washington (EUA) que agora segue suspensa.

Ontem o cenário se tornou mais difícil após o vazamento de áudios associados ao deputado federal e líder do PSL na Câmara, Delegado Waldir (GO) em que afirmou que “iria implodir o presidente Jair Bolsonaro e ainda o chamou de ‘vagabundo’”. Tal declaração foi proferida pelo deputado após a articulação que havia sido feita para uma possível troca de liderança da sigla na Câmara, em que Waldir daria lugar a Eduardo Bolsonaro.

Waldir declarou Eu vou implodir o presidente. Aí eu mostrarei a gravação dele. Eu tenho a gravação e não tem conversa. Eu vou implodir o presidente e acabou. Acabou o cara. Eu sou o cara mais fiel a esse vagabundo. (…) eu andei no sol em 246 cidades, andei no sol gritando o nome desse vagabundo”. No áudio, o delegado afirmou que “em janeiro eu saio. Agora, se ele insistir comigo, eu irei implodir ele”, declarou em um outro trecho da gravação.

Embora parte dos deputados do PSL tenham assinado um documento a favor do afastamento de Delegado Waldir, o deputado permanece na liderança do partido. Com essa vitória Eduardo Bolsonaro ficou enfraquecido e prejudicado quanto aos planos da Embaixada nos Estados Unidos.

Afastamento de Joice Hasselmann

Além do mal-estar provocado entre Delegado Waldir e Jair Bolsonaro, ontem mais um episódio ruim foi registrado no PSL. A deputada federal Joice Hasselmann (PSL – SP) foi afastada do posto de líder do governo na Câmara Federal. A sua “alforria” – como ela mesmo chegou a se referir a imprensa – se deu após ir contra o “jogo” de Eduardo Bolsonaro.

Ela disse “Eu já esperava que houvesse algum tipo de retaliação porque não quis fazer o jogo que tinha sido proposto pelo Eduardo Bolsonaro e mais um grupo de deputados que desejavam implodir o partido. Até porque isso acaba ferindo a palavra que foi dada pela maioria do partido a pedido do próprio Eduardo ainda no começo de nosso mandato. Eu mesma me coloquei contra. O Eduardo pediu e veio conversar para sugerir Waldir. Para apaziguar, demos a palavra que durante este ano ele então seria o líder. Não dá para mudar a palavra conforme os ventos”, salientou.

Ao ser questionada se ela se sentia traída, já que soube de sua dispensa através da imprensa comentou “Eu não me sinto traída, apesar que tenha sido uma traição clara, de quem trabalhou pelo governo, pelo presidente, de quem rodou esse país pela Reforma da Previdência. Então, é claro, uma traição absolutamente clara. Mas eu deixei também de forma muito franca que jamais seria a primeira a trair. Porém eu sabia que mais cedo ou tarde eu seria traída, porque é o modus operandi”, finalizou.

Desta forma, com todos os embates a troca de cadeiras ficou assim definida até o momento:

Líder do governo no Congresso Nacional – Senador Eduardo Gomes (MDB – TO)

Líder do governo no Senado Federal – Fernando Bezerra Coelho (MDB – PE)

Líder do governo na Câmara Municipal – deputado Major Vitor Hugo (PSL – GO).

Saída de Bolsonaro do PSL

Com a crise acirrada após o afastamento de Hasselmann da liderança do governo na Câmara, Bolsonaro voltou a fazer declarações sobre a sua provável permanência no PSL. O presidente disse “Eu não gostaria de sair, mas caso seja necessário vou seguir a minha linha e tenho certeza que a maioria do partido vai continuar comigo caso eu venha a sair do partido”, afirmou em uma entrevista concedida a uma emissora de Santa Catarina (RICTV Record) e ainda completou “A maioria honra o compromisso de campanha. Infelizmente uma minoria não, porque já se enveredou por outro caminho”, afirmou.

Ainda sobre a crise dentro do partido, Bolsonaro voltou a declarar que o que deseja é que tenha mais transparência “Estamos com um problema no momento e bastante grave. O que eu quero é transparência e nada mais além disso”.

Embora o presidente tenha atuado de forma pessoal e ligado para os parlamentares pedindo a eles que assinassem a lista para destituir o Delegado Waldir preferiu não fazer nenhuma declaração a respeito.

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Amazonia 03 de Junho