A eleição suplementar para o Senado em Mato Grosso, marcada para 26 de abril, é apontada por lideranças políticas como um teste para o bolsonarismo e para as eleições municipais de outubro, especialmente pelo fato de o Estado ser visto como conservador.

A vaga aberta com a cassação do mandato da ex-juíza Selma Arruda (Podemos), por abuso de poder econômico e Caixa 2 na campanha eleitoral.

Conhecida como “Moro de Saia” por sua atuação como juíza, ela foi eleita pelo PSL com apoio de Bolsonaro.

Com apenas um mês de campanha em rádio e TV — entre 23 de março e 23 de abril —, os partidos avaliam que candidatos já conhecidos do eleitor, a campanha em rede social e a capilaridade de mobilização serão fundamentais. Há, também, estimativa de uma abstenção alta, na casa de 40%.

O DEM oficializou o nome do ex-governador Júlio Campos, de 73 anos, como pré-candidato. Ele tem a vantagem de ser conhecido pelo eleitorado, mas leva a pecha de ser da “velha política”.

Júlio é irmão do senador Jayme Campos (DEM) e tem o respaldo da cúpula da legenda, incluindo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

Com a definição do DEM, o governador Mauro Mendes, do mesmo partido, ficou em uma saia justa. O seu vice, Otaviano Pivetta (PDT), é pré-candidato.

Carlos Fávaro (PSD) integrava o Governo, mas pediu exoneração para se dedicar à eleição. Fávaro ficou em terceiro lugar em 2018 e conseguiu uma liminar no Supremo Tribunal Federal (STF) para ocupar a vaga de Selma interinamente. No entanto, o Senado ainda não a afastou do cargo. O governador tem sido cobrado a ficar neutro.

“Por enquanto, eu estou aguardando o fechamento das convenções para saber quem, efetivamente, será candidato para fazer uma análise política de conveniência, de oportunidade”, disse Mendes.

Um nome que surgiu nos bastidores como possível candidato é o do ex-governador Pedro Taques (PSDB), que foi senador entre 2011 e 2014.

No entanto, o PSDB lançou o ex-deputado Nilson Leitão, e Taques teria que trocar de partido. Leitão e Taques têm divergências desde 2018, quando ambos fracassaram nas urnas.

O grupo do ex-governador aguarda o resultado de pesquisas e de um consulta à Justiça Eleitoral, mas avalia que mudar de legenda pode ser possível.

A base seria um parecer sobre flexibilização do prazo de filiação partidária neste tipo de eleição elaborado pela área técnica do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT).

Aliado de Bolsonaro, o deputado José Medeiros (Podemos) é pré-candidato. Vice-líder do Governo na Câmara e atuante nas redes sociais bolsonaristas, Medeiros quer a “benção” do presidente.

Também deputado, Nelson Barbudo (PSL) se lançou, mas deve ter sua candidatura barrada porque já declarou que deve se filiar ao Aliança pelo Brasil, partido em fase de criação por Bolsonaro.

“A escolha do candidato ao Senado será do diretório estadual, mas Nelson não pode ser o candidato porque ele optou se filiar ao Aliança”, afirmou o presidente do PSL, Luciano Bivar.

As lideranças do agronegócio também estão divididas. Principal nome deste grupo, o ex-ministro da Agricultura, Blairo Maggi, disse que “está fora da politica” e evita se pronunciar.

Um grupo de centro-esquerda formado por PT, Pros, PCdoB, Rede, PSB, PV, Solidariedade e Unidade Popular decidiu fazer uma pesquisa para definir os nomes para compor a chapa.

O resultado deve sair dia 8 de março. Se a união se concretizar, será inédita.

Cidinho e suplência de Pivetta