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quinta-feira, 16 setembro, 2021
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Coisa boa é asinha de frango

Por Paulo Cesar

Num belo sábado, saíram quatro pescadores com a meta de pescar o maior peixe possível. Três destes não sabiam se quer, iscar o anzol, pegar um peixe, seria a glória. Já o quarto foi criado na arte da pesca. Sabia tudo sobre iscas para cada peixe, horários e outras manhãs.
Reuniram-se e partiram rumo ao glorioso dia que prometia mesa farta após a pescaria. Por precaução a mulher de um deles encomendou pizza.

Tralha toda arrumada partiram para o rio. Num determinado trecho Marcos fala; – outro dia passando aqui, vi uma anta, deveria ter uns duzentos quilos, era muito grande. Nisto, Paulo que estava com ele diz; – cara, nem começamos a pescar e você já está mentindo, ontem falou que era um tatu, hoje diz que é uma anta. E continuou: – Menos né Marcos, espere acabarmos de pescar, depois você fala seus exageros, disse Paulo. Foi aquela risada geral.


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Quatro amigos se reuniram e foram pescar. A “tralha estava completa”, tinha iscas, equipamentos, cadeiras, facas, cervejas, baralho de truco, tinha até vara de pesca. Pinga para picada de cobra (cobra vai que não aparecesse uma). E saíram, numa altura da estrada, Marcos pergunta; – o que foi comprado de carne? Zé responde, – uns pedaços de bife, uma costela e asinha de frango. Silêncio geral, era primeira vez que Zé foi pescar com o pessoal. Ele mesmo estranhou e perguntou; – que foi, algo errado? A resposta foi uma só; – pescador não come “asinha” de frango, costela sim, mas “asinha” não dá. Pararam num supermercado e compraram uma picanha.

O lugar não era longe, uns trinta quilômetros. Depois da parada no supermercado, para comprar a carne de pescador, saíram, cada qual com sua gelada na mão. Passados cinco minutos, as latinhas já estavam secas e todos querendo outra. Porém, com a garganta seca não dá. Então Paulo pede para fazer xixi. Pura mentira. Quando o carro parou, todos desceram e foram para a parte de trás, abriram a porta e cada um pegou uma cerveja. Nenhum deles fez xixi. Mas isto não importa, qualquer um contaria a mesma balela, para “reabastecer”.

Depois de poucos minutos, chegam ao destino. Param o carro, descem e começam a tirar as tralhas. O lugar pareceu perfeito, muitas árvores, um barraco improvisado erguido com restos de paus da mata. Tinha uma lona de teto. Churrasqueira com pedras. Aquele rio largo, cheio, assim; o paraíso dos pescadores. Tinha até um barco, meio velho, segundo Jonathan, de um dos “sócios” do barraco de pesca. No mais compunha a paisagem, muitos pássaros, araras, periquitos, mosquitos aos milhares. Mas tudo bem, o repelente estava na mala.

Quase tudo pronto para a pescaria, churrasqueira acesa, cerveja na sombra com muito gelo. Sertanejão comendo solto no rádio. As iscas querendo fugir do calor. Molinetes a postos e vamos acabar com os peixes deste rio.


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Um dos pescadores novato era Marcos, das cinco primeiras vezes que arremessou o molinete, não errou um galho de árvore. E a gozação corre solta; – cara você veio no lugar errado, aqui nós pescamos, não caçamos aves. Outro para não ficar atrás diz; – pois é, mas as araras já estão desviando o local, tá parecendo Rio de Janeiro, com as balas perdidas. E completa; – porém aqui é com anzol sem rumo.
Mas tudo bem, o que vale mesmo é o companheirismo, a farra, a pesca em si é uns cinco por cento da diversão.

E a pescaria foi daquele tipo, Jonathan foi pegando uns poucos, os outros olhavam. Marcos o “enroscardor” de anzol, continuava num ritmo louco, não errava um galho. Às três da tarde o sol tava pegando com vontade, então muito protetor e cerveja para “hidratar”. Passado uma hora e nada de pegar algo para beliscar, “dona churrasqueira” começou garantir a barriga cheia do pessoal. Marcos tava na boleia, a picanha cheirava gostosa, dominava esta arte melhor que o molinete.

Logo estavam reunidos a mesa e saboreando um dos prazeres da pescaria. Bater papo, tomar umas, comer carne assada (mas não asinha de frango) e jogar truco. Pescaria que se preze passa por este ritual. “Um tempo depois de truco, seis ladrão do meus tentos” e outros termos comuns. Um, com a cabeça cheia de “cangibrinas” foi tirar um cochilo. E outro lá firme, contava com dez arremessos e dez anzóis perdidos. Quem poderia ser? Marcão.

A pescaria não estava rendendo o esperado, então resolveram pescar na outra margem. Iriam de barco. Quer dizer, um mais bêbado, chamou outro “moiado” e foram. O rio era largo, uns vinte metros, profundo, uma correnteza no meio que puxava forte. Jonathan, o mais velho de pesca disse; – confie no comandante aqui e você Zé, apenas reme. Se tivesse uma mãe, mulher, filha de qualquer um dos pescadores, não deixaria os tripulantes saírem. O barco era de madeira, tinha já alguns séculos de existência. Segundo Marcos, os irmãos Villas Bôas desbravaram grande parte do país, naquela que já foi uma voadeira. Porém, hoje não passa de uma tartaruga enferrujada.

Feito toda logística, colocar cerveja em uma caixa de isopor, pegar as iscas, molinete, levar um gole de pinga (vai que tem cobra do outro lado). Sobraram dois no “barranco”, um foi olhar a churrasqueira, o outro foi procurar a mais tocada nestas ocasiões, Boate Azul, um hino.

Já estava ficando tarde, não custava ir ajuntando as tralhas. E Paulo começou a fazer isto, no outro lado, trepado na árvore, Marcos xingava não se sabe quem, mas o motivo todos tinham certeza, havia mais um anzol enroscado.

Chegando ao outro lado, encostaram e começaram a pescar. Jonathan confiante, experiente e de carretilha esnobava, olha lá, era uma atrás da outra, a isca no mesmo lugar. E Zé na dele, jogava o molinete e nada.
Do outro lado, enfim Marcos conseguiu lançar sem enroscar. Deu um grito de alegria, nisto sentiu a fisgada, puxou puxou e nada. Paulo não perdeu a oportunidade e disse; – enroscou num toco.

Não era dia do Marcos, foi seu último anzol.
Zé chateado com suas asinhas de frango, pegou uma que tinha escondido e colocou no molinete. Jogou, bateu e sentiu uma pegada forte. Jonathan gritou; – puxa que é dos grandes, Zé achou que tinha enroscado. Que nada, nisso salta um trairão, daqueles de fotografia, lindo, de fazer inveja a Jonathan.


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E foi trabalhoso tirar o bicho, não se entregou fácil, relutou, pulou, “esperneou”, até que vencido, “pranchou”. Interessante é que os “manguaçados” se equilibrar no barco.
Depois de um tempo e muito esforço, conseguiram colocar o bicho no barco. Trouxeram a outra margem e foi foto para todo lado. Cada qual queria posar de “pai da criança”.
Já estava escuro, a pinga tinha acabado, então era melhor levantar acampamento rápido, vai que aparece uma cobra. Limparam rapidinho o peixe e pé na estrada. Precisavam mostrar a todos o feito.

Em casa, a mulher de Marcos o esperava com uma frigideira pronta para fritar os peixes que pegassem. Seria preciso na verdade um tacho.

Como estavam no mato e não tinha net, mandaram as fotos quando ainda estavam na estrada. Não demorou muito e os “gozadores” de plantão começaram; – pagou quanto o quilo, é foto shop, estava amarrado há quantos dias, esse é o mesmo peixe que você exibe a três pescarias, eu vi você comprar ele hoje cedo, estas só algumas das gozações.
Porém, Zé sorria satisfeito em meio a todos e pensava, eita asinha de frango boa, não faltará em minhas pescarias.

Paulo Cesar


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