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quarta-feira, 14 abril, 2021
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Mulheres são protagonistas na pecuária de Mato Grosso

Fazendeiras, profissionais qualificadas, mães e esposas, empresárias, cientistas, elas realmente podem tudo que quiserem, inclusive ser exemplo de sucesso. Conheça a história de Teia, Larissa, Eloisa e Kamila
Por portal Nelore MT

As mulheres são muito mais que números na pecuária do Brasil e de Mato Grosso. Embora alcancem 45% em presença no campo (entre pecuária e agropecuária), segundo pesquisa realizada pela Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), elas despontam como empresárias determinadas a transformar suas propriedades em modelo de sucesso e sustentabilidade.

Maria Ester Tiziani Fava, 56 anos, administradora, é um exemplo daquelas que arregaçam as mangas e vão para a lida. Filha de agricultores, ela nunca se considerou “sexo frágil”. E por causa do seu desempenho ímpar à frente da Fazenda Estrela do Sul, no município de General Carneiro, obteve reconhecimento nacional: foi eleita pela Revista Rural, na categoria bronze, uma das propriedades mais sustentáveis do país.


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Essa vitória veio de uma indicação da ONG TNC (The Nature Conservancy), em dezembro de 2018. A mesma instituição a incentivou, no ano seguinte, a se inscrever ao Prêmio Mulheres do Agro, realizada pela multinacional alemã Bayer, em parceria com a ABAG. Novamente “Téia”, como é chamada, teve a história selecionada entre as 9 premiadas, ficando em 3º lugar no Brasil, na categoria grande propriedade.

“Esses dois prêmios vieram mostrar que estamos no caminho certo, sou muito ligada ao conceito de sustentabilidade”. Ela conta que este desafio surgiu do projeto Campos do Araguaia (feito através da Liga do Araguaia), quando recebeu assessoria e assistência técnica para deixar a fazenda ambientalmente correta. “Engatinhamos ainda, temos que reflorestar alguns pontos, fechar nascentes, mas estamos fazendo sistematicamente”, afirma Téia, que representa a regional do Vale do Araguaia – Médio Araguaia na diretoria da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat).


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 Larissa Milani Zem Dionysio, 33 anos, é médica veterinária formada pela PUC do Paraná, especialista em Nutrição Animal e Gestão do Agronegócios, além de mãe, esposa, uma curiosa e apaixonada pela pecuária.  Apesar da pouca idade, faz as vezes de liderança, atuando como vice-presidente da Associação dos Proprietários Rurais da Serra de Ricardo Franco (AproFranco) e membro da diretoria Associação Campos do Guaporé.

“Penso que o nosso principal desafio como mulheres do agro é o mesmo que o dos homens: produzir mais e ser mais competitivas, apesar de todas as questões envolvendo segurança jurídica e ambientais, que são muito pesadas. É trabalhar para tecnificar o campo e vencer diariamente as dificuldades. Nunca me deixei abalar por nada, aliás, sento com fazendeiros que me viram “nos cueiros” e converso de igual para igual sobre a fazenda”.

Larissa cresceu ajudando o pai na propriedade. “Vínhamos de Curitiba para o Mato Grosso nas férias, meu pai ficava na parte administrativa, mas eu acordava às 4h para acompanhar e observar os funcionários na lida com o gado, era uma alegria quando tinha que trocar o gado do pasto, andávamos muito, a sede era longe e tinha que comer de marmita no pasto. Essa diversão me ajudou a entender o trabalho dos vaqueiros, é uma brincadeira que contribuiu muito para a minha formação como pessoa, mulher e profissional”.

Movimento Agroligadas – Outra mulher de destaque na pecuária é Eloisa Maria Alves El Hage, 47 anos, médica veterinária, que sempre trabalhou na assistência da fazenda com reprodução e produção, é empresária, mãe, pecuarista e esposa do vice-presidente da Associação dos Criadores Nelore de Mato Grosso (ACNMT), Alexandre El Hage. Como toda mulher, adaptou-se bem às múltiplas funções, pois também está como 2ª tesoureira da Diretoria da Acrimat e integrante da Comissão da Agroligadas.

“Sou pecuarista desde 1999, quando me formei na Universidade Federal de Uberlândia, antigamente, o agro era um ambiente mais masculino e machista, hoje, nós estamos ocupando praticamente todos os espaços, em menor número ainda, mas conquistamos por mérito funções como gestoras, técnicas, prestadoras de serviço e produtoras, porque somos cuidadoras, detalhistas, dedicadas, predicados que vêm nos ajudando a crescer e nos estabelecer”.

Eloisa explica que o projeto Agroligadas tem três anos e é muito importante para o setor, pois é um movimento de mulheres do agro (que envolve pecuaristas, agricultoras, técnicas) que busca através da educação e da comunicação fazer um elo positivo, conectando o campo e à cidade. “Sou coordenadora do programa de rádio que uma vez por semana traz convidados de destaque regional e nacional, gerando produção de conteúdo qualificado e promovendo o empoderamento feminino”.

Inspiração na universidade – A história da professora Kamila Andreatta, 40 anos, é sem dúvida inspiradora. De família humildade do interior do Espírito Santo, graduou-se zootecnista pela Universidade Federal de Viçosa, fez mestrado e doutorado em Nutrição e Produção de Ruminantes também pela UFV e hoje coordena o Núcleo de Estudos em Pecuária Intensiva (NEPI) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), campus de Sinop.

Ela está desenvolvendo duas pesquisas importantes para a pecuária mato-grossense, em uma parceria com a Associação Nelore. “Ainda há preconceito de achar que para trabalhar com bovinos tem que ter força física, tem que ser machão, mas não é bem assim, hoje, o fator mais importante é o conhecimento”. Nos anos 2000, em torno de 50% das alunas eram mulheres, mas atualmente Kamila afirma que são a maioria na universidade.

“Respeito a história de cada uma, eu tive que lutar muito para chegar onde cheguei, consegui me fazer respeitar e alcançar um status de ser ouvida, mas para inúmeras mulheres isso não é e não foi possível ainda, não vejo como fraqueza, elas simplesmente não deram conta de aguentar, porque acontece de sermos assediadas, de não nos dar crédito pelo que fazemos ou falamos, são frequentes as demissões após a licença-maternidade ou então ganharmos menos que os homens. Não, não é fácil”.

Kamila despertou para o amor ao agro na infância, quando passava as férias com os avós. “Sempre tive uma visão acolhedora do ambiente rural, no início quando meus pais me viram fazendo estágio, limpando estábulo, carregando peso para tratar animais, toda suja e fedendo a fezes, questionaram se era isso mesmo que eu queria, sim, era, sou muito feliz e é um desafio saber que inspiro outras meninas e mulheres. Acho que quando fazemos o que amamos não há limites, superamos qualquer obstáculo para construir nossos sonhos”.

  


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