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quarta-feira, 14 abril, 2021
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Milho está causando alta de preços da carne, do ovo e do etanol

Por CENÁRIOMT COM INF. REPÓRTERMT

Desde o mês de fevereiro o mato-grossense tem se deparado com o custo de vida cada vez mais alto. A carne bovina está com preços de assustar, o frango e o porco estão numa escalada de valorização e nem mesmo o ovo está a salvo.

Nos postos de combustíveis percebemos que nosso dinheiro vale menos e os veículos saem dos pátios cada vez com o tanque mais vazio.


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O vilão que tem deixado ‘a vida mais cara’ e influenciado nos preços de todos esses produtos é o “milho”, que teve uma safra desfalcada no Brasil no ano de 2020, porém, com alta procura, agregando valor à commodity, que em determinado período teve um aumento aproximado de 110% no valor da saca, que atualmente anda variando muito.

Conversamos com o vice-presidente da Abramilho – Associação Brasileira dos Produtores de Milho e diretor administrativo da Aprosoja MT – Associação dos Produtores de Soja e Milho de MT, Zilto Donadello.

O produtor explicou que, diferente do que se imagina, no ano de 2020 o Brasil exportou menos milho do que 2019, porém, ressaltou o desfalque da produção de milho da região Sul, que teve problemas na Safra, além de a demanda pelo produto internamente ter sido significativamente maior, tanto pelos produtores agropecuários, que devido à pandemia, produziram mais, quanto pelas usinas de etanol, que hoje em MT são cinco em funcionamento e duas em construção.

“O ano passado (2020) o Brasil exportou menos milho do que 2019, mas a pandemia fez o consumo de carnes, em geral, aumentar em todo país, gerando maior produção pecuária, consequentemente, mais demanda por milho, que é usado como farelo de engorda para os animais”.

A procura pelo produto para produção de etanol também foi superada em cinco milhões de toneladas, se comparado com o ano anterior, além da demanda internacional, mesmo faltando no mercado, agregando valor ao cereal.


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“O milho de Mato Grosso era barato, pois, era de segunda safra e descia sentido Sul para o Porto de Santos, Paranaguá, consumo interno de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, que tem as Agroindústrias, mas com a implantação das usinas de etanol em Mato Grosso, sendo cinco de milho e uma flex, a demanda aumentou e tirou o milho do mercado. Além da demanda internacional pelo cereal, que já estava em falta, fazendo o preço subir”.

Zilto ressaltou que outro grande problema foi a queda brusca da safra de milho no ano passado na Região Sul, Paraná e Santa Catarina, que são os grandes consumidores de milho hoje no país, que para suprir a falta, os produtores buscaram o produto aqui no Centro-Oeste, contribuindo para a escassez do grão no mercado e aumento do preço.

Para a segunda safra, que deveria ter começado o plantio no início de janeiro deste ano (2021) e teve um atraso de quase dois meses devido ao atraso da safra de soja e o período chuvoso, as perspectivas são muito preocupantes, pois, até o momento, apenas 57% do plantio de milho foi feito nesse período que é considerado o ideal para a plantação.

Parte do restante da produção vai ficar fora do período ideal de plantio, consequentemente sem a tecnologia empregada dentro do período correto, o que pode prejudicar a quantidade e qualidade do grão colhido. Isso se as chuvas não atrasarem mais o final do plantio ou até mesmo impedirem, ou estragarem as lavouras, o que poderia deixar a safra de 2021 numa situação pior do que 2020.

Sem contar que a Região Sul do país, este ano, teve novamente uma produção ruim. Eles consomem quase 7,5 toneladas de milho no ano e, segundo as expectativas, a safra não chegou a três milhões de toneladas, o que pode novamente ocasionar escassez do milho no mercado.

“O milho nós só vamos ver na colheita, e tomara que chova, mas não gere muito problema. Quando o plantio começa no início de janeiro a colheita começa no início de junho, mas com esse atraso a colheita deve começar no final de junho e entrar julho e agosto colhendo milho”, contou.

Há esperança de que com a safra de milho norte-americana, que começa o plantio em abril, e colheita prevista para setembro, disputando o mercado internacional, o valor do cereal aqui no Brasil pode sofrer baixa e ajudar na estabilização dos preços dos derivados citados no início da reportagem e dar um respiro no bolso do mato-grossense.

“Quando o agronegócio vai mal os primeiros a sentirem as consequências, com a alta de preços, é a população urbana. Se o campo vai bem tem alimento, carne com preço mais baixo, mas se o campo vai mal é isso que está acontecendo aí. Então é bom o povo da cidade rezar para o homem do campo ter uma colheita consolidada e parar de criticar o agronegócio”, advertiu Zilto.


Dayelle Ribeirohttps://www.cenariomt.com.br
Redatora do portal CenárioMT
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