Agropecuária, logística e meio ambiente foram temas tratados nesta terça-feira (02.02) pelo secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, César Miranda, em entrevista ao Canal Terra Viva. O Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) do Estado nacionalmente, foi de R$ 134,3 bilhões, o que corresponde a 15,4% do total nacional, que foi de R$ 871,3 bilhões.

Miranda atribui o recorde à intensificação de investimentos no setor agropecuário e à agregação de valor. “Nos últimos anos houve um investimento maciço nas usinas de etanol de milho, hoje temos nove indústrias operando no Estado. A partir daí, criam-se cadeias produtivas, como de reflorestamento, por exemplo, aumenta-se a área plantada de milho. Tudo isso, com a parceria do Estado faz a agricultura de Mato Grosso mais pujante e interfere positivamente no VPB”, explica.

Para um bom desenvolvimento do Estado que é forte produtor de commodities, é necessário investimento em infraestrutura e logística. “O governador Mauro Mendes lançou no ano passado o maior programa de investimentos da história, o Mais MT, que neste ano destina R$ 2 bilhões de recursos próprios para investir em pontes e asfaltamento de rodovias estaduais, são mais de mil quilômetros sendo asfaltados”, afirma César Miranda.

Ele também cita as ferrovias que são relevantes para o transporte de cargas, como a Ferrogrão, que vai de Sinop a Miritituba (PA), e também a Ferrovia de Integração Centro Oeste (FICO), do estado de Tocantins até Lucas do Rio Verde, além da Ferronorte, que sai de Rondonópolis e se integra à Malha Paulista, levando a produção aos portos do Sudeste e do Sul – e há projeto de investimento para ampliação dos trilhos até o município de Nova Mutum.

“São projetos de curto e médio prazo que estão sendo acompanhados pelo Governo do Estado, que busca destravar a burocracia para que se tornem realidade. Acredito que a questão da logística já é página virada em Mato Grosso. É claro que ela precisa melhorar, mas não é mais o atrapalhador do crescimento da nossa produção”, afirma Miranda.

O secretário de Desenvolvimento Econômico também ressaltou a possibilidade do modal aquaviário, pelo Rio Paraguai, em Cáceres. “Há um porto operando e o Governo do Estado tem investido recursos na construção da Zona de Processamento de Exportações (ZPE) que facilita aos investidores. Assim, trabalhamos em várias frentes para tornar Mato Grosso mais atrativo para negócios”.

Defesa sanitária também foi tema da conversa. O planejamento para tornar Mato Grosso um estado livre de febre aftosa sem vacinação até 2026 foi explicado pelo secretário César Miranda. “O Governo do Estado, por meio do Indea MT, participa do grupo gestor deste planejamento federal. Temos investido o necessário para que aquilo que foi estipulado pelo Ministério de Agricultura e Pecuária seja cumprido. Isso será muito importante porque poderemos acessar novos mercados para a carne mato-grossense”.

Miranda ainda explicou a Instrução Normativa 001/2021, que atualizaram as medidas fitossanitárias para prevenção e controle da ferrugem asiática da soja no Estado. “É importante frisar que não se mexeu em prazos de plantio e nem período de vazio sanitário. Foi uma atualização sem tirar o foco da prevenção fitossanitária”.

Mato Grosso está conquistando cada vez mais mercado internacionais, sendo a China um dos principais parceiros comerciais. “Nossa relação comercial com a China deve crescer nos próximos anos, pois a classe média do País está aumentando e o mercado consumidor cresce. Estão aumentando o rebanho de suínos e terão que consumir cada vez mais soja e milho para transformar em ração”, explica Miranda. Além disso, o Estado também trabalha com outros mercados asiáticos e do Oriente Médio.

Para finalizar a entrevista, Miranda explicou as ações do Governo do Estado em relação às queimadas que atingiram o Pantanal no ano passado. “Foram mais de R$ 300 milhões aportados para a pecuária pantaneira por meio do Fundo Constitucional do Centro Oeste (FCO). Além disso, o governador Mauro Mendes editou um decreto junto com a Secretaria de Meio Ambiente que permite a limpeza de pastagem para que a não ocorra novamente o acúmulo de massa que tornou os incêndios quase incontroláveis”.