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terça-feira, 27 outubro, 2020
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Debate mostra ligação entre Floresta em Pé e Qualidade de Vida

A Webinar teve a presença de médicos e pesquisadores que mostraram a importância da biodiversidade e conservação das florestas para a saúde física e mental dando ênfase ao momento da epidemia mundial de Covid-19
Por CenárioMT

A Ligação entre Floresta em Pé e qualidade de vida foi assunto de debate durante a Semana do Meio Ambiente. A webinar, realizada na última sexta-feira (05.06), foi transmitida ao vivo pelo YouTube e teve como tema central a importância da biodiversidade preservada para a saúde da população e para o controle de doenças tanto físicas como psicológicas, dando especial atenção ao momento que o mundo está vivendo pela epidemia da Covid-19.

A médica Thais Mauad, professora da Universidade de São Paulo e que atua principalmente com patologia pulmonar e ambiental, com ênfase em asma, mostrou estudos conduzidos pela USP que relacionam a importância da biodiversidade e a influência na saúde do contato com áreas verdes.

“Traz inúmeros benefícios, estas áreas verdes trazem mais umidade, menos poluição, melhora a temperatura e incentiva atividades físicas. É importante para a saúde cardiovascular e mental, menos ansiedade e depressão. A preservação da água, alimentação e biodiversidade são indutores positivos para o sistema imunológico” explicou.

Um conjunto de fatores ao qual o indivíduo está exposto durante toda a sua vida e é responsável pelo risco de doenças de resultados adversos, foi detalhado pela médica pneumologista Keyla Maia. “O exposoma é dividido em exposição externa geral, externa específica e interna e é esse conjunto que nos leva a ter maior ou menor risco de doença”, disse.

A exposição externa geral inclui poluição do ar, exposição a substâncias tóxicas e sonoras, trânsito e questões políticos sociais ao qual a pessoa está inserida.  A externa especifica abrange uso de substâncias psicoativas como a nicotina através do tabaco, uso maior de álcool, açúcar, sal, tipo de alimentação, exercício físico e uso de medicação. Já a interna abrange a carga genética, proteínas, estrutura molecular e microflora do indivíduo.

A médica alerta para a importância de ter um organismo equilibrado, com atividades físicas, alimentação correta, lazer, prazer no trabalho e boas relações. Além, claro, do  monitoramento de elementos do ar como dióxido de enxofre, monóxido de carbono, ozônio, compostos orgânicos voláteis e óxidos de nitrogênio.

“Na pandemia do Covid a exposição geral externa causa todo um transtorno e o que se observa são maiores óbitos em pessoas com idade avançada ou com alguma comorbidade, que são os grupos de risco. Além das questões de segurança como higienizar bem as mãos e o uso de máscara, o indivíduo tem que se preocupar com a estrutura do seu organismo para esse confronto, melhorando sua condição para esse enfrentamento caso ele ocorra e se preparando para ter o melhor resultado. Não é possível ter saúde se não tiver qualidade de agua, qualidade de ar e qualidade mental”

Floresta em pé

O secretário Adjunto-Executivo de Meio Ambiente, Alex Marega, que foi mediador do debate, abriu a webinar destacando que Mato Grosso, ao longo dos anos, vem buscando ser pioneiro nas principais políticas públicas de combate ao desmatamento e sendo reconhecido por mecanismos internacionais que fomentam e apoiam o controle das mudanças climáticas e reduções de emissões.

Entre estes reconhecimentos estrangeiros, Marega citou o Programa Global REDD Early Movers (REDD para Pioneiros – REM) com investimentos em políticas públicas de desenvolvimento sustentável e no fortalecimento das instituições e comunidades tradicionais, como indígenas, quilombolas e agricultura familiar no estado.

“Mato Grosso quer ser cada vez mais reconhecido por sua produção sustentável, que conserva o meio ambiente e suas áreas de preservação, com propriedades rurais mantendo suas reservas legais e cuidando de seus recursos hídricos e suas nascentes. Queremos a valorização de nossos produtos e contribuir com a humanidade para a redução de emissão de gases de efeito estufa, principalmente aqueles que são provenientes do desmatamento” afirmou.

O pesquisador americano Daniel Nepstad, que há mais de 27 anos estuda os efeitos das mudanças climáticas, politicas e uso do solo na floresta Amazônica, falou que os avanços que Mato Grosso conseguiu em relação ao desmatamento podem trazer vantagens econômicas para o estado, com abertura de mercados e incentivo para os produtores do campo que estão zelando para manter aquela floresta e protege-la de incêndios florestais.

“A floresta é muito mais que um grupo de árvores e quando está presente ao longo dos rios, as cabeceiras atuam como uma grande esponja, que vai secando o solo. Então é um importante e grande regulador de água, se tira a floresta a possibilidade de enchente e erosão é muito maior” explica o americano, que é Diretor Executivo e cientista sênior do Earth Innovation Institute.

O pesquisador expôs também um dos papéis exercidos pela floresta, ainda pouco conhecido, que é o de resfriador. “Se tem um pasto, uma plantação ao lado de uma floresta, a área fica um pouco mais fria. Pelo fato de entrar pouco sol dentro da floresta ela é uma área mais fria, mais úmida e com circulação de ar. Isso pode ser muito importante durante período de estiagem prolongada e temperaturas altíssimas e é relevante para economia de Mato Grosso” concluiu.



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