O florão da América carece de húmus

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O Brasil nunca será uma grande nação na esfera social. Nossa distribuição de rendas é ínfima. A carga tributária sufocante. Nossos produtos para exportação (soja, milho, carne e outros), ainda são transportados em caminhões. A burocracia emperra o crescimento do país. Estes e outros fatores minoram que o impávido colosso aflore.

Contudo, há um mal maior que nos prende ao terceiro mundo. Não amamos o Brasil e isto impede que o florão desabroche. Caso sim, há muito já seriamos uma superpotência.

Eis aqui o principal motivo de nosso atraso como sociedade, não agimos em grupo. Somos individualistas.

Nos idos do século passado, na década de quarenta, quando findou a segunda guerra mundial. Alemanha, Japão e outros países, não passavam de cinzas e escombros. A economia no Brasil ainda engatinhava. Porém, estávamos à frente destes países. Hoje, pouca coisa mudou no Brasil. Nossas contas não tem equilíbrio. Avançamos dois passos, voltamos dois e caímos. Já, alguns daqueles países dizimados em quarenta e cinco, são superpotências.

E onde está “o pulo do gato”, em ser uma potência industrial, tecnológica, cultural e outras, que o Brasil não goza? Na mão que balança o berço, ou, no povo que forma o governo.

Isto mesmo, a população, a sociedade que governa o Brasil é doente. Não há como justificar maus lideres, quando estes somos nós. Ou seja, nossos governantes são ruins, haja vista que, a terra que os prepara para a vida política é fraca. E a terra é seu povo.

Caso a base desta sociedade, fosse munida de ingredientes de qualidade, renderiam bons frutos. Por conseguinte, estes desenvolveriam sementes cada vez melhor. No efeito cascata, geração após geração, os “rebentos” seriam sempre melhores. Buscando um Brasil melhor.

Isto pode ser comparado à evolução de um veículo. Os primeiros eram movidos a carvão, um pedaço de pau servia como banco, não passavam de geringonças pesados e outras coisas, nada comparadas aos carros de hoje. O conforto veio com a evolução, teto solar, GPS, pneus que não esvaziam, ar condicionado e outros mimos.

Mas porque no Brasil, ainda estamos sentados nas velhas geringonças? Por que não nos atualizamos, o problema é este. Não trocamos a filosofia de vida deste país. Quem nos administra? A mesma madeira e carvão de séculos atrás.

Portanto, enquanto não mudarmos os componentes estruturais de nossa sociedade, nunca teremos um bom governo.

Podem ser usadas como exemplos destes componentes desatualizados, obras que nunca são executadas no Brasil. A transposição do rio São Francisco é secular. A rodovia transamazônica ainda não terminou. Angra? Sem comentários.

Há outras recentes. Os aeroportos para a copa do mundo? Os estádios? Como estão as obras do veículo leve sobre trilhos? Tudo escorre nos ralos da corrupção.

Ainda outras mais recente, aconteceu esta semana. O governo do Rio de Janeiro fez contratos sem licitação (na ordem de mais de setecentos milhões), para construção de hospitais de campanha em regime de urgência. Tudo para combater o Covid 19. Adivinhem? Isto tudo vai acabar como as outras obras. Somem às verbas, a população fica desassistida e as obras não terminaram.

Eis aqui o nutriente essencial que o país carece, honestidade. Caso as pessoas não compactuassem com estes absurdos, os desvios de verbas não aconteceriam. No entanto, cada um que cala, consente com a roubalheira.

Para ser desviadas montanhas de dinheiro é preciso que muitas bocas calem. A copa do mundo é um exemplo disto. Quantas pessoas tiveram seu silêncio comprado, para que as verbas tomassem rumo “ignorado”? Dezenas, centenas, milhares delas. Cada um que pactuou, fez por não amar seu país.

E os exemplos que comprovam esta realidade, não se limitam a copa do mundo, olimpíadas, transamazônica, angras e outros. Estes são os mais evidentes e de maior repercussão. Todavia, há muitos outros.

Quando você dá “cafezinho” para o policial. Quando a pessoa faz vistas grossas a um menor de idade dirigindo. Ao furar uma fila e fazer-se de desentendido. Assinar skygato. Comprar produtos importados, sem pagar impostos. Fazer de conta que dorme no ônibus, para não dar lugar a quem precisa. Ignorar o limite de velocidade, quando não há radar em uma rua secundária. Reeleger um corrupto por uma dentadura ou alguns litros de gasolina. Trocar preços de mercadorias em supermercados. São inumeráveis os absurdos cometidos por seu povo, contra si mesmo.

É fácil perceber o resultado destas ações. Uma criança que cresce vendo estas atitudes, vai tornar-se um adulto sem amor a si, a sua família, por conseguinte, a sociedade que a rodeia. E no efeito dominó, sempre querendo “um por fora”. Esta pessoa um dia pode vir a ser um político.

E quando estes se assentam nesta cadeira. Continuam a fazer o que aprenderam a vida toda. Roubar, desviar, esconder, aprimorar caixa dois, fazer articulações para tirar o máximo que possam da população e outras aberrações.

Porém, não podemos culpa-los de nada. Estas pessoas são farinha do mesmo saco. Ou seja, ele pode ser seu irmão, tio, amigo, vizinho, pai, ou até mesmo um conhecido de vista. Dizer que você não elegeu um monstro desses, não livra você de muita coisa.

São muitos os absurdos que o brasileiro precisa abolir de sua sociedade, para que quiçá um dia, possamos sonhar que o gigante pela própria natureza, torne-se um belo, forte e impávido colosso.

Quando pararmos de ser desonestos, “dar” jeitinho em tudo, ou não roubar mais doces de crianças.

Neste dia senhoras e senhores, a possibilidade do futuro espelhar essa grandeza, realmente vai existir.

Mas isto depende unicamente de cada pessoa. Vamos amar nosso país. Fazer cada um sua parte. Regar nossa sociedade com terras férteis, ou seja, bons exemplos a todos. Sem exceção, amigos, filhos, parentes, enfim, cada um desta maravilhosa nação.

O retorno será não apenas para nós brasileiros. Rico como é este chão, nutriremos o mundo e vai sobrar dinheiro em caixa.

O escritor do lago.


Amazonia 03 de Junho